Mostrando postagens com marcador emoção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador emoção. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de julho de 2012

BARBARA...




“Il y a si peu de temps,
Entre vivre et mourir,
Qu'il faudrait bien pourtant,
S'arrêter de courir,(…) “

" Je n'ai jamais répété aucun geste, je ne me suis jamais exercée devant une glace, je n'ai jamais travaillé avec un metteur en scène, sauf dans Lily-Passion ; je n'ai obéi qu'à mes propres lois, apprenant sur le tas grâce à ce flux vivant que m'a toujours renvoyé le public — un public qui a été pour moi un accoucheur. Je n'ai fait en somme qu'essayer de retourner une part des beautés continues dans cet amour immense qui me fut donné." (...)
 
                " Et puis mon corps s'est mis à chanter, des cordes vocales aux orteils. J'ai eu besoin de marcher, besoin d'une liberté de mouvements, non plus seulement assise à mon piano, mais debout.(...)"
                   
          " On ne sait pas d'où viennent les mots ; quand tu chantes, ils se mâchent, s'allongent, se distordent, se consument, déboulent de ta gorge à tes lèvres, redescendent dans ton corps, dans le pli de ta taille, dans ta hanche ; (...)

"les mots se sont mis à circuler par ma bouche, par mes veines, par mes muscles, et tout mon corps a pu chanter de la racine des cheveux jusqu'au bout des doigts, et j'ai pu projeter mes émotions au rythme de mon souffle.(...)

( Barbara, Il était un piano noir)
 

 
Ouço, vejo Barbara no Châtelet.


Força vital enviada não sei de onde nem por quem para nos reconfortar na dolorosa tristeza que por vezes vamos sentindo. Vê-la, ouvi-la, pura e necessária alquimia de transformação da sua fragilidade, da sua verdade no nosso consolo na nossa companhia.


Ouço e vejo Barbara, releio o seu "Il était un piano noir", passo os olhos ternos por alguns poemas da sua integral “"Ma Plus Histoire D'Amour" e pressinto toda uma tessitura de uma alma imensa.


Ali, leve, etérea presença, gota de orvalho levemente iluminada e deslizante pelo palco e comovo-me. Quase irmã, camarada de passeio interior nas palavras que caminham em  melodia.


Ouço, vejo Barbara e tudo se reunifica em mim. Opus - espaços de silêncio, nichos de plenitude necessários depois de agitações perturbantes, ruídos inertes de essência, desertos afetivos em avanço, máscaras afiveladas de deferência, servilismos de lugar-comum.


Ouço e vejo Barbara. Um dos génios-voz mais marcantes do século XX. Imorredoira, intemporal, suave como seda em pele nua, ou, planante águia ao sabor do vento. A sua voz-poema, percorre a corrente de emoção que pede ainda cá dentro licença de habitação, agarro o fractal de beleza silenciosa que por desafio se me oferece. Recebo-o de mãos abertas e purificadas de aconchego.


Bom, no fim de um ano de "funcionário cansado", esta bela voz, esta bela mulher que murmura, que reconta, que dialoga, que denuncia, que violenta, que ama e nos ama.
Nada em Barbara de sofrimento piegas, de romantismo açucarado, de emoção "light", ou histeria de vizinho de lado, nada! Barbara canção, em carne viva, que se transmuta na própria canção. Barbara de solidão fecunda de nunca o ser por agregação de outras, Barbara de voz poesia, de dádiva, porque a sua mais bela história de amor, somos nós, todos aqueles que a sabemos receber, aprisionar em nós a liberdade do silêncio, da emoção sensível.


Ouço e vejo Barbara no Châtelet e penso nas infinitas inutilidades canoras e poluentes que por aí abundam. Percebo nela o génio, a imensidão do talento, a entrega a uma arte a uma missão, a essa humildade de música d’alma que tão poucos conseguem atingir.


Ouço e vejo Barbara no Châtelet e lembro-me das palavras da belíssima cantora peruana Susana Baca “ Com isto de comunicação e de televisão, de repente reúne-se um grupo de miúdos com vários acordes, repetem uma coisa e já os consideram músicos, com muita ligeireza. Têm êxito, ganham dinheiro, mas é uma música de merda. Mesmo” 


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

LEONHARDT, GUSTAV


Marcou tão profundamente a minha vida e o meu gosto musical. Com o pouco dinheiro que conseguia ainda estudante universitário e depois professor de cueiros, lá ia mensalmente pela escadaria do Mundo Da Canção (MC) à cata dos LP da Das Altewerk - Telefunken do tal senhor que me emocionou até quase às lágrimas quando pela primeira vez ouvi um adágio de Bach tocado num cravo de som mágico e de forma tão etérea, tão subtil, tão natural que aquilo não era instrumento, mas voz divina.


GUSTAV LEONHARDT acaba de falecer, e a minha tristeza impregna ruas de fundo. Não bastava a Montsserat Figueras vai para poucos meses e agora o Mestre, aquele para quem a música barroca parece ter sido companheira de viagem contínua. Ouvir Gustav Leonhardt pela primeira vez, foi apaixonar-me pelo toque mágico deste encantador das “cordas beliscadas”, pelo dedilhar mais natural que encontrei num cravista, por esta água cascata fluente que saía das suas interpretações. O seu Bach, não é “vintage”, é, será para sempre um monumento à arte e ao génio do velho mestre. Mais tarde ouvi grandes cravistas como Curtis, Moroney, Gilbert, Hantai, Baumont, Ross, Staeir etc, etc, mas retorno sempre, mas sempre com alegria renovada a esse Bach apolíneo, prodigioso de equilíbrio, de “tempi” certo, tão longe de muitos barroquistas idiotas adeptos do barroco formula 1, dos tempos “Lagardére”, dos tais esfuziantes sons que mais do que respeito de uma obra, mais não são do que fogos fátuos de uma sensibilidade musical que vai faltando.


Depois, foi seguir o Mestre através de outras gravações, muitas vezes já não como solista, mas como maestro desses prodigiosos Leonhardt- Consort ou Collegium Musicum, ou da Petite Band, ou mesmo do Tolzer Knabenchor. Bach da Paixão Segundo S. Mateus BWV 244, com La Petite Band, o mesmo Bach da Missa BWV 232 com a mesma La Petite Bande, são para mim inigualáveis, pela justeza de…TUDO! A Edição completa das Cantatas de Bach com o companheiro Harnoncourt ainda hoje são minha companhia habitual, apesar de possuir as edições completas do Rilling, do Pieter Jean Leusink, ou as quase completas do Richter, ou do Masaaki Suzuky. Precursor de muita coisa que não me interessa referir, Leonhardt foi um artista inolvidável, um homem íntegro e sobretudo de uma humildade grandiosa, de uma forma de estar na vida e no mundo ao serviço da beleza, da música e das obras. O seu cunho pessoal de intérprete ou maestro nunca procurou o estrelato, a fama parola, o espetáculo gratuito, o primeiro eu, depois a obra ou o compositor. Estudioso maravilhoso, pensador profundo, exegeta e esteta, Gustav Leonhardt acabou por uma ponte, um caminho, uma ligação àquilo que verdadeiramente interessa – a Música.


Adoro o Biber, Rameau, o Purcell e Kuhnau de Leonhardt, o Leonhardt ator no filme de Jean Marie Straub “ Chronik der Anna Magdalena Bach”, os órgão holandeses tocados pelo mestre, e sobretudo, um disco que oiço neste momento. Uma emoção profunda toma-me de assalto quando ouço esse canto pungente, doloroso, sem ser adocicado, esse fluir natural de sons saídos não do cravo, mas da alma do instrumento que só dedos, cérebro e coração com ela poderiam dialogar. Ouço Tombeau faict à Paris sur la mort de Monsieur Blancrocher de Johannn Jakob Froberger e uma, duas, três lágrimas furtivas assomam à janela. Que voem pela música, por GUSTAV LEONHARDT.

Soube agora.

Há grande agitação e alegria nos céus. Os Querubins rejubilam com o novo cravista. Meus queridos amigos, JOHANN SEBASTIAN BACH sorriu-lhe como só o velho Bach sabia sorrir, e com piscadela de olho de grande cumplicidade deu-lhe a entender: GUSTAV, escolhe como acolhimento: ou tocas as Goldberg, ou o Cravo Bem Temperado!
LEONHARDT, sorriu, ajeitou madeixa rebelde de cabelo branco e começou a tocar a Allemande da Suite Nº 1 em Ré Menor, BWV 812 das Franzosische Suiten. JOHANN deu uma gargalhada, levantou a mão e nos céus fez-se silêncio hálito das estátuas .



quinta-feira, 4 de novembro de 2010

sweet time on the road to Heaven...

O título , tirado de um belíssimo comentário no YouTube.

A suavidade e ternura de uma força interna que só o habitado pelo divino pode transmitir.
A ideia a partir de um belíssimo poema do Régio no site da IC sobre tempos de desesperança, de vilania, de arreigados indigentes mentais e espirituais.

E a pensar na Isabel, no seu simplesfransciscano blogue que tanto tem dado a fractais dos meus dias, lembrei-me desta maravilha. É isto possível? Que grau incrível de AMORdecimento é preciso para abraço gigante de ternura da Alice? Apetece tanto viver, depois de ver este vídeo. Apetece tanto o amanhã do que o hoje já foi. Apetece tanto não dizer nada no comovido de nós caminho a percorrer. Tanta suavidade, tanta ternura, tanto amor que Ele derrama nos seus ínvios caminhos! E nós tão distraídos do essencial...