segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Não Há Rapazes Maus...



“ Resolveu-se em sessão plenária que no dia seguinte saíssemos a semear. Enquanto o fazemos nas igrejas, afirmamos publicamente a Pobreza Altíssima do Evangelho, denunciamos o deus - milhão e negamos o valor dos seus inúmeros e desorientados adoradores. Sem prestígio, sem política; fracos e ignorantes – nunca se viu tanta audácia na mão de homens assim!
Padre Américo

Pois! Grande Revolucionário Pacífico. Tão verdade no sistema salazarento, como nesta mascarada de democracia.

Pai Américo, também deixaste escrito que: “não existem maus rapazes” . Pois não! Enquanto o são, porque alguns demasiado rápido passam a “boys” do poder, enquanto outros de tetina leitosa, esperam a sua mamada no biberão de oportunidade. Tudo bons rapazes! E arrotam todos, mesmo sem palmadinhas nas costas, enquanto não raras vezes, pobres amas-secas, apanhamos com o vómito.

Podia ser como Guerra Junqueiro “ Ó Cristo vem cá abaixo, ver isto! “ mas prefiro: “ Pai não lhes perdoes, porque eles sabem o que fazem”

Dois Grandes "Revolucionários Pacíficos"

















domingo, 27 de janeiro de 2008

Monstros

Surgiu de uma belíssima poesia de Dámaso Alonso postada no blogue Terrear( O JMA volta, vai voltar certamente, porque das vozes mais informativas, lúcidas, calmas e humildes, por isso lutadoras, na blogosfera docente, ao contrário de tantas outras de efeito inverso e perverso). Ora, DA é dos meus poetas espanhóis preferidos. Por isso este outro poema, duríssimo, sofrido, mas actual de uma actualidade quase intemporal.
Sem destinatário? Talvez, porque o poder que nos vai sufocando não se reverá nele, mas também o mesmo, para determinado contra - poder, que à força de o berrar de o ser, vai mostrando que o quer ser, seja em pezinhos de lã, seja em bicos de pés, seja na incontinência verbal. Na História, os “monstros” nunca estiveram só de um lado, nunca!

MONSTROS

Todos os dias rezo esta oração
ao levantar-me:

Oh Deus,
não me atormentes mais.
Diz-me o que significam
estes espantos que me rodeiam.
Cercado estou de monstros
que mudamente me fazem perguntas,
tal como eu os interrogo.
Que talvez te perguntem,
tal como eu perturbo inutilmente
o silêncio da tua impassível noite
com a minha desagarradora interrogação.
Sob a penumbra das estrelas
e sob a terrível treva da luz solar,
espreitam-me olhos inimigos, formas grotescas me vigiam,
cores que ferem estendem-me seus laços:
são monstros,
estou cercado de monstros!

Não me devoram.
Devoram o meu ansiado repouso,
fazem-me ser uma angústia que se aumenta a si própria,
fazem-me homem,
monstro entre monstros.

Não, nenhum tão terrível
como este Dámaso frenético,
como esta centopeia amarela que a ti clama com todos os seus tentáculos enlouquecidos,
como esta besta imediata,
derramada numa angústia fluente;
não nenhum tão monstruoso
como esta alimária que brama para ti,
como esta desgarrada incógnita
que agora te increpa com gemidos articulados, que agora te diz:
«Oh Deus,
não me atormentes mais,
diz-me o que significam
e estes monstros que me rodeiam,
E este espanto íntimo que para ti geme na noite”
Dámaso Alonso

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Um Livro fabuloso...


Calculo que muitos colegas têm o livro apresentado na gravura, ou pelo menos conhecem-no, como tal, este post poderá não ser para eles, ou pelo menos contribuirá para ajudar a reviver a oportunidade de nos confrontar com algumas verdades inconvenientes. Se não conhecem este livro, ele não é para comprar amanhã, mas sim ontem!
É um livro formidável, belíssimo na realização fotográfica, com textos de uma clarividência e simplicidade notável, ao mesmo tempo um manancial – memória da História da Educação em Portugal, como poucos. O CD que o acompanha é um tesouro para aqueles que estudam ou esperam vir a estudar esta temática da História da Educação.
Partilhando da opinião do Professor Nóvoa, que é preciso recusar, não posso ao reler este livro deixar de ficar com um travo amargo no pensamento: será mesmo uma fatalidade, uma marca genética este atraso endémico educativo em Portugal? A inconsequência de lutas, de miríades de realizações que não conseguem mobilizar, inverter, propulsionar para um futuro educativo melhor?
O António Nóvoa é assim mesmo, profundidade na simplicidade de escrita, e acima de tudo, um poder de análise e de interrogação sobre a realidade educativa como poucos.
Os textos introdutórios e finais que escreveu para este livro , são hoje tão actuais como o foram quando saiu a 2º edição que eu possuo de 2005. Na entrada “Este livro” , escreve com uma acutilância sem mácula “ (…) À medida que as páginas avançam, o leitor deparar-se-á, provavelmente, com um sentimento de estranha familiaridade. Como se estivéssemos sempre a discutir as mesmas matérias, e sempre da mesma maneira. Como se, no campo da educação, não houvesse a possibilidade de acumular conhecimento, de nos apropriarmos da experiência histórica e de sobre ela praticarmos um exercício de lucidez. Estranha familiaridade de uma litania discursiva, pedagógica e política, que não soube substituir o alarido e a crença, a crença e o alarido, pela lenta serenidade das realizações” , para na entrada “textos” culminar com este belo extracto “ (…) A partir de certa altura tudo depende da tolerância de cada um é natural que se experimente um sentimento de desconforto e até de alguma frustração. Há uma redundáncia, irritante na forma comoo se fala da educação. Parece que está sempre tudo na mesma. E que Portugal nao consegue, por mais esforços que faça, por mais reformas que anuncie, sair do lugar onde sempre esteve, pelo menos desde os primórdios de Oitocentos a Cauda da Europa. Curiosa metáfora, esta, que as transformámos numa “realidade sem memória”.
Mas Nóvoa quer recusa esta ideia de quase fatalismo que vinha do século XIX, e como Antero, é adepto do rompimento com o passado, não o do esquecimento, da negação ou omissão, mas a sim a recusa, suportada no conhecimento, no estudo, na investigação e compreensão.
Na entrada “Evidentemente”, que dá título ao livro, António Nóvoa vai mais longe e impiedosamente zurze a eito em ideias feitas, em certezas adquiridas, nas incongruências daqueles com mais ou menos responsabilidades, são os causadores de um equívoco, o de que a educação trará uma Revolução . Vejamos : “ Tudo são evidências nos textos e nos debates, nas políticas e nas reformas educativas. Ninguém tem dúvidas. Todos têm certezas. Definitivas. Evidências do senso comum. Falsas evidências. Continuamente desmentidas. Continuamente repetidas.
Crenças. Doutrinas. Visões. Dogmas. Tudo misturado numa amálgama de ilusões. É evidente que só pela educação se conseguirá a regeneração, e o progresso, e a modernização, e a industrialização, e o desenvolvimento do país. Evidentemente.”
Informa que o seu trabalho termina em 1974, mas reafirma a ideia que poderia continuar, porque “ (…)Quando se trata de educação, nenhum político tem dúvidas, nenhum comentador se engana, nenhum português hesita. Palavras gastas. Inúteis. Banalidades. Mentiras. O que é evidente, mente. Evidentemente.”.
Poder-se-ia continuar, mas saltando para um 4º andamento e final do livro, sobre o atraso educacional, na transição do século XX para o Século XXI, coloca uma jóia fabulosa no cima do coroa, ao escrever certeiro e directo desta forma “(…) O século XX acaba como começou, com um forte sentimento de "atraso" em relação à Europa. Estudos, diagnósticos e manifestos indignam-se com o estado da escola e recla­mam medidas urgentes. É preciso pôr ordem na escola. É preciso pôr a escola na ordem. Anuncia-se uma nova "batalha da educação':Como há um século, pela voz de José Simões Dias, não faltam razões para "supor que pior que o dia de hoje e o de ontem, será o de ama­nhã':
Que indicadores provocam tamanha agitação? São inúmeros os dados que, diaria­mente, nos inquietam. Para uns, o mais grave são as situações de indisciplina e de violên­cia, a falta de um mínimo de padrões morais e de regras de comportamento. Para outros, o drama é a ignorância dos alunos, a sua péssima cultura geral, a fraquíssima formação escolar em áreas vitais como a língua portuguesa ou a matemática. Para alguns, é incom­preensível a pobreza dos programas em domínios essenciais para a sociedade do conheci­mento, como as novas tecnologias ou a aprendizagem de línguas estrangeiras. Para outros ainda, a nossa escola não fomenta a criatividade, o espírito de iniciativa e o empreende­dorismo tão necessários nesta era da globalização.
A lista poderia continuar, pela ausência de educação científica ou de cultura históri­ca, pela escassez da formação profissional ou da aprendizagem ao longo da vida...Todavia, é possível identificar dois conjuntos de indicadores que surgem sempre para ilustrar o nosso atraso educacional. O primeiro conjunto, mais estrutural e quantitativo, diz respeito às estatísticas da União Europeia: qualificações escolares da população, níveis de insucesso e de abandono escolar, etc. O segundo conjunto, mais pedagógico e qualitativo, remete para os estudos internacionais, conduzidos primeiro pelo IEA e depois pela OCDE, que assi­nalam os maus resultados dos alunos portugueses em disciplinas como a língua materna, as ciências ou a matemática.
No final do século XX, o país parece tão confuso, e perturbado, como no final do sécu­lo XIX. A sociedade portuguesa está ciente do caminho percorrido nos últimos trinta anos, mas os indicadores explicam que é cada vez maior a distância que nos separa dos restan­tes países europeus."A realidade impõe-se ao sonho, ao ideal, mas não passa ao querer”, avi­sava Agostinho de Campos, em 1933. E, contrariamente ao que aconteceu nos anteriores "andamentos do atraso educacional"– com a Regeneração (há 150 anos), com a República (há 100 anos), com a industrialização (há 50 anos) – não se vislumbra nenhuma ideia que nos possa mobilizar (ou, pelo menos,"distrair").
A não ser que se invente um impulso elãn reformador. Mas sobre isso, já Agostinho de Campos escreveu palavras definitivas: "De quando em quando, ouve-se dizer por aí, muito a sério e em tom de profundo convencimento: Precisamos de uma reforma geral do ensino... Melhor seria dizer, logo de uma vez: Faz-nos falta um milagre de Nossa Senhora de Fátima”.
É que o milagre demora e se calhar por falta de pilhas , continuará a demorar!

Afinal o Que Fazer? II

Ainda de poderes de cúpula, ou órgãos de influência, reparem os caríssimos colegas, no majestático silêncio ensurdecedor do Conselho Nacional de Educação, porquê? Membros de grande sapiência, de grandes valores éticos e morais, acredito, mas, colegas, confessem lá: quantos nomes conhecem daquela lista quase telefónica? O que vos dizem determinados nomes? Estão a ponderar com a sisudez e reflexão que o momento aconselha, dir-me-ão alguns, pois mas o tempo não vai parando na inflexibilidade ministerial, esperando doutos pareceres.

E a responsabilidade do Conselho de Escolas? Quantas posições, agora e em força foram tomadas sobre estes assuntos? Muitas? Poucas? Ou Assim-Assim?

E mesmo os Conselhos Municipais de Educação, não têm palavra nenhuma a dizer? Às escondidinhas de olhos fechadinhos nas árvores?

Os Conselhos Executivos, quantos se demitiram ou o ameaçaram, ou pelo menos se reuniram por zona, numa solidariedade institucional, para uma tomada de posição de ter mais força conjunta do que o isolado, que não seria mais que suicídio. Para que servem os Teles, os sms, os mails, etc. etc. para comunicar sem comunicar, para isolar quando era preciso unir ? Mas não…outro silêncio, outros silêncios, muitas vezes sem coragem, apenas e só a do “encosto”, a do regaço quente do CP.

E nós, na minha opinião, poucos, nos blogues, nos encontros, nas berrarias, nos desabafos inconsequentes, de sala de professores, de cafés matinais ou outros, a julgar que sim, que vamos conseguir mobilizar, criar a tal onda, a tal insurreição generalizada, quando sabemos que não, e quando vier a ordem inapelável, directa ou pressionada telefonicamente sobre os CE, “faça-se!”, então iremos fazê-lo a espumar pela boca e chamaremos todos os nomes do universo aos ditos e teremos apoplexias e…tudo se consumará! Agora sejam honestos, quem será o colega martirizado, aquele que dirá não faço, se for cooptado para o fazer? Talvez aquele que sabe que o CE por tibieza o substituirá por outro colega, ou que tenha fontes de rendimento, ou seja empresário. Depois quero ver alguns generais, ou os porta - estandarte, quero ver quem são os Duarte de Almeida, “decepadinhos” de Toro! Deixemo-nos de tretas, se fazem o favor!

E quando for dada a ordem de parada: quatro Departamentos, os Conselhos Executivos vão fazer o quê? Criar mais um? Dormimos na forma? Não sabemos o que se pretende com a magia do embriagado quatro ? De uma ilegalidade jurídica gritante, achamos nós, mas acharão os conselheiros jurídicos do Sr. Presidente da República? Os tribunais, a que necessariamente se calhar até ninguém irá recorrer, pronunciar-se-ão a favor dos docentes? E que seja assim, com que rapidez, com que punição para o Estado? Não sabem já que uma portariazita, ou um despachozito, virá dar a volta ao texto, e por linhas travessas os quatro Departamentos? Irra é não ter memória!

E já agora, mesmo que consigamos a pequena vitória de Pirro, do adiamento, de alguns meses de todo o processo da avaliação de desempenho? Mais cuidadosos, mais livres, para reflectir onde deve ser o espaço de reflexão por excelência, a nossa escola, e da parca autonomia que temos, construir os nossos instrumentos de avaliação, sobre os despojos da grelharia que nos querem impor, ou vamos passando de mão-em-mão, ” lencinho àvoar” para ficar tudo igual, sem atender a especificidades, a mundos docentes, a climas de escola, para assim traçarmos o caminho onde nos vamos estatelar? Ou…pôr toda a gente a trabalhar em grupo, inclusive titulares que em algumas escolas, dedicam-se o negócio de velas de estearina, vulgo cera, que tiveram título de alguma passadeira , ou, o costume … 5, 10 desgraçados, entre eles os Coordenadores (alguns?) e depois se verá ! Corre mal, culpa desses imbecis, cobardes, energúmenos que fizeram estas grelhas, que actualizaram mal o RI e o PE, e por aí fora? Que digam o que disserem, mas à minha frente, Titular e Coordenador, na escola onde trabalho que não o façam, se fizerem especial favor, porque vou ficar mesmo chateado!

E mais… para quê mentirmos a nós próprios, ou pelos menos mistificarmos uma realidade mais que real, palpável, conhecida: se muitas escolas como a minha ainda esperam o “toque de caixa” da grelharia, da Comissão, etc,etc, se calhar muitas já têm tudo, ou quase tudo feito, principalmente os descritores de avaliação, não se iludam, caros colegas! Claro que o silêncio é de ouro e conta-se o que se quer, mas as conversas com colegas de várias escolas, não deixam lugar a dúvidas! Eu vou ali e já venho, até eles começarem a emailar de zip para zip! Ou talvez não, que a concorrência está na ordem do dia, e a selvajaria neo-liberal tem o seu peso! Eu dispenso! Passo!

E já agora um cenário possível: O ministério, num elan extraordinário que nem recorde mundial de Bubka, vai até ao fim desta semana, e princípios da próxima deitar cá para fora a torrente que faltava: Comissão, Grelhas e Complementares! Depois dá os dias de “atraso” e obriga-nos a trabalhar na célebre interrupção de serviço! Ou, em passo de corrida frente-marche no inicio do 3º Ah! Outro assunto que um futuro Ministério nos irá propor: “que tal ficarem sem Natal e Páscoa?” . Se estão aterrorizados, eu não, porque vou sabendo o País que vou sobrevivendo e os que dele politicamente se vão servindo. Mas vou-me calar, não vá alguém do ME ler este berloque e ficar com ideias, sem me pagar direitos de autor!

Assim: desesperançado? Nem por isso! Esta Reforma (re..quê) já o afirmei, está desde já perdida, por “parida” a fórceps! Vai sair problema pela certa, e resta-nos cerrar os dentes sem os partir, ou desgastar o esmalte, ou quando muito beliscarmo-nos até à nódoa negra para acreditar que isto é verdade! Mas é !

E pouco podemos fazer, vamos engolir a raiva, o azedume, uns, no desespero, no desinvestimento, na depressão, outros, e eu serei de certeza um deles, nas únicas saídas possíveis, e elas nunca mas nunca serão de berloques, ou de escritas mais ou menos elaboradas, mas sim um retraimento de mim, Expansão para Eles, a razão, não única, mas primogénita do meu ser Professor, um investimento cada vez mais activo na sala de aula, na relação pedagógica, na didáctica (pronto, alguns acharão isto trelharouco, mas também tenho direito a um bocadinho do bolo, ou não?) e não menos importante, na célula mais chegada, a minha escola, sobretudo os meus camaradas de Departamento, os Coordenadores que partilhem do sonho comum, nem que seja o de não quererem ficar descoordenados, na partilha de experiências, de materiais, de ideias, de humildades de não saber , que é sempre uma forma de saber, na solidariedade institucional e afectiva, no respeito, mais do que hierárquico, mútuo e útil. Pode haver outras ideias, esta é a minha! Não vai mudar nada, dirão, pois não, mas vai-me ajudando á minha procura constante de felicidade, o que não é barato, nem fácil, nem sequer dá milhões.

Afinal O Que Fazer I ?


Sejamos claros: em tudo isto há um “timing político” bem marcado, uma vontade inequívoca de criar bibliotecas de legislação, de pôr com mais ou menos eficácia a funcionar um edifício educativo, mesmo que não funcione, para parecer que sim e apresentar-se no dito fatídico dia com obra feita, com montes de realizações. A multiplicação dos pães e dos peixes, foi no tempo de Cristo, e este governo não anda propriamente mãos largas, sim mais avaro, quase diminuição dos mesmos. Portanto um objectivo claro, em 2009, uma cruzinha num papelinho, encestado com mais ou menos perícia num “caixotim “, que há quem lhe chame urna de voto, principalmente para adeptos fervorosos, ou classe média desmemoriada, ou deverei dizer…desmiolada?


O poder não é burro, faz-se, para burros acreditarmos nele. Nem é preciso ter andado na vida política, nem tirar curso especial, para entender esta imperícia, para uns perícia, dos partidos no poder, marcaram calendário com realizações mais ou menos apressados, ou mesmo obras -pastelão, para literalmente esbugalhar olhos de Zé -Povo, que tristemente nem é o do Bordalo, nem sequer manguito sabe fazer.

É uma triste sina da democracia portuguesa, que alguns comentadores ou não, à força de nos quererem fazer acreditar no esfarrapado discurso da normalidade, da confiança, quase nos levam ao normal e confiante encolhimento dos ombros “é sempre assim” ! E ganham-se eleições muitas vezes por ser sempre assim. É minha convicção que o ataque ao grupo profissional dos Professores, é-o, não o sendo, ou seja, não existe uma intenção directa, conspirativa, de gabinete contra a classe docente nestes disparates legislativos, antes uma submissão de vontades, um vai tudo para o mesmo tacho, um desejo de transformar os docentes em matéria de refogado, para cozinhado de cozinha “Michelin”. As estrelas virão depois.

Assim, nós Professores, a fritar em lume brando, que bom refogado assim se faz. Saltitamos estaladiços, com vontade de sermos outra coisa, menos matéria de cozinhado, todavia, ou por manifesta falta de sorte no salteado, ou porque outras cebolinhas adoram ser alouradas, ou mesmo porque nem fazer chorar o cozinheiro sabemos, olhamos da sertã com desespero, e nem tempo temos de um salpico: estamos fritos.
Assim estamos! Estaremos? Não sei. Da minha confusão de o estar, algumas dúvidas e muitas poucas certezas, e não menos questões, embora diferentes daquelas que geralmente se têm, ou porque não se leu, ou não se quer entender o que se leu.

Questão A – Amanhã, tal como centenas de escolas, (será mesmo?) o meu Conselho Pedagógico vai aprovar um documento durinho, e certamente por unanimidade contra o estado actual das coisas, relativamente à avaliação de desempenho e mesmo contra a proposta do novo regime jurídico da gestão escolar. Pronto, vamos ser sensatos, sensíveis e firmes, todavia fica sempre a mesma questão no ar: cumprimos o nosso dever, mostramos a nossa indignação, revelamos que não andamos distraídos … todavia o nosso sentido de aprovação representa o quê e quem? Quantos docentes verdadeiramente se reverão no que aprovado for? A voz do Conselho Pedagógico neste caso, não é a voz de centenas de Professores de uma escola, ou pelo que me atrevo, nem sequer da maioria.

Nota-se indignação? Pois nota, se calhar na mesma proporção da indiferença, do laxismo, do logo se verá, de ainda nem sequer se saber o que se está bem a tratar, porque não leitura, ou reflexão de qualquer espécie. Atrever-me-ia mesmo a afirmar que uns outros tantos, pelo silêncio, ou pela atitude, mostram até alguma simpatia pelas medidas governamentais e até empatia com a actual equipa ministerial da educação. Vário tipos de afeições, ou falta delas. Impossível mesurar apoios, amores ou desamores, quem marca mais ou menos pontos, porque nesta “luta”, não cabe conversa de sala de Professores, ou café matinal, lamento. Há quem consiga à vista desarmada eu não!

B- Mais um papel de desagravo, de protesto, de indignação, mas para quê? Para nos sentirmos justificados, para a nossa catarse mais ou menos colectiva, para aligeirar a nosso incómodo, a raiva, para dizermos que sim à nossa “dignitate” ? Tudo bem! Mas…não sejamos ingénuos, nem os papéis serão avalanche, nem chegarão a destino tutelar sonhado! Por vezes fico abismado com o desconhecimento da parte da classe docente, dos meandros kafkianos do poder instituído. Lixo, trituradora automática, antes do destino, antes de Srª ou Vº Excª lhe deitarem olho. Então atarefados como estão, iriam lá ler indignações. Estrebuchamos com “panache”, com espinha direita, mas do lado de lá receberemos o sorriso seco e pardo do desprezo, da indiferença. Por muito que me custe admiti-lo, o longo da minha vida docente, assinei dezenas e dezenas de petições, desagravos, e quase totalmente eficácia zero! Mas, nem por isso, deixo de o fazer, apesar de gostar cada vez menos de cadeias.

C- Afinal, o poder educativo pode abanar pelas bases? Só numa revolução! Aqui, e agora acredito que ele poderia abanar pelas cúpulas, e nem preciso era das do tamanho de S. Pedro.
Ironia das ironias, tem sido da IGE e do seu alto responsável, as atitudes-palavras que na minha opinião mais peso têm tido nas orelhas moucas do ME. E dúvidas não tenho que se houver um recuo, na posição ministerial, será o peso institucional deste órgão, ou outros, que fará a diferença! Lamento irritar os meus poucos leitores, mas os Professores actualmente têm pouco poder, e cada vez terá menos, arriscar-me-ia a dizer nenhuns, seja com que governo for do bloco central que nos vai (dês) governando. Mais uma vez faz bem acreditar que sim, que seremos sempre uma força intransponível, quase muralha de aço, mas não somos. Apenas e só funcionários obedientes e cansados, quando muito, irritados de vez em quando, só para mostramos que existimos como classe!


- Nem penses, és parvo, é anticonstitucional, lá estás tu a ser pessimista, isso iria ter um peso político terrível! Nem parvo, nem pessimista, nem peso político, quando afirmei dezenas e dezenas de vezes a colegas vai para anos, que nos iria ser sonegado o direito à greve nas avaliações e exames. E foi-o! E…ninguém se martirizou, pudera. Como não tenho dúvidas, e só um ingénuo, ou candidato a político de carreira é que pode não acreditar que nos três, quatro anos próximos, num drama terrível, milhares e milhares de professores serão literalmente postos na rua, mandados para os quadros de supernumerários, seja com que governo de cor centralista for! Aliás a sangria que aí se vai aproximar com o fim das de EA, FC, ou AP, vai colocar muitos Professores, onde?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Bobby FISCHER...Morreu um génio

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Aquietou-se de vez uma das almas mais belamente inquietas da história do xadrez.

Morreu esse extraordinário campeão, esse fabuloso mágico das 64 casas do tabuleiro. Desapareceu, embora algo do xadrez, de um certo xadrez tenha morrido com ele em 72. Agora só a memória e as suas jóias - partidas de brilho refulgente, de cristalinidade pura, de quase poesia escaquística.

De momento nada mais interessa, nem histórias castiças, nem pormenores mais ou menos sórdidos. Apenas e só um lutador de fibra, um polémico de génio, e sobretudo um amor ao xadrez como poucos, dos tais, que de tanto amar se afastou da coisa amada. E se ainda não chegasse, esse legado imortal das suas partidas enquanto existir xadrez.

Aqui na minha frente um monte de livros de e sobre Bobby. Folhei-os, viro páginas como suave brisa levanta folha morta e, instintivamente, memórias de adolescente e jovem são penetradas por essas páginas. Da impossibilidade de algum dia alguém jogar xadrez assim, da beleza intensa, da estética artística dessa grande arte que é mover umas peças esquisitas nas 64 casas claro - escuras de um tabuleiro.

Pego no meu melhor tabuleiro, vou buscar as minhas melhores peças staunton e ao som de um Requiem, que pode ser umas “Lachrime” , reproduzo algumas dessas jóias, quase diademas em cabeça de rainha, e viajo de Brooklin a Reykjavik, acompanho menino encantado esse percurso, esse movimento perpétuo de bispos, cavalos , torres peões, reis e damas.

Aquietou-se uma das almas mais geniais das 64 casas. Estou comovido a leste de mim, como sempre fico quando parte um génio. Profundamente triste, quase como “chuva de limão na minha alma”.

No entanto…alguém ficou satisfeito! Quêm? Quem poderia ser?! Mikhail Tal, que na 5ª Feira recebeu Bobby no céu de Caissa com aquele largo sorriso : Estava a ver que nunca mais chegavas, Bobby?!” “ Um bocadinho farto de jogar com o Petrosian, o Bota, deves concordar?! Bobby baixou os olhos com timidez, Tal riu, e num momento ambos recordaram essa imagem linda de Zagreb 59. Depois…depois foi apanhar o primeiro tabuleiro que lhes caiu nas mãos e toca a jogar o match para sempre inacabado!

Para quem nunca ouviu falar de Ti, este pequeno vídeo da minha autoria.

Que descanses em Paz, Bobby.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Apenas Até a voz arranhar!


Assim sem mais uma promessa a Ti mesmo: Hoje, 17 de Janeiro de 2008, um travão a um certo estilo, a uma certa forma de estar na bloguice nacional. Estavas a ficar entusiasmado, velho tonto e caduco , que de alérgico quase passaste a consumidor “viágrico” de blogues, principalmente de Educação. Apenas três pílulas de rejuvenescimento blogosférico nos teus favoritos “ Espaço Llansol”, “Legente” e “Escrito a Lápis”, e, resolves quase tomar o frasco todo, quase uma intoxicação que nem lavagem estomacal te safaria? Estás doido? O peso de cada perna a pesar-te por três? Ai! Ai, Existente Instante, o teu problema de infância com a matemática! Bem escreves que é “suave declínio”, mas assim esborrachas-te ladeira abaixo, que nem carro de rolamentos que tu amaste em menino de Ti.

Os teus cabelos brancos a assomar, a pedirem-te tento na cabecinha, na língua, na prosa, e tu, nada, uma penteadela, um “Restaurador Olex” e aí vamos nós, à peleja, ao ardor da luta, ao urro colectivo, à muralha da maralha! Que sonhas tu, ingénuo? Uma reunião geral de docentes à escala nacional? Nem estádio teria para isso! Sim, uma reunião daquelas com verborreia a rodos, com “mocada” à mistura, com espinhas cravadas na garganta de alguém, ou disposição a vender o órgão” do povo ? Saudosista que tu és ! Já não és liceal e mesmo quando o foste, chegavas ao local da refrega e uma miúda mais gira, ou de pernoca mais roliça, tirava-te o ímpeto revolucionário, e o olhar aoc, passava para uma espécie de “Ai Ó Cachopa!” , que nesse tempo ainda não havia as “chavalas”, as “garinas”, as “esculturas” , as “gatonas”, quando muito havia “gajas”, termo que sempre odiaste! Agora querias o quê? Cheio de varizes, mazelas da vida, querias o quê? Olhar para as tuas colegas docentes ? Seduzir com estilo de barba por fazer à Guevara, óculos de dioptrias avançadas para ver agora roliças a dobrar? Sonhares com beijos à Bogart em alguma colega mais Bergmaniana ? Velho louco sonhador! Nem tu te assemelhas a um , nem as tuas colegas à outra. Se ficasses por Groucho, e pedisses estilo Anna Magnani, ainda se poderia arranjar romance, agora assim? Mas também que queres? Não te chega uma? Ai a interculturalidade a subir-te à cabeça! Armado em califa rico agora com harém e tudo? Pronto, pronto, já sei que vais ficar irritado mas fica-te com o estilo trágico-cómico do “ quando for grande quero ser Zézé Camarinha” !

Pois é meu “geada” , meu “cota”, ainda não existem ginásios de “tagarelice”, de ímpetos verbais, de musculação labial, embora a blogosfera crie “homenszarrões” e “ Mulheronas” como dizia a tua santa Mãe! Bíceps fabulosos de eloquência, de sapiência, de oratória, que admiras, apesar de aí para baixo serem mais do estilo “perninha de grilo, coxa de barata”. E…meu velho desmemoriado, já não te lembras da carta de apresentação aqui, quando de peito feito, de camisa desfraldada e de calça remendada no cu, escreveste sobre os blogues “Uns, muitos, penosamente "light", charoposos, cor-de-rosa, outros, não poucos, verborreia intelectual pura, drástica e dramaticamente elípticos, temáticos por estreiteza conceptual, ou exercícios monódicos de pedantismo cultural em alto grau”. Pronto, já sei, queres acrescentar outros, do estilo “vai lá, estou contigo”, “ bjnho”, do “ do “beijocas” vow”, das ti…i….i…as, daqueles que não há nada a comentar a não ser nada acrescentar “estilo dominó” de indigência cultural, aqueles do estilo…. Pronto eu paro! Não te vá dar o “chilique” a “ faniqueira” à moda da tua Sé!

Mas tu o disseste, tu o quiseste! Querias ver, querias mais uma vez, tentar perceber através de blogues docentes, o teu grupo profissional, mergulhar na essência daquilo que se diz uma classe, de te embrenhares nesse bosque pouco frondoso da blogosfera docente para daí deixar amadurecer frutos do teu contentamento, da tua inacabada construção profissional e acabaste por ver ! Eu sabia ao que ias, mas sempre precisaste do “seguro” , de seres Tomé e gostares de meteres dedos em chagas alheias e agora, amargas! Pronto, não te lamentes, eu sei que foram dezenas e dezenas de blogues consultados, de ligação em ligação como peregrino a Meca, de cansaço ocular e do outro, de milhares de “posts” lidos , de percepções, de sensações, de raivas e algumas, poucas, emoções. Mas que esperavas? Não é tua a frase que na classe docente “há de tudo como na farmácia” ? Eu sei, querias mais “óleo amaciador” e menos pastilhas para a azia, mas que se há-de fazer? Já não pressentias isso? Não afirmavas que muitos dos teus colegas roncam mais de estômago do que praticam a “sedosidade” da acção?

Sim, tu gostas de fazer festas à vida, afagá-la, passar-lhe essa mão pequena pelo erotismo da mesma, mas outros gostam de a esgadanhar, de partir pedra, cabeça e alma nas esquinas, que queres ? Não se pode ter tudo, embora se possa ter uma qualquer caixinha de anti , ou ansio, qualquer coisa, que tu vais vendo, mais ou menos abertas à sorrelfa, principalmente pelas colegas, com a desculpa muitas vezes das agruras profissão, do não reconhecimento político do ser professor, o que não deixando de ser verdade, esconde as outras: desinvestimentos profundos nas suas corporalidades de mulheres, fracturas narcísicas irrecuperáveis, papéis assumidos, nunca sonhados, de “modernas escravas “ do lar, com companheiros de um machismo inenarrável, ou solidões rugosas e dolorosas de desinvestimentos afectivos.

Mas a profissão, esta maravilhosa profissão tem as costas largas, demasiado largas, paga tudo, quando tem tanto para dar, quando se apresenta com a força tonificante da vida, quando permite a transfusão a força da vida em crescimento, na outra, a nossa que aos poucos se quer afastar! Temos medo da ternura, de libertarmos as grilhetas que nos prendem à infelicidade, a esta vidinha que vai passando por nós, quando o inverso nos permitira segurá-la um pouco. Assim, mais fácil, arranjar bode expiatório, para a ternura que sentimos partir, a falta de paciência que nos vai faltando, o azedume, a bílis, o fel, o sonho esfrangalhado que não sabendo de onde vem, e na falta de melhor porto de ancoradouro, aporta em frases secas, no insulto barato, no riso histriónico, na “fofoca”, na maledicência, quando não raro no ódio, na inveja, no ataque sistemático a tudo e todos, no grupinho, nas visões de perseguição de colegas, do vizinho, da GNR, ou mesmo na arrogância sustentada em pilares frágeis de coisa nenhuma, sendo essa coisa nenhuma, a ignorância. Quem vem de fora , em vez de rachar lenha, é venerado como um ás da sabedoria, que o colega é colega e o que quer é protagonismo, currículo, escalonar. Odeia-se o poder que subjuga, mas… veste-se a melhor gravata, ou saia e casaco protocolar, ou mesmo dentadura branqueada com “corega tabs”, quando o poder nos visita presencialmente.

Sabe-se tudo, opina-se de tudo, mesmo quando pouco se sabe, matam-se iniciativas e ideias, por estreitezas das nossas, quer-se o que não temos, berra-se, vocifera-se para o termos e depois de o conseguirmos, estridula-se, amaldiçoa-se por o termos, porque não o devíamos ter, fica-se de cu alçado a ver a banda passar (desculpa Nara), quando se devia lutar, batemos latas e latadas, quando deveríamos serenar e solidarizar, de orelha a orelha, dizemos mal da gerência, de sermos todos iguais, sentimos esse mal estar a roer-nos as entranhas, mas nada fazemos para mudar, sempre à espera da iluminação, do Pater, do colega que até invejamos, da solução ministerial e ministeriável. “Jiboiamos” , fazemos de conta que está tudo bem, calámo-nos, “corporativizamo-nos”, julgando que isso é bom para a saúde e de repente, acordamos estremunhados, letárgicos, e desatamos numa berraria infinda, desértica, contra medidas de um poder asnático, opulento de nadas, rico de estreitezas políticas e éticas. E baratas tontas, não sabemos o que fazer: Mate-se, esfole-se, coma-se picado de ceboladinha, peticione-se, mostre-se os dentes, não, as garras antes, que eles vão ver com quantos paus se faz uma classe! E muitos põem-se em bicos de pés, tornam-se estandartes, porta bandeiras de uma ilusória e momentânea luta. E até se acha que é uma grande luta, uma enorme luta, que o mal estar , que o que sentimos é extensível a todos, ou a larga maioria, que o que porque lutamos é conhecido de todos e que irmanados do mesmo lá iremos chegar. E os mails, e SMS, elegantes e inteligentes uns, porcos, badalhocos, ordinários, uma boa parte deles, circulam, numa arruada de quase internacionalismo docente. E sentimo-nos aliviados, quase penitenciados, porque assim a classe mexe, porque vamos tendo apoios e batimentos nas costas.

Pois é…mas a realidade não é o que queremos ver à força de o querermos! Não é o vociferar, o berrar alto na sala de Profs, que mostra o descontentamento da classe, ironia das ironias , são muitas vezes pessoas dessas que padecem do imobilismo, do tal código genético da subserviência, as primeiras que dentro de si aprovam medidas que criticam, para não parecer mal e mostrar que sim. São as “ vendedeiras e vendilhões de banca montada” , que fazem muito berreiro, que dizem cobras e lagartos, mas que antes nem uma palha mexeram para mudar a essência da coisa maligna. E são tantos assim, a somar a outros tantos, que se juntam à luta, à berraria, não pela leitura da coisa odiada, não pela reflexão crítica, não pela construção da desconstrução, mas sim porque sim, porque fica bem ir na onda, são os “surfistas” , os bodyborders docentes. Depois há os que não sabem, não querem saber, e têm raiva de quem sabe. Estão simplesmente a ca… para tudo isto ! São do estilo do quando vier, logo se vê, os mal-aventurados docentes, que do céu será o seu reino.

E no meio destes tantos, alguns blogueiros a julgar que sim, que são reconhecidos e lidos, quando a maioria da classe docente não lê blogues, principalmente de docentes. Se calhar, nem sabem o que isso é! Mas continuamos que é o nosso dever, a nossa consciência, porque a onda está em marcha. Depois , alguma desilusão …porque as assinaturas não são lá muitas, os comentários , as ideias, ao nossos posts , aos nossos desassossegares de consciências, muitas vezes lavram como em campo de batatas com um (0) zero, explicamos e explicamos com chinesa paciência a quem tem dúvidas e parece não saber ler e interpretar, apesar de sermos Professores, confortamos quem ansioso está , vamos nos prazos que se vão esgotando, esgotando-nos na procura de algo sonhador : a insurreição geral! Procuramos “mártir” para a causa, mas o mundo anda coxo de mártires docentes, tendo-os aos milhões noutras áreas, fazemos da ministra e secretários de estado, “punch-ball” catártico, damos-lhes porrada, golpes baixos, gritamos os nossos "Kiai", porque não os podemos gritar e dar porrada a uma identidade estado a um sistema político cada vez mais democraticamente autoritário, que nos vai atando de pés e mãos e tentando silenciar o verbo e consciências, esperamos atitudes solidárias de quem nos representa acima, colateral ou celestialmente, mas talvez porque os reverenciamos em demasia, porque os homens hoje são pouco “Sámirandescos” de um só rosto e fé , ou porque cargo, título, comenda , emolumento, ou cu quente, dá saúde e faz crescer, rangemos os dentes e certamente não “fenecerão aves “ como diria o poeta.

Já chega? Ou queres que continue? Pronto já sei, Existente Instante, desilusão com os blogues! Muitos de títulos espúrios, infantis, rancorosos, assépticos, chamarizes, rosinhas e azuis celestes, redondos - elípticos até dizer chega ( cala-te o que o teu é dessa cor), quase ampliação virtual de muitas salas de Profs que detestas.

Depois, depois, levamos com a “barra de ferro” e ó inclemência, ó divina providência, tudo acalma! Como neve carbónica em brandas chamas! Ficam os restolhos queimados, prontos para crescimento, à espera de nova chuvada! O que fazemos? Adaptamo-nos, transformamos a realidade que temos no menos doloroso de uma forma inteligente ou ardilosa, passando papelinhos, dando de comer a quem tem fome, fazendo igual ou quase igual. Mestria pura, alquimia da melhor que se pode imaginar, consultório de Professor Bambo docente. E depois tudo na mesma.

E não é isso que se pretende? Talvez! Mas o que o “cabrão” do poder não entende é que assim está-se a perder uma oportunidade de ouro, no crescimento docente! Que poderia exigir e ceifar numa classe e a eito, desde que lhe desse autonomia, que não desconfiasse, que não passasse a mensagem idiota que por duas competências, existem duzentas com prefixo in, que lhes desse tempo, que não regulasse, mas que permitisse o estabelecimento da auto-regulação, que formasse para a exigência da profissionalidade, que criasse as condições para o crescimento dos profissionais da educação, para depois sem parcimónias perguntar aos cómodos, aos incompetentes, aos desapaixonados: “como é meus senhores, ficam ou vão dar uma volta ao bilhar grande?”. Assim não, uma autêntica bosta o que aí vem, pelas sinergias que não vai criar, pelo desejo da mudança de práticas e mentalidade que não favorecerá, pela desconfiança que gerará, e sobretudo pela acomodação que se vai institucionalizar, depois deste pequeno vendaval. Mais uma espécie de Reforma Parida, mais uma oportunidade perdida. Mas…se calhar foi sempre assim, e quem conhece um bocadinho da História da Educação em Portugal, sabe isso.

Já acabei. Vês como te conheço! O quê? Umas perguntas? Sabes as páginas que esta remelenta postagem tem? Okay! Não tens dúvidas? Ah! Sobre isso! Eu também não tenho! Evidente! Mais um dichote de sala de Profs “Eles vão perder as eleições” ! E já sei que questionas: Para quem? E eles? À Rasca! Como dizias o outro, “resmas”, carradas, magotes de vociferadores profissionais, de protestantes militantes, de “juras a pés juntos” , no dia das eleições, irão, trémulos e frementes de fé , com a mão tremente de esperança, colocar a cruzinha na “mãozinha fechada” ( sorry , mas não chamo posso escrever S…) porque não é, e se calhar nunca o foi! Pois é, sem desprezo de votos de Carrazeda ou de Lameiros de Cima, as eleições ganham-se com os votinhos de uma classe média, que se diz espezinhada, mas que no dia da fidelidade, aí está ela canina, ou columbófila, a rilhar osso ou milho , quando não açaimo ou anilha! E tantos Professores agora espezinhados nesse dia anilhados….desculpem, queria dizer desmemoriados! O quê, não, estás mesmo velho e louco! Daqui a uns anos, os mesmos a dar a cruzinha presidencial ao J S, actual PM?? Quem sabe, se calhar até Tu, jamais no bicharoco ? Porque só falta mesmo, obrigar-nos a votar!

Vá lá outra questão, a última! Tens medo? Eu também! Não, não precisas levantar-te, que raio, lá ias tu às estantes! Já conheço a história, pronto! Claro! Tens um livrito e artigos do Valter, e ele era tão amorosamente crítico, tão maravilhosamente crítico, que hoje é SE. Pois pelo caminhos ínvios, que por acaso não são neste caso os de Deus, mas pelo dos “in…depen…dentes” com o sotaque à Jorge Coelho. E o do…teu conterrâneo, também tens um livro de crónicas, de critico-cónico, e que tanto criticar, escrever e aparecer, ainda chegou mais longe: a Ministro dos Assuntos Parlamentares, via Estados Gerais. Ò larilas! Ò Lariló lé!

Sim , e aquele teu amigalhaço, docente, que No Instituto Irene Lisboa, tanto vociferava contra o poder laranja e poucos meses depois via Job for the road, Estados Gerais-Independente, em lugar suplente elegível , lá foi para a AR, e, ainda hoje lá sem rabo parlamentar, ainda anda na vida rósea, se calhar de cartãozinho e tudo! Experimentei – Gostei! Aqui dá- um sotaque brasileiro á escrita, faz o favor!

Queres mais? Chega ! Também acho! Medo que muita desta gente chegue a SE , a DR, a Acácio ( desculpem!) via Independentes- Estados Gerais, Rosas , Laranjas, tu que sempre preferiste os Estados Gerais partidários a Lilás que a cor dos…bem…controla-te!

Acabou mesmo! Só mais uma questão!

Onde acho que vais ficar Existente Instante? Sim já sei, apagaste todos os blogues dos teus favoritos, excepto cinco! Está bem! Claro , O Terrar fica, embora o Homem esteja como a Amália “ Até que a voz me doa” , eu fico no “ Até que a voz me arranhe”, porque tem um dos títulos mais belos da blogosfera docente, é de uma simplicidade cultural inteligente como poucos, e porque não sendo homem de mostrar muitas emoções, emocionaste-te com o Evangelho e o Semeador ! Velho pindérico e sensível que tu estás Existente Instante! O Tempo de Teia fica, porque há ali gente docente em carne viva! É tão lindo aquele blogue, e a colega tem uma voz melodiosa, quase “adágio molto “, e ali aprende-se didáctica e não só! Uma fabulosa aranha a 3za, mesmo quando puxa para um bocadinho para o desencanto. Os outros…não digo, para manter a expectativa e não desmoralizar ( que se devem estar a borrifar para a minha opinião!)

E o teu? Pronto já percebi! Como na canção da Elis, mesmo sem Casa de Campo, com os teus, amigos, discos, livros e nada mais! Sim? Ah! Com um bisturiziho regulador e cortante de vez em quando e sobretudo com o silêncio! Merecido! Matias Na Maia, Workshop na mesma Maia, palestrante optimista sobre a importância da solidariedade com Power Point humorístico e tudo na RGP do meu agrupamento, emprestador de materiais sobre portfólio e afins a colegas Coordenadores, timoneiro de acalmia e tira medos aos meus colegas de Departamento, escrevinhador e provocador das horas vagas em blogues, principalmente no Terrear ( em muitos mandaram-me à merda pelo silêncio e se calhar fizeram bem), técnico de esgrima e conselheiro de matar intrusos em blogues, noutro, anónimo, num , porque tive medo, tal as coisas estão exacerbadas, que a colega levasse a mal um comentário terno-humorístico que fiz, e enviasse em resposta “ tarântulas” da sua Teia! Etc. Etc. Ah! Esquecia-me : assinei as petições, porque embora seja a favor de uma gestão profissional das escolas sou contra este projecto “xico-esperto” de pseudo gestão profissional.

Chega! Existente Instante Vai escrever para o Raio que Te Parta!


sábado, 12 de janeiro de 2008

Se Houver Outra...Agradeço Informação!


Uma imagem vale mil palavras. E no momento presente só encontro solução para muitos problemas numa escola cultural, com o sentido que lhe quiserem dar, que até pode ser "contracultura dominante", com Professores de cultura democrática, pedagógica e da Outra, que parece tantas vezes arredia da minha classe, com inteligência, com espírito prático reflexivo, e sobretudo com solidariedade, com trabalho comum para o bem comum!




Porque...se assim, não for, as consultas psiquiátricas vão aumentar, como aumentar vão as "caixinhas" cada vez mais parecidas com as de costura, de ansiolíticos, antidepressivos e afins! Depois não se queixem para justificar a inacção, o imobilismo crónico, que a culpa é "sempre deles" , os isto , ou aquilo. Como na canção de Botto " Quero morrer em beleza"!

A FATALIDADE

A fatalidade,
Várias Vezes
No meu caminho aparece
Mas,
Não consegue perturbar
a minha serenidade.

Somente,
no meu olhar,
Poisa e fica mais tristeza

Não me revolto
Nem desespero.

- Quero morrer em beleza.


"Piquenas Esculturas", in Canções de António Botto




sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Mas Afinal...?

Mas Afinal , estamos "desgraçados" ou não?





Talvez Não! Talvez Haja uma solução, não sei? Ver cena do próximo capítulo!

Apesar De...

Ainda não estou satisfeito, caros colegas , pois mesmo sentindo-nos assim:


Ou mesmo :
ainda haverá espaço para a nossa serenidade, ou não?! O que temos de recusar muitas vezes é qualquer coisa parecida com isto:





MOVÉRAN?

Como “tolo no meio da ponte” como dizia a minha maravilhosa avó Eva. Nas últimas semanas e por insondáveis mistérios de política barata e como tal, nem insondáveis nem mistérios, uma carrada de legislação. Ele é o ele é 3/2008, o 29864, o a 1628, o sem número do novo modelo de gestão, e agora 2/2008 e se calhar até me esqueci de mais algum! É obra! Nem Stanley Kubrick para esta Odisseia! E como Coordenador, aí estou eu, entre a náusea, o sono e a aplicação profissional (ah! Ah! Ah!) a ler, consumir às goladas, a comer de faquinha e garfo este manjar, toda esta erudição legislativa, este fartote pantagruélico de palavras insípidas, inodoras e incolores. Então o Decreto sobre avaliação de desempenho, a ser aplicado já, e quero crer (ainda) que não à maioria dos docentes, sem antes, os pressupostos teórico-práticos para a sua aplicação, tem-me causado urticária, pelo que dele depreendo de velocidade, de necessidade de mostrar serviço, de mostrar que “aqui mandamos nós” por parte do Ministério, mas também do certo “ o que vier virá “ de alguns colegas, ou uma espécie de autismo , ou servilismo de quem Executa mais perto de nós! Um sentimento de impotência generalizada, de “que se há-de fazer?”, de “ è a nossa sina” , ou mais “ quero lá saber, tudo como dantes no quartel em Abrantes!”.

Seja! Eu estou desassossegado e calmo ao mesmo tempo! Calmo porque sei os colegas que tenho no meu pequeno Departamento, sei ser solidário e receber solidariedade deles, que tudo farei para não magoar, para não ferir o que ferido vai estando, mas desassossegado porque alguém quer se faça sem alma, sem coração, para magoar, dividir, talvez com o intuito de reinar! Far-se-á certamente, mas mal, burocraticamente mal e sem qualquer laivo de futuro, de esperança para nós Professores! Era preciso uma avaliação docente , não era preciso uma “aberração docente” !

Como estou um pouco panfletário, escrevo ao som da música dos Alf Alfa, e do seu “No nos Movéran” , e lembrei-me da Joan Baez e do You Tube! Aí vai camaradas(no verdadeiro sentido da palavra) do Meu Departamento esta canção! Eles tentam, tentam, tentam, mas comigo não conseguem, mesmo julgando que conseguido está! Que chatice! Hei-de ser assim toda a vida!



domingo, 6 de janeiro de 2008

Cuidado Escola


Ainda relacionado com as duas minhas postagens precedentes, lembrei-me de algo fabuloso, tirado de um livro não menos fabuloso e marcante na minha vida docente, aliás a ser objecto de uma lembrança numa futura postagem, como outros o serão, pois marcaram decisivamente um certo olhar, uma certa reflexão, mesmo inflexão, na minha forma de ver, ser e estar docente. Essa pérola rara de1980, com desenhos belíssimos, textos profundos e de uma acutilância que passados 28 anos ainda mantêm a frescura e actualidade incólumes. Tenho a certeza que aqui e ali já vi desenhos tirados deste livro, mas muitas vezes desenquadrados do todo e da ideia geral do livro. Mesmo assim, vale sempre a pena rever alguns desses desenhos e sobretudo reflectir sobre os textos que os enquadram.

O Título Significativo “ Cuidado Escola” , o Subtítulo “Desigualdade, Domesticação e Algumas Saídas” e a autoria de Babette Harper, Claudius Ceccon, Miguel Darcy de Oliveira e Rosiska Darcy de Oliveira, com a colaboração de Monique Séchaud e Raymond Fonvieille, e apresentação de…quem poderia ser? Paulo Freire, este livro não é propriamente para espíritos fracos, amantes do “antigamente é que era bom”, nem sequer para situacionistas - conformistas, e muito menos para classe política “atrolhada” e burra! Mas a Cuidado Escola, hei-de voltar com mais tempo e cuidado.


sábado, 5 de janeiro de 2008

Mudança...Ou Persistências

Se o meu “post”anterior, brincava (?) com coisas sérias, nunca será demais lembrar que depois de muitos anos na profissão, fiquei sempre com a sensação que muitos colegas são claramente renitentes à mudança, principalmente em relação a determinadas inovações pedagógicas e sobretudo às novas tecnologias.

É muito complicado tentar branda e inteligentemente explicar, eu diria mesmo, dialogar com colegas sobre determinados aspectos positivos da inovação, da utilização de determinados meios tecnológicos em contexto de sala de aula, pelo arreigar a tradições, a esquemas mentais pré-determinados, a rotinas arreigadas e institucionalizadas! Bem me vou esfalfando, tentando mostrar a importância pedagógica numa aula de Inglês, ou de estudo Acompanhado da instalação de uma mini - aplicação do novo Windows o “SAY-IT”, que fala o que escrevemos em Inglês (e, não sendo professor de Inglês, falo do que sei, porque o apliquei numa aula de Estudo Acompanhado, na correcção de uma ficha entregue por uma colega), ou mesmo falando na importância dos Podcast numa aula de Português, ou mesmo da utilização de um simples Creative ou IPod, como instrumento didáctico de uma funcionalidade maravilhosa, mas…para quê? Para quem? Como costumo dizer a brincar aos meus colegas de Departamento, havemos de estar na realidade 3D, poder entrar na Acrópole, ou num Fórum Romano, e colegas ainda a usar diapositivos! E quem me estiver a ler e se sentir incomodado, lamento sinceramente!

Claro que os meios tecnológicos não são um fim em si, na didáctica, na aprendizagem, mas só quem “acredita nos ontem que já cantaram” é que pode dispensar as diversas ferramentas ao dispor de um docente e não entender que elas são um meio fundamental na motivação e aprendizagem dos alunos em geral, num mundo cada vez mais tecnológico. Os que já não estão a gostar da leitura, tenham calma, porque, ainda leio poesia lírica de Camões aos meus miúdos e eles gostam, “lidinha” de um livrinho da Europa América, e tenho aqui à minha frente as traduções que fizeram, para ganhar um prémio simbólico em Estudo Acompanhado, da música dos REM “Everybody Hurts”, depois de lhes ter passado o vídeo dos dito cujo! Confesso não ser Professor de Português e Inglês, mas desculpem a minha maluqueira!

Mas grave, na minha opinião, caros colegas que me lêem, é sistematicamente protestarmos contra tudo, queixarmo-nos como pedintes, que não fazemos porque não temos meios, e quando os temos, queixamo-nos porque os temos, ou numa salto mortal com pirueta, encarpado e tudo, recusarmos usá-los, ou por não queremos aprender, ou acharmos que são as tutelas que nos têm que dar a “papinha”, tudo! Tanta arrogância, quando se trata de aprender algo de novo! Que raiva me dá saber que foram gastos milhões em acções de formação em Word, Power Point, Excel, que colegas ganharam bom dinheiro como formadores, quando com simples livros do estilo “Para Tótòs”, à venda em Hipermercados e livrarias, a 5 , 10 Euros, qualquer Professor poderia aprender os rudimentos e mais do que os mesmos, dos aplicativos do Office! Aliás, para quando um balanço como deve ser, do Sistema do Formação que agora se finou?

Mas vou-me perdendo em cogitações e o essencial era uma reflexão pela positiva, séria, sobre o que escrevi no post anterior, relativamente à prática, ao ensino que deveria ser cada vez mais experimental no ensino secundário, em particular e no Básico em Geral. E talvez a melhor reflexão seja “pegar” nas palavras de uma colega nossa, Paula Canha, Professora de Biologia e Geologia na Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves, em Odemira, que ganhou um dos prémios docentes de 2007 – O Prémio Mérito Inovação ( Ah! E como gostei de ver a inveja, o despeito de muitos docentes que a coberto do anonimato, no site do Público e em blogues tentaram achincalhar os colegas vencedores, como eles tivessem culpa de o serem, confundindo de uma forma miserável a essência de um Prémio, com os premiados).

Se calhar, quase todos leram o que muitos chamam o “boletim de propaganda” do ME, O Boletim dos Professores, aí vem um artigo sobre os premiados e, sobre a actividade de Paula Canha. Repito as palavras:

“Na Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves já é relativamente banal ver alunos de bata branca, nos laboratórios e noutros espaços da escola, fora dos horários lectivos. A professora usa galochas para acompanhar os jovens nos trabalhos de campo, e muitos dos fins-de-semana são passados na escola ou em acampamentos a trabalhar em projectos e actividades de investigação. Já chegou a fazer da sala de aula camarata, após longos períodos de trabalho com os estudantes, fora dos horários lectivos.
Questionada sobre qual o maior desafio que enfrentou enquanto professora, Paula Canha revela que é “entrar todos os dias numa sala de aula com o mesmo entusiasmo e dedicação, como se fosse a primeira vez”, até porque “os alunos percebem quando assim não é e reflectem a nossa atitude”.

O Presidente do Conselho Executivo, disse no processo de candidatura da docente, cito : ” “Ela é a principal obreira da nova escola que queremos e de que necessitamos: a escola que se frequenta activamente e por prazer; a escola onde se está fora de horas lectivas; a escola onde o aprender não é decorar textos; a escola onde se produz saber; a escola onde se descobre; a escola onde se inova…”.

Dizer o quê ? Estilo conversa de café, uns dirão: “É, mas é parva!” , outros , “não me pagam para isso” , outros ainda “ Flores, dar nas vistas, correr para o currículo “, e por aí fora ! Eu, confesso não sou como ela, mas gostava de ser, de a ter como colega, porque são colegas assim que nos conseguem insuflar muitas vezes ânimos, energias, que por vezes nos vão faltando e que na acção concreta vão dando bofetadas de luva branca em quem desprestigia a classe, sejam tutelas, pais, ou colegas! Tenho orgulho de ler o que li sobre esta colega, ou sobre o Arsélio, ou sobre a Teresa, ou a Armandina, que não conheço, ou sequer vi mais gordos ou magros! Alegria enorme de me sentir camarada de ideias, de projectos, de sonhos de gente desta.

Já gora, tenho pena que a minha filhota M, não esteja em Odemira e não tenha a Paula como docente, pronto!

Para terminar, um agradecimento ao actual Prof de Biologia de M, que neste ano não só já esteve em Visitas de Estudo, como conseguiu outra proeza incrível: conseguiu levar os alunos a visitar o lindíssimo museu de História Natural …da própria escola! Mesmo com o tecto em mau estado e tudo! Um ano e tal depois, uma aluna de Biologia de uma escola, consegue conhecer um espaço ligado à disciplina de Biologia do próprio estabelecimento de ensino! Mirabolante? Talvez não! Misérias e desajustes de organizações, a que alguns docentes inteligente e culturalmente conseguem fazer frente. Bem hajam, e os alunos agradecem!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Sistema Fechado...Sistema Isolado


A foto acima representa uma sala de aula, mais concretamente o laboratório de Geologia de uma Escola magnifica que frequentei durante oito anos, quando ainda havia os Liceus. Oito anos, de medos, de terrores mesmo, mas também de alegrias intensas, de alguns docentes que me marcaram para a vida e a minha futura vida docente, sei-o agora.

Uma escola magnífica, de instalações como já não há, e que vai para quase dois anos fez a provecta e deliciosa idade de 100 anos. Uma escola que para minha alegria a minha filha frequenta, mas que me vai confidenciando, que o meu maravilhamento, não coincide propriamente com o dela. Bem lhe falo dos laboratórios, da piscina, da biblioteca, dos românticos e frondosos recreios, mas ela sente que alguma vida, anda arredia dali, embora não me saiba explicar de que tipo.

Mas dizia uma sala, que segundo conhecimento tem um dos melhores mostruários de rochas, que alguma escola secundária poderá ter. A foto só mostra parte dessa magnifica colecção, que no meu tempo de aluno, chegou a ser “pão nosso de cada dia” nas minhas, nas nossas mãos ainda temerosos de alunos, em aulas de lupa e experiência feita.

Pois foi, foi, mas agora não foi e não é, ou pelo menos, nunca o foi para a minha M, que tendo no ano lectivo transacto aulas naquela sala, que foi aluna de Geologia, naquela sala, que “marrou” termos e termos geológicos, que carregou manual 1ª parte Geologia de 255 páginas, nunca, mas nunca soube o que eram aquelas rochas ali expostas. Diz-me que as olhava, que elas olhavam para ela, pedindo-lhe encarecidamente que as libertasse do silêncio, do bafio do tempo, que lhes pegasse, que as mirasse no seu diferente garbo, características, suavidades asperezas, cintilações… mas nada! Fechadas a sete chaves, enclausuradas como freiras em convento de roda. A Professora que não! Era o que faltava! Vamos à matéria, que tenho um Programa para cumprir. Porquê nunca o disse! Porque sim! Vamos, tipos humoristas da moda:

- Isto é possível?

- É! Quer dizer… Não é! Mas é!

- Mas é ou não é ?

- Quer dizer…É! Mas não devia ser!

- Como?

- Não é! Pela necessidade de um ensino secundário (e não só) que deveria ser cada mais prático, mais experimental, e ainda por cima pelo “nonsense”, pelo ridículo da situação!

- É, porque docente é “magister” na sua aula, escolhe, faz seriação de métodos mais adequados, nem que seja, “ transformar aulas em pedradas de tédio inconsequente”!

- Mas afinal , é ou não é !

- Quer dizer, muitas vezes o que deveria ser não o é, porque quem o deveria fazer não o faz, tornando o fazer ser, compreendes?

- Não!

- Eu explico! O ser possível, torna-se impossível, pela impossibilidade do É ! Por isso aparece o não é! E muitas vezes o não é, vem mascarado das desculpas mais indesculpáveis que se pode imaginar, que procura justiçar o Não É!

- Não entendo!

- Vamos fazer um exercício teórico, estilo causídico, das possíveis explicações para se ter variadíssimas aulas de Geologia num laboratório do tipo mostrado, e nem uma “rochinha” os alunos terem tocado.

- Estou curioso!

- Vejamos:

- Hipótese A – Devido aos ladrões, os armários tinham um sistema de electrificação que poderia pôr em perigo a vida dos alunos!

- Hipótese B – As rochas não falam (por acaso até que sim!) e por isso não tinham grande coisa a dizer aos alunos. Não consta que gostem de hip-hop, sapatilhas All-Stars, Tokyo Hotel, ou que uma “magmática” se tenha inscrito no Hi5!

- Hipóese C- Rochas? Pedras? Ai Jesus, e se há uma lapidação em plena sala de aulas?!

- Hipótese D – Por ordem tutelar e Executiva, terminantemente proibido mexer nos espécimes rochosos!

- Hipótese E – Ver rochas, analisar rochas, lupas, usar os sentidos, fazer relatórios, Ai! Confusão a mais, algum barulho, trabalho de Grupo? Era o que faltava! E se desaparecia alguma rocha ? E se lhes dá na cabeça e começam a fazer perguntas? E Os Exames? E o Programa? Na! Na! Está tudo no livrinho! Sedimentares, Magmáticas e Metamórficas! Que “estudem” pois! Para o teste saem os arenitos, os calcários, os xistos fossilíferos, os granitos, gnaisse ( “nice”…Prof? O senhor quer ir lá para fora!?) e o micaxisto! Ah! Esquecia-me do basalto! Estudar bem os pequenos cristais no seio da pasta homogénea, e o facto de os minerais estarem sempre orientados em determinada direcção! Nem pensem em esquecer que se observa efervescência com o ácido clorídico!

- Hipótese F- Não tenho tempo! Era o que faltava ir ao armário, ver as rochas, prepará-las para aulas práticas! E quem fazia a comidinha aos meus crescidos rebentos! Ainda dizem que não trabalhamos! Que gentinha!

- Hipótese G – Estou velha para mudanças! Raios partam as modernices pedagógicas, as ideias do trabalho aplicado, da aprendizagem pela descoberta! Razões têm os NC e o MR, que isto só vai lá pela moda antiga, oh se vai!

- Vou dar uma rica aula e vou planificá-la ao pormenor: assim nos primeiros dez minutos vou mostrar-lhes com voz séria e pausada, usando o método da questão induzida, se sabem as inter-relações dos sistemas com o meio circundante e as suas diversas formas (Ah! Tenho de ter cuidado, porque ignorantes como são, já sei que vou ter de explicar o significado de “circundantes” – é terrível o Português destes miúdos, e nem o parvo de um meu colega me tira esta ideia, mesmo dizendo que generalizo!). Vou mesmo obrigá-los a saber a diferença entre sistema isolado e sistema fechado! Mais, embora esteja no manual, vou escrever no quadro:

“ Sistema Isolado” – não há possibilidade de permuta de matéria nem de energia através das suas fronteiras. Na Natureza não existem sistemas completamente isolados.

“ Sistema Fechado” – Ocorre intercâmbio energético através dos seus limites, mas não há permuta de matéria.

Bolas que me enganei! Que me deu? Isto é o cansaço da reunião de Departamento! Então não é que em vez de Natureza escrevi…aula! E em vez de matéria, escrevi…vida, afecto ! Estou parva ou quê!? Ai as vantagens deste tal Word, e da acçãozinha de formação no Centro – “borrar” e “delete” ! Pronto já está!

Ora esta, agora só me faltava esta! A porcaria do galo da vizinha a cantar três vezes!

- Gostei das hipóteses, mas continuo com dúvidas! É possível?

- É, e não é! É, porque há quem não saiba tocar guitarra, nem queira aprender a tocar guitarra, embora tenham uma raiva terrível de quem sabe tocar guitarra! È porque há a cátedra, a poltrona, o “saber de cor”, o “ deixar estar, por favor não incomodar” ! O Não quero saber, o “era o que faltava”, o “ Eu é que sei!”!Não é…porque não deveria ser!

- E afinal como se avalia esta História rochosa? Afinal estamos perante um caso de “novatismo” , ou “titularidade” ?

- Actualmente titularidade! Olha pelo modelo antigo do Relatório Crítico, era fácil:

“ Utilizei a preceito e com proveito pedagógico os materiais pedagógicos de forma diversificada e criteriosa, utilizando metodologias activas e formas de trabalho dinâmico com os meus alunos, principalmente na disciplina de Geologia”.

- E agora!?

- Não sei! Talvez....”Planifiquei as minhas aulas com grande cuidado, estabelecendo limites temporais acertados e consequentes com as diversas fases da aula, respeitei escrupulosamente o plano elaborado com antecedência legal, bem como levei os alunos ao sucesso escolar como se prova pelos resultados dos exames !

- E os outros?

- Quais outros? Ah! Esses? Foram ficando pelo caminho, esmagados pelo peso rochoso da Geologia!