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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

CORAÇÃO DE ESTUDANTE

Para todos os meus alunos, mas sobretudo para uma pessoa muito muitooooooo especial e chegada cá deste lado bom do coração, caixa sagrada de tesouro de afetos. Para ele, Mecedes Sosa ( embora a canção seja do Milton e do Wagner Tiso), e daqui a um bocado o "Aviso aos alunos do Básico e do Secundário" do Raoul Vaneigem, para ele perceber muita coisa, que muitos não entendem nem querem entender. Talvez assim humildade na sua superioridade...depois!




Corazón De Estudiante
Quiero hablarles de una cosa
como sangre de esperanza,
que respira en nuestro pecho
y se mece como el mar.
Duerme siempre a nuestro lado
y acaricia nuestras manos.
Es pasión de libertad
y juventud, es mi amor.

¿Cuántas veces su retoño
me arrancaba del camino?
¿Cuántas veces su destino
fue torcido hasta el dolor?
Mas volvió con su esperanza,
con su aurora a cada día.
Y hay que cuidar de ese broto
para salvar a los dos:
flor y fruto.

Corazón de estudíante
hay que cuidar de la vida
hay que cuidar de este mundo,
comprender a los amigos.
Alegría y muchos sueños
iluminando los caminos.
Verdes, planta y sentimiento,
hoja, corazón, juventud
y fe.


Quero falar de uma coisa
Adivinha onde ela anda
Deve estar dentro do peito
Ou caminha pelo ar
Pode estar aqui do lado
Bem mais perto que pensamos
A folha da juventude
É o nome certo desse amor
Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Quantas vezes se escondeu
Mas renova-se a esperança
Nova aurora, cada dia
E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê
Flor flor o o e fruto
Coração de estudante
Há que se cuidar da vida
Há que se cuidar do mundo
Tomar conta da amizade
Alegria e muito sonho
Espalhados no caminho
Verdes, planta e sentimento
Folhas, coração,
Juventude e fé.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Mar...

Longe desse Algarve "celuliteiro" e pançudo, a paz , a acalmia procurada perto e em tempo chuvoso. Só meu, só nosso, no silêncio de embalo.

Depois, nestes tempos de invertebrados, a procura de verticalidade da humanidade, da inteligência da sensibilidade, da cultura. Na música. Em Amâncio Prada, em Luis Llach, em Ibanez, em Zeca, em Tenco, e sobretudo em Ferrat.

O "Raconte moi la mer" esse hino belíssimo ao que meus olhos lava. Com fotos minhas. Estive para traduzir, mas não...um favor a esse "pauvre" Sarko, e porque o Francês é das línguas mais belas do mundo. Quase educado por ela, a seguir ao Português, assim a quero sempre, a minha segunda língua.




Jean Ferrat

Raconte-moi la mer

Raconte-moi la mer
Dis-moi le goût des algues
Et le bleu et le vert
Qui dansent sur les vagues

La mer c'est l'impossible
C'est le rivage heureux
C'est le matin paisible
Quand on ouvre les yeux
C'est la porte du large
Ouverte à deux battants
C'est la tête en voyage
Vers d'autres continents

C'est voler comme Icare
Au devant du soleil
En fermant sa mémoire
A ce monde cruel
La mer c'est le désir
De ce pays d'amour
Qu'il faudra découvrir
Avant la fin du jour


Raconte-moi la mer
Dis-moi ses aubes pâles
Et le bleu et le vert
Où tombent des étoiles

La mer c'est l'innocence
Du paradis perdu
Le jardin de l'enfance
Où rien ne chante plus
C'est l'écume et le sable
Toujours recommencés
Et la vie est semblable
Au rythme des marées

C'est l'infinie détresse
Des choses qui s'en vont
C'est tout ce qui nous laisse
A la morte saison
La mer c'est le regret
De ce pays d'amour
Que l'on cherche toujours
Et qu'on n'atteint jamais

Raconte-moi la mer
Dis-moi le goût des algues
Et le bleu et le vert
Qui dansent sur les vagues

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

ENTRE ELA e ELE..


Porque entre Ela, a do seu coração, e Ele... ouvem-se os sorrisos da Música!

Porque o que o faz a Ele, Meu Filho, feliz, serena o meu silêncio amplo.

Porque amanhã é dia de ser Natal e apetece-me colocá-los aqui, mesmo com "raspanete" a Pai "cusca". A Eles, e a um texto extraordinário de uma escritora sublime que não digo! Eles que descubram!

" Entre Ela e___________ o ar tinha gosto de Sábado. E de súbito os dois eram raros, a raridade no ar. Eles se sentiam raros, não fazendo parte das mil pessoas que andavam na rua.

Os dois às vezes eram coniventes, tinham uma vida secreta porque ninguém os compreenderia. E mesmo porque os raros são perseguidos pelo povo que não tolera a insultante ofensa dos que se diferenciavam.

Eles escondiam o amor deles para não ferir os olhos dos outros de inveja. Para não feri-los com uma centelha luminosa demais para os olhos. "

Um abraço do tamanho de Pai (sem ser Natal) e aceito o castigo do teu amuo, se o tiveres!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

É Bom Ver os Filhos Crescer...e Jeff Buckley


É bom ver os filhos crescer. É bom observar serenamente as suas opções, intervindo só o necessário como “Leal Conselheiro”. É bom verificar como os meus filhos não são atraídos para as roupas de marca, as plasticidades do fast food, a pimbalhada ou o histerismo histriónico de determinados gostos musicais, a literatura light , digest e purgante que inunda os escaparates, as cretinices televisivas com que os querem imbecilizar.


É bom ter uma filha M no seu início “bolonhês” linguístico-literário a adorar a Desobediência Civil e o Walden de Thoreau, ou a Poesia de Walt Whitman, passando pela paixão de alguns poetas brasileiros. É bom ter um F secundário primitivo de Humanidades, a escolher como obra de Plano de Leitura em Literatura Portuguesa, o “Pelo Sonho é que Vamos” do Sebastião da Gama, ou no Contrato de Leitura em Português, “O Pouco e o Muito-Crónica Urbana” da Irene Lisboa, ou ser um “Hitchcockiano” sem remissão, ou devorar com o olhar os Pretos e Brancos de Bresson, ou Brassai. É bom ter uma “Trancinhas” que já vai por si só desvendando os caminhos deliciosos da Sophia, da Matilde, da Zulaida do José Fanha, que detesta “desenhos animados estúpidos”, que quando for grande quer ter muitos animais para os tratar.


É bom ter os meus filhos e aprender com eles. Todos os dias. Que me ajudam a limpar o “sarro” rotineiro e a tornar menos inclinado o meu suave declive. Adoro aprender com eles e espiá-los, olhá-los com o olho direito disfarçado de distracção, enquanto o esquerdo perscruta os seus rostos, gostos, sentimentos.


Tarefa espinhosa e difícil a de Pai. Detective privado na verdadeira acepção da palavra! Assim, gosto de lhes surripiar disco comprado, download de nova paixão, artigo de Blitz. É bom ter filhos e aprender com eles e descobrir através deles novas paixões musicais por exemplo.


Conhecia a música e as canções do pai, um enorme músico, uma excelsa e estranha voz, umas canções muito belas e crepusculares do “Goodbye e Hello”, do “Grettings from LA”, ou do “Blue Afternoon”. – Uma overdose matou-o aos 28 anos. Sabia que tinha tido um filho de um primeiro casamento, e tinha ouvido esparsamente uma ou outra canção desse filho, Jeff.


Jeff Buckley, que freudianamente sobe “matar” o pai, para sem o renegar, (por vezes há tanto Tim em Jeff, tanto!) construir o seu caminho, a sua única ,curta e extraordinária carreira. Um dia, um DVD, de Jeff ao vivo em Chicago. Estranhei, estranhamos, depois um, dois, três visionamentos e entranhamos. Estávamos na presença de alguém que era a musica viva em si, um trovador do dentro para fora, um músico da recusa da encenação, do pastiche, da hipocrisia artística.


Cantava de uma forma incrível, quase enrolado na dor; o que canta é Jeff, mas já não é Jeff, é a essência da palavra, da música, cantada muitas vez como um sopro, um cicio, uma súplica, um apego, um último refúgio de uma paz que não tinha; por vezes o grito prolongado, quase inumano, como SOS, como, presença na ausência, como náufrago em ilha deserta. Olhámo-lo e Jeff Buckley não está ali estando. Há um Jeff e a sombra de Jeff. Luta desesperada para um encontrar a outra, mas quando o conseguem, temos o Homem, a realidade de um Homem.


Era jovem, belo, talentoso. Era Ele, Jeff Buckley, demasiada alma para corpo tão franzino, demasiadas esquinas de solidão para avenidas escancaradas de um mundo que amava pela rejeição. Morreu jovem regressando ao matricial elemento líquido, devagar, de mansinho desapareceu misteriosamente nas águas de Wolf River, cantando segundo parece o “Whole Lotta Love”.


Tocou em Clubes quase de bairro, ou pequenas salas, porque a sua música era de transfusão, de intimidade, de como poucos… para muito poucos. Deixou uma voz em murmúrio, em pedido de afago, dolorosamente silabada, ( palavra como refúgio, como salvação?). Tocava e cantava muitas vezes de olhos fechados, como para que a luz interior que o habitava não o consumisse, por vezes gritava versos, como farol de aviso a barco perdido.


Foi-se embora aos 31 anos, mas deixou-nos um legado de canções curto mas precioso, daqueles que só os anjos de asas caídas nos sabem dar. É comovedor ouvir o “seu” Hallelujah,( Já o coloquei num outro post) ou esse hino que é Grace, ou o Last Goodbye, So Real, Mojo Pin ou Dream Brother. Percebe-se de que massa é moldada um verdadeiro cantor, sem espectáculo, sem montagem, sem fait-divers, na crueza de uma música, de uma letra, de uma voz.


É bom ter filhos que sabem gastar 20 Euros do seu dinheiro “porquinho mealheiro”, na caixa com 2 DVD e um CD, “Jeff Buckley Grace, Around The World”, e saberem o que querem, e não irem na moda do “ir com todos”. É bom ter filhos e aprender com eles a gostar de Jeff Buckley, a coloca-lo num jardim de anjos de asas caídas, que guardamos com desvelo nesta tribo: o jardim de Nick Drake, Laura Nyro, Judee Sill, Cobain, ou Janis Joplin entre outros. É bom ser pai, e com eles fora de casa, surripiar a caixa de Jeff Buckley e deixar-me comover por este génio e eles se calhar sem saber, habituados que estão às carradas do meu Bach, do meu Schubert, do meu Tallis, do meus Webster, Tatum , Parker, ou Coltrane, ou da minha Barbara, Dalida, Delerme, ou Tenco.


Num dos DVD, Jeff afirma” A minha voz é a minha essência…não podes mentir perante o público”, ou…” eu não finjo, sou o que sou” .Assim, adoro Jeff Buckley, porque como canta , é “So Real”!


Escrito de “rajada” para os meus filhos, É TÂO BOM TÊ-LOS e VÊ-LOS CRESCER!Mesmo para a “Trancinhas”, que do alto dos seus 8 anitos, já vai trauteando o Hallelujah e que de certeza não demorará muito, me vai chatear com um “ Pai, não me arranjas um “pin” do Jeff Buckley” para a minha mochila? “.