domingo, 1 de setembro de 2013

NÓVOA, WAGNER, BARROSO leituras fim de verão




Excelente entrevista de António Sampaio da Nóvoa na Revista do Expresso e contudo a minha surpresa sobre o início da sua resposta à questão sobre os cortes na função pública, os despedimentos e a função pública ser considerada pelo poder o corpo parasitário do sistema:

" Vou dizer uma coisa impopular. Os economistas não percebem nada de nada e nem de economia e usam uma linguagem que ninguém percebe.Maturidades, imparidades, swaps, eurobonds, outlooks negativos..."

Uma coisa impopular, porquê? Toda a gente com dois dedos de testa o sabe! Muitos economistas são perfeitos imbecis, historicamente uma bestas quadradas de conhecimento, e muitos subjugados a escolas e ditames por sua vez vez dominadas pelos grandes interesses económicos e financeiros que dominam o Mundo sejam eles as lógicas espúrias, porcas e miseráveis desses "proxenetas" internacionais que são os  Morgan Chase, os Goldman Sachs, o ex Lehman Brother, hoje em parte travestido de Neuberger Investment Management, entre outros.

O grande economista e humanista recentemente falecido, Jose Luis Sampedro bem caraterizou estes pseudo economistas : "Há dois tipos de economistas: os que trabalham para enriquecer os mais ricos e os que trabalham para empobrecer os pobres" , e ainda muito recentemente faleceu um e português quie se enquadrava como cereja em cima do bolo na segunda categoria.
Claro que Nóvoa sabe isso, como  sabe da necessidade de travestir a propaganda, do escurecer o entendimento de coisas simples por nomes pomposos de "seita de iluminados" como muito certeiramente lhe chama Clara Ferreira Alves na dita entrevista.

Mas haverá alguma dúvida a que patrões servia Gaspar,  serve a atual Ministra das Finanças ou outros membros do desgoverno? Assim, impopular porquê? Certamente  não quereria Nóvoa assumir o papel de cortesão rastieiro, de anão em bicos de pés de alguns colunistas de 6º Feira do Jornal Público, que de Jornalistas apenas o que Fialho escreveu deles, ou de analistas económicos que de economia  apenas devem saber do deve e haver do papel higiénico utilizado ou a utilizar, sejam eles Fernandes ou Camilos !

Aqui enquadra-se a minha segunda leitura do excelente artigo do Público de hoje " Quando a Escola deixar de ser uma fábrica de alunos", pois é essa escola que anseio , sonho, uma Escola que permitisse a criatividade, o espírito crítico, a solidariedade, o conhecimento, pois talvez ela contribuisse para o desmascarar dos cretinos, dos perfeitos aldabrões disfarçados de iluminados, dos políticos de meia tigela que nos vão governando. Excelente artigo repito, mas aqui e acolá com algumas surpresas sem resposta,  por exemplo: 



"Tony Wagner, investigador de Inovação na Educação no Centro de Tecnologia e Empreendedorismo da Universidade de Harvard, descreve o que está a ser ensinado aos jovens nas escolas, por oposição ao que eles deveriam estar a aprender para triunfarem nas suas carreiras, numa economia global.

Wagner defende que a escola deve desenvolver sete "competências de sobrevivência" necessárias para que as crianças possam enfrentar os desafios futuros: pensamento crítico e capacidade de resolução de problemas, colaboração, agilidade e adaptabilidade, iniciativa e empreendedorismo, boa comunicação oral e escrita, capacidade de aceder à informação e analisá-la e, por fim, curiosidade e imaginação."

Diga lá outra vez: "Triunfar na carreira" "estratégias de sobrevivência" ?? Não é estratégias de promoção do indíviduo, da felicidade, mas de sobrevivência, num antagonismo curioso de subserviência da escola ao económico, ao financeiro, à carreira, como se pudesse resumir a escola a isto! Mas Wagner não estará equivocado? É mesmo isto que os mercados querem? Sonhará que os grandes patrões do mundo querem gente  com pensamento crítico, imaginação e por aí fora, ou trabalhadores cordatos, subjugados,  parafusos de máquinas de faturar bem oleadas? Parece existir em Wagner uma ingenuidade ou desconhecimento histórico do Capitalismo ( ou talvez não, sendo um atual guru do pensamento da escola de futuro nos EUA) que me deixa abismado! Depois, não percebe o senhor Wagner todo o domínio estratégico e ideológico da escola e que o comanda ? Um nome deste calibre não leu, declaradamente não leu Raoul Vaneigem, entre outros desconstrutores da escola como ideologia de estado.

Mais à frente é o nosso João Barroso, paciente, carinhoso, quase paternal com os empregadores; "aquilo que os empregadores hoje valorizam no estudante - mais do que aquilo que ele sabe - "é a capacidade que ele tem de aprender coisas novas, de se adaptar às situações, de produzir conhecimento, de interagir".  

Pois é caro Barroso: Aprender o que é trabalhar o maior número de horas semanais da Europa, ter um salário ração, ver-lhe subtraído um direito histórico da defesa dos seus direitos, viver sobre a ameaça cada vez mais desregrada do desemprego selvagem ? Adaptar-se a que situações? A todas aquelas que permitam o lucro, a aplicação em produtos fiinanceiros mafiosos, ao enriquecimento ilítico de uns poucos pelo empobrecimento de milhões? Tinha tanto para explicar ao Sr. Barroso, sobre as coisas novas, a criatividade, a adaptabilidade, a capacidade da interação e  a economia global de uma Microsoft, Apple ou Inditex por exemplo, que nem vale a pena. Esta aceitação que "o mundo é assim" nem permite fazer o desenho de criança para o melhorar.

Coisas mesmo muito boas: o extraordinário artigo de António Guerreiro no Ipsilon de 16 de Agosto sobre a meritocracia e as disciplinas Humanísticas! A ler, caro joão Barroso e caro Tony Wagner, a ler!

 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

CATRO...PUZ DO ENSINO PÚBLICO



Hoje no Público. Do colega de Filosofia, Francisco Teixeira. Artigo certeiro, acutilante e que desnuda de forma implacável uma política, uma ideologia, um farsante (será?) que nos saiu na Educação. Diz-se ministro, sê-lo-à para ele e alguns acólitos, que para mim, não pode estar uma "coisa" ou "coiso" se prefererirem nesse Ministério. Mas está, para desgraça da Educação em Portugal e dos Professores e Alunos portugueses em particular.

" (...) Nuno Crato e a política educativa deste governo constituem o que há de mais reacionário nas políticas de educação portuguesa desde abril de 1974" (...)

" A somar a tudo isto, o atual ministro da Educação de Portugal fez da desosnestidade política um estilo,introdizindo nas escolas portuguesas um vírus mortal de desperança e desconfiança." (...)

" fazem dele um hipócrita relapso, matando o mínimo de exemplaridade política que se exige a um ministro, e ainda mais a um ministro de educação." (...)

" e este Ministro da Educação é um caso grandioso de falhanço e asneira." 


" Por último, e de modo mais elementar, Crato é o ministro da Educação que introduziu nas escolas portuguesas, sem um suspiro, o completo desprezo por milhares de professores, pessoas concretas com vinte e trinta anos de serviço, incluindo famílias inteiras, de uma penada, condenadas ao desemprego, à pobreza e ao desespero, depois de uma vida de dedicação aos seus alunos e ao bem público. E tudo em nome de uma ideologia da destruição da Escola Pública, da livre escolha e do livre mercado, como se uma nova revolução cultural darwinista justificasse qualquer morticínio"

Completamente de acordo quanto ao "coveiro", no entanto convêm não esquecer o "agente funerário" e "mestre de cerimónias" da morte da Escola Pública que foi esse portento de vacuidade racional, relacional e educativa que foi a MLR. Repito, são farinha do mesmo saco, ao serviço de interesses e poderes escondidos ( ou nem tanto) no sentido da desarticulação da escola pública, para favorecimento de fortissimos lobbys ligados ao ensino privado e à banca. 
Desculpem , mas é preciso ser ou muito burro, ou políticamente uma aventesma, ou se quiserem, "andar neste mundo por ver andar os outros" para não perceber como aparecem MLR e Crato na Educação!

Crato, foi curioso. De simples professor universitário,  do nada, do nada quase absoluto politicamente. De um livro entre o estúpido, o analfabeto educativo, e da inaninade completa do conhecimento Pedagógico, das idas ao espaço televisivo, primeiro de forma subreptícia, depois abertamente, à "fartazana" até ao enjoo, da adoração boçal, parola, incontinente por falta de reflexão e análise da realidade educativa de muito professor, jornalista, basbaque pseudo financeiro e económico, Crato consegue o conhecimento, a lauda, quase o altar do guru educativo e todavia, no seu  livro - até o título é ridículo -  "Eduquês em discurso direto", já  pairava nas entrelinhas, nas ideias reacionárias, na ideia de escola meritocrática, segregadora, no afundar o Sistema público de Educação,  o que estamos a assistir. 

Para minha  tristeza, muitos colegas não quiseram ver. Uns porque nem o livro leram, mas porque outros nas salas de professores o laudavam, diziam "amém", outros desesperados com a mudança acelerada da escola, dos miúdos e porque o leram assim como quem lê Margarida Rebelo Pinto,  foi paixão à primeira vista sem perceberem o "trompe d'oeil" do discurso, outros no despero de uma MLR canhestra, que odiava os professores , estavam por tudo, mesmo por um Crato que num discurso monocórdico, repetido, de verborreia populista sem qualquer conteúdo pedagógico, didático, ou de conhecimento intrinseco da vida intestina das escolas, ia debitando "asneias sobre asneiras" perante Jornalistas que de educação "um boi não viam", que o olhavam qual serpentes encantadas com o toque aflausinado do homem. 

Hoje, uma delícia ir pela Net e assistir a algumas entrevistas do Crato e fazer uma simples análise de conteúdo a algumas das suas afirmações. Para além de uma falta de cultura gritante ( sabe Matemática e chega!), observa-se rapidamente o gorjeio do "papagaio", a repetição até à nausea de frases feitas, de lugares comuns, das palavras rigor, mérito, exames, mas sempre num contexto ideológico marcado, algumas vezes mesmo, com sabor, substância e cheiro a "Estado Novo". 
Depois, depois... Vá lá, analisem: com a sua grande "experiência de gestor" , com o seu grande serviço à Pátria, é-lhe atribuída a presidência do "TachoPark", Ups, Tagus Pakr. Depois, aquilo que para mim e sem surpresa estaria destinado pelos tais poderes "ocultos" ligados à Educação e ao negócio da Educação, a sua promoção a Ministro. Só isso , e não é pouco! 

Vá, Levanta-te e anda, rebenta com o sistema público de Educação, acentua mais o fosso entre público e privado, entre os ricos e pobres. Qual escola de ascensão social, qual quê? Seleção dos melhores, os outros que se proletarizem ou fiquem no limbo do desemprego, malandros que são. Os professores esses "calaceiros" (novamente é preciso ser pouco arguto, infantilizados por uma profissão que tem esse perigo interno) para não percebermos em partes do discurso "cratense" o desprezo, a desconsideração pelos Professores, mesmo antes de Ministro. É,  MLR odiava-nos, Crato despreza-nos!  O resto sabemos: uma hierarquia submissa e "lambebotista", uns diretores que não são mais do que simples peças na cadeia de transmissão do medo ("eles mandam e nós obedecemos" dizia ontem um energumeno), alguns, auênticos ditatorzecos de trazer por freguesia, uma democracia pseudo democrática nas escolas, e o medo, o medo acrescido do desperero, da impossibilidade de futuro, que leva à aceitação, ao desânimo.

Está fechado o círculo. Resta a legislação futura para considerar avaliações e exames como serviço mínimo para "domar" a minha classe. 

Mas isto que interessa a muitos dos colegas?! Nada! Muitos votaram , votarão nesta política, mesmo que nem saibam muito bem ou nada, sobre o que é a Social Democracia. Votam porque sim, porque ingénuos políticos, reflexivos só de travesseiro, e por vezes, preguiçosos culturalmente. Gosto dos masoquistas, sinceramente! Outros, in - seguros, amorfos, porque não há nada a fazer, lá vão para a outra ponta do "arco do poder", e não há-de demorar a aparecer um bimbo dito do democrático socialismo, a vomitar "postas de pescada" sobre educação, a mostrar o sua simpatia e ignorância sobre a educação, a cantar de sereia,  e muitos colegas de paixão assolapada, lá lhe jurarão voto eterno!Gosto dos "sonhadores tem de ser"!
Não não tenho mau juízo da minha classe, simplesmente é assim! Basta ver numa sala de Professores os silêncios, os estusiasmos (zinhos) histéricos, os que "nada disto iria acontecer" por ingenuidade política que até dói, para perceber muita coisa.

Na gravura fabulosa do Bordalo, basta mudar o rosto.


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quinta-feira, 4 de julho de 2013

ESTA MISÉRIA de "HOMUNCULUS" QUE NOS CERCA







Das maiores misérias da História Portuguesa recente ou menos recente.

Um governo inacreditável talvez só comparável a alguns excrementícios da 1ª República. Um Ministro das Finanças de uma incompetência que consegue meter medo à incompetência, um Primeiro, que é de primeiro só deve ter a falta de inteligência, ou se quisermos uma "coisa" nascida abortivamente de uma juventude partidária já fedorenta e anquilosada de o não ser, um Ministro entre o crápula, o feirante "aciganado", o maricas aparaltado que gosta de apalpar "à falsa fé", uma nova ministra das finanças que só pode ter sido de um livro de pano da Majora, estilo Srª Repinau, sem vergonha nem na cara nem no corpo todo, uns moedas e rosalinos estilo pin e pon, e sobretudo, a desgraça de um presidente que tirando o corta-fitas Tomás, é o pior presidente da História da República Portuguesa. Uma desgraça para um povo que teve a honra de ter um Teófilo Braga, um Manuel de Arriaga, um Bernardino Machado,  um Manuel Teixeira Gomes, um Eanes, homens de coragem e sobretudo os primeiros, de elevado nível humano e cultural , para agora ter um homem que nem falar sabe, que dá erros de escola primária, que "come com a boca cheia", que nem sabe distinguir os Man e os More dosThomas, que invoca o nome da senhora de Fátima em vão e sobretudo de uma incultura profunda que magoa. Em que boçalidade, em que analfabetismo se enredou um povo para eleger uma figura destas para o mais alto magistrado da minha nação?
 Não, o envelhecimento e alguma senilidade já à esquina não podem explicar tudo.

Uma desgraça para o Meu País, principalmente porque um "Nenuco"  rosa, crescido noutra casinha de bonecas de juventude partidária, se aprestará para enterrar o que enterrado vai ficando.

Cavaco,Sócrates, Coelho, Seguro,  um quarteto que só podia ter existido em livros de terror, ou BD, mas tornaram-se figuras reais de uma peça trágico-cómica num imenso palco minado de térmitas em que se transformou o meu Portugal.

Os comentadores, os ex ministeriáveis de qualquer coisa, sejam os Coutos, os "Caudilhos", os Macedos,  os SIC Ferreirras, o coiso da  Neves que se diz economista e tem muita graça de biquinhos de pés a ofertar-se para o governo, o apocaliptico e gráfico Medina, e todos os subprodutos "Migueis de Vanconcelos" que nos procuram vender a banha da cobra do inevitável, da submissão acocorada, esses não passam mesmo disso, subprodutos do meu país, e desses não reza, nem rezará a História. Decrépito circo em que se movem, que nem crianças convencem já. 

Assim o Meu País, um País que teve um Sá de Miranda que os "manjou" a todos, mesmo no final do séxculo XV e primeiras décadas do XVI. Atual como hoje: Encaixa como uma luva nessa paixão assolapada ou se quiserem "encornada" Passos-Portas, mas podem colocar a sergurar o véu o fastasminha Gaspar que eu não me importo.

" Quem joga onde engano vai
Em vão corre e torna atrás,
Em vão sobre a face cai:
Mal hajam as graças más
De que tanto engano sai! "

(...)

"Mas, depois, que lhe fazemos?
Pode ser, pode não ser, 
Adiante o saberemos:
Estamos um pouco a ver,
Cai-lhes o rebuço e vemos"

(...)

"Um que por outro se vende
Lança a pedra e a mão esconde.
O dano longe se estende.
Aquele a quem dói entende:
Com sós suspiros responde"

Como ouvi há dois dias num restaurante: a voz simples do Povo e do Porto, sem rebuços, nem vergonhas a referir-se ao trio ou quateto: São uns BADALHOCOS!
Eu mais eduquês, traduzo: Que não são nada higiénicos, lá isso não são!  Mas saberão eles lá isso?! Não sabem! 
Peixe podre nunca cheirou mal ao peixeiro!



terça-feira, 9 de abril de 2013

José Luis Sampedro

Faleceu um Grande Humanista e um Grande economista.

A entrevista abaixo prova-o e ao mesmo tempo abre-nos portas de esperança. De forma simples está lá tudo, sobretudo a necessidade da educação, do espírito crítico, do abrir os olhos das pessoas contra o obscurantismo, a lavagem cerebral a que nos querem condenar.

Dizia Sampredo :


“Há dois tipos de economistas: os que trabalham para enriquecer os mais ricos e os que trabalham para empobrecer os pobres”

Esta frase simples na aparência diz quase tudo. Percebemos nela de que lado da barreira está o retardado mental que nos disfinancia, o careca, que nascido de lado nenhum e sem crista nos tem aparecido como paladino de coisa nenhuma numa ignorância confrangedora da História, da sociologia, das ciências humanas em geral - burro até dizer chega, mas quase guru económico da Direita, mas tamém um Lourenço qualquer que de "camelo" tem muito e de economista pouco, que vendedor de banha da cobra em programas da manhã ou da tarde, de cozinha ao futebol arrota vómitos do próprio vómito que é! Aliás percebe-se ao ouvir Sampedro, porque razão este projeto sem bossas, queria extinguir os Professores de História que não servem para nada! Nem para lhe cavalgar as bossas!?  que até podiam ser as trombas!

Mas podia continuar com os senis incontinentes verbais que ministros da tal economia e finanças contribuiram para o arruniar o país, ou foram, como Sampedro afirma,  agentes priviligiados da globalização que não foi mais do que a submissão do poder político aos Impérios económicos e financeiros.

Cobardes, empobrecedores de pobres, traidores do meu país, alguns deles. Mas a História lá se encarregar de lhes mostrar o fio condutor, nem que seja pela extinção dos "CAMELOS ECONÓMICOS"

Paz a à alma deste grande Homem. A ele uma vela acesa em minha casa;  à dita de "Ferro"... temos pena, mas para quem  apoiou Pinochet, o Apartheid , etc, etc, o céu pode esperar, o inferno está alí já ao virar do infinito.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

BOBOS, MOMOS: Temos pena!




Com tempo de sobra para aprender a Grândola como deve ser, embora lhe vá ser complicado palavras como fraternidade , o Povo é quem mais ordena , até porque acabaram as Novas Oportunidades.

Feliz? Claro! Triste, também! Direi mais, saudoso de uma saudade que por o ser já me põe melancólico. Vou ter pena de não continuar a ver e ouvir os dislates, a ronceirice, o típico português que apesar de governamentavél, de fato e gravata de luxo, continua a meter a unhaca entre os dentes, a coçar o dito cujo publicamente, ou a cuspir para o chão! Tenho pena desta personagem, juro! 


Como na idade Média, todas as cortes precisavam de um bobo, de um momo, alguém que sabendo segredos de alcofa, de traições castelares,  os guardava bem guardados, fazendo rir a maralha. Um bobo que me vai fazer falta, porque sempre o vi  ridículo,  colorido, carregado de guizos e histriónico como todos os bobos deveriam ser. Não há bobo agora, apenas e só mentecaptos vestidos de seriedade.


Não foi um cromo, não foi uma anedota, foi muito mais: a essência da própria anedota, a anedota desnudada. Boçal, rasteiro, reptilizado, mas sobretudo de uma ignorância, de uma incultura que mesmo com outros boçais na parada, ele conseguia trocar o passo e sobressair!

Tenho pena, vou ter saudades: precisava do sujeito para me rir a bandeiras desfraldadas, ou para catarse em centro de alvo de setas. Que vai ser de mim agora? A Rainha de Inglaterra de Belém? Na...ainda não estou de dieta! O Rabit ( entre as pernas) , o retardado mentoliphtos que nem com "Cerebrum" lá vai? O génio que acha que se deve decorar os Lusíadas, mesmo sem nada perceber do decoranço e que isso sim é ser não eduquês? O lambreta empenado que não faz, não diz, não pensa do capacete?


Uma tristeza este abandono. Tinha tanto para dar! Tantas momices para fazer, tanta criatividade para nos divertir, e deixa-nos assim? orfãos, completamente desolados, descampados em seca relva? Muito injusto, muito mal agradecido! Quase um povo inteiro a achar-lhe graça, a perceber entre a alma de um homem e um pacote de flocos, a diferença pode ser no brinde, e o homem sempre me pareceu daqueles brindes de pacote, ou do ovo Kinder, sem surpresa, às peças, para montar, para alegrar a criançada nacional!


Sinceramente triste, derrotado. É injusto! E tem razão sim senhor: a História há-de julgá-lo, e sabendo nada de História, o bobo  pelo menos dois heróis tem: O Conde Andeiro e Miguel de Vasconcelos! A História julgou-os sim senhor: quando defenestrados : não tinham aprendido a voar !

Triste sim, senhor, até porque o outro bobo-momo da corte anterior era ainda mais miserável, roasado, mesmo com licenciatura em momices e tudo! Foi despedido, mas continua a mando real, ou a medo de outros a ciciar meia dúzia de enormidades. Livrou-se da masmorra e da reforma, e agora tem ambições, depois do regresso "ensorbonado" em nevoeiro do seu amado e televiso Sebastião, mesmo que cadáver.

Foi sempre assim, bobo morto-bobo posto! Agora virá outro, talvez contratado dos confins da bobolândia, ou talvez, das cavernas geladas da "comentarice" política! Ou não, e acabou-se o banquete por assalto ao castelo e tudo!
Esperança...ou talvez não! Talvez a Rainha de Inglaterra resolva o problema, deixando o pão-de-ló e mudando para a bola de carne de Lamego! Ou talvez os obrigue a todos a ler a Utopia do Thomas Man! Podemos pedir "More"?

Tenho pena, estou triste. E como sempre que estou triste quando caem bobos,  vou ler um livro do Alberto Pimenta: "Discurso do F.D.P" .

Estou como uns pobres de Espírito de um blogue: Um abraço, bobo! Sim! Com alcatrão e penas!

Agora a sério: na minha tristeza a dedicatória de um poema

              Frio Olhar
Visíveis as sombras pendiam no escuro do canto.
(É uma falsa caixa de felicidade, a luz reluzente
Coroa-lhe a cabeça engelhada.)
A iguana de frio olhar humano.
José Emílio-Nelson, A Visão do Antigo



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Suini...Culturas

Para já em legítima defesa, declaro que estudei, tirei um curso e tenho um licenciatura com disciplinas e tudo e realizada em dias de semana!
 
Confesso que já na minha entradota idade vi de tudo, por exemplo:


Ou por exemplo:


  

Ou mesmo o mais inacreditável:
 




O que nunca tinha assistido ( e aprende-se sempre nesta vida!) era um da espécie a grunhir a Grândola do Zeca, chiando que parecia ir para a matança!



Que pena a UE ter proibido certas tradições tão portuguesas. 
E outra vez em legítima defesa declaro que sou um fã incondicional desta espécie!
Vai pastar (não estudar!) ó desta espécie!



domingo, 13 de janeiro de 2013

"ANJO EMPRESTADO" - Cristina Magalhães


























Cristina Magalhães. É minha colega na Escola. Professora de Português. Tinha uma ideia vaga da colega num programa de TV que vislumbrei no tic-tac do zapping, outra colega alertou-me para o livro. Comprei-o, li de assentada, depois outra e outra vez repisei algumas passagens.

 
Dizer o quê? Lembro-me de uma divertida introdução de Vernon Sproxton a um livro que muito amo "Mister God, This is Anna" de Fynn, em que ele divide os livros em três categorias: os Bons, os Indiferentes e os Maus, todavia, inventa uma categoria nova que apelida de "Livros Ah!", os quais entre outras vantagens dão a impressão de criar novos horizontes, novos sentidos de respiração, em vez de os encerrar, de os regularizar.

 
Talvez o livro da Cristina seja isso, um livro "Ah!", ou talvez não, não sei. Sei que não é um livro de planura, de lugar-comum, embora o seja de uma caminhada entre alturas quase vertiginosas e planícies desconcertantes em que por vezes não se descortina o fim. Um livro de plenitude de procura, de questionamento, de perdição para o encontro.

 
Um livro belíssimo? Nem a isso sei responder. Um livro com uma humanidade em gente que mais que comover, cria raízes, cria portos de valer a pena. E não é fácil lê-lo, apesar da escrita, essa sim, de grande beleza formal, da autora. Apenas um livro tão, tão poderoso, que só pode ter sido escrito pela força remanescente da fragilidade que talvez seja essa que salve.

 
Na dor mais magoada e profunda quase mineralógica, nunca um copo pode ficar meio cheio ou meio vazio. Há que bebe-lo até á evaporação da última gota que nem sequer nos consegue chegar aos lábios para sempre insaciados. Talvez a Cristina tivesse de escrever este livro, talvez por terapia, por testemunho, ou talvez por nada disto, talvez Ela como Mãe fosse inscrita pela palavra que como muito bem afirma, nem precisa de ser dita para "carregar o dia" ( Eugénio).

 
O que a Cristina escreve, para mim "É", foi, e a tal palavra escrita andou no seu mistério de inscrição a bailar cá dentro, sem meças pedir, com a força agreste dolorosa do grito incontido, mas também o sopro leve, etéreo ligeiramente ensolarado da esperança pena leve que nos acaricia. Por vezes, em determinadas passagens, aragem aresta cortante que me feria, como noutras, poente caloroso de fim de tarde que me serenou. No fim, uma paz enorme, uma ternura imensa de valer a pena andar por cá, de perceber que em mares revoltos, muitas vezes um pequeno grande escaler que é o Amor - salva.

 
Não, não vou dizer que percebi isto ou aquilo, porque o caminho entre a "imaginação de" e a realidade sentida é quase sideral. Posso dizer que ao lê-la imaginei algumas vezes o seu Golghota doloroso, a sua luta pessoal, o seu Getsêmani que jardim não foi, como noutras pressenti uma música quase adagio molto affettuoso de uma melodia belíssima que é o Diogo e o Diogo é Lindo. Não sei.

 
Sei que ao findar a leitura do seu livro instintivamente lembrei-me do início de um poema de Nuno Higino: "As mães sobem uma escada até ao céu,/sobem e descem a escada longa dos filhos;/as mães olham para cima, firmam as mãos na escada/e pensam com os olhos./Ficam de pé-morrem de pé/se for preciso-a pensar nas estrelas. (...) "

 
Recebi este livro no horizonte recolhido de mim, porque a Cristina o deu de mãos abertas de Humanidade. Talvez egoísta da minha parte, mas lê-lo, deu-me uma tranquilidade de maré vaza, que bem vou precisando neste ligeiro plano inclinado que quero continuar a percorrer em serenidade. Na última página, aquela sensação de perceber que vale a pena andar aqui, que ainda me falta tanto para "ser humano em gente", para me convencer que os caminhos D´ Ele são mesmo ínvios por mais que os tentemos transformar em retas.

 
O Título do livro é sublime e dolorosamente belo, compreendo-o, mas depois de chegar ao fim do livro, instintivamente pressenti um Quarteto..."Anjos Entrelaçados" e não explico porquê, porque só  lendo.

 
Depois estas minhas palavras aninhadas (nem sequer poema) para este Quarteto :


Anjos,
Inomináveis serespalavras
aves migratórias que partindo ficam
qual o sentido das aves?
Encosto o ouvido ao chão
Pressinto o peso invisível das asas
Intacto o mistério.                                                                               ( AV)