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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

SWANLIGHTS


Silêncio da Casa. Tomada de assalto em legítima defesa por aquele que se vai cada vez mais instilando no meu. Nem o gordo gato que empaturrado arfa no retemperador sonho felino.

Prenda de anos da “miúda” para Aquele que aos poucos me vai deixando, me vai dizendo o adeus dele silencioso ao meu silêncio triste-feliz de o ir ver partindo. Assim a lei da vida, da separação para ela continuar a nunca o ser. Muda liberdade a da construção de um ínvio percurso a percorrer. Vou ficando aqui e ali marco de estrada, luz fininha de lamparina, se Ele se perder.


Catrapisquei-o sem Ele saber. Namorei-o numa audição demorada


Um LP de som magnífico, cristalino, aquálido, de um Vinil de 180g. Adorava “Crying Light”, conhecia alguma neblina minimal de algumas músicas. Agora, o intenso ouvido interior sobre “SWANLIGHTS” de Antony and The Johnsons


Onde as palavras têm peso, na balança do nada. Ou tenham o peso que lhes advêm da leveza poética que as habita. Casa ilha aberta à imensidão do silêncio onde só o silêncio de dentro autoriza a entrar o de fora. A mú si ca …

Está-se ali, caminha-se____________ por entre notas, por entre uma voz dor ida, polida, pelos espaços da luz em contra, não se atinge o vértice - vórtice do cone nunca porque o encantamento mesmérico obriga a gosto a recomeçar.

Sufocação íntima da beleza, exacerbações ou alívios de intimo olhar. Plenitude vazia, serena limpidez de que deveria feito o éter do mundo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Curvado choro...

Praticamente nenhum aluno na escola...


No meu périplo pelo verde magnífico da minha escola, enquanto apontava a tele-objectiva para graciosa árvore, a lente captou personagem sozinha ao longe.


Curvada, sentada na borda estreita que separa o verde do cimento. O banco, ali ao lado, recusado, pétreo, deserto, parecia demasiado amplo para tão pequeno curvado corpo. Aproximei-me discretamente.

Observei a esguia figura, agora mais de perto.Indistinto ser rapaz ou rapariga à primeira vista, embora confirmasse depois ser uma aluna. Parecia adormecida ou indisposta. Mas ninguém adormece assim, em tão instável equilíbrio, nem se indispõe de cabeça entre os joelhos.


Aproximei-me mais ainda, cuidado para não anunciar a minha presença. Uma ou outra lata de refrigerante anunciava talvez a timidez dessedentada de um primeiro beijo, um ou outro pacote de leite esmagado, denunciava crónica de raiva contra amigo de amizade traída, ou raspanete de professor mal digerido.


Ainda mais perto, foquei-reparei que chorava. Agora a compreensão da posição de curvatura. O seu choro, a dor virada para baixo, mansa, dolorosamente baixa, tão diferente daquele grito angustiante para o céu, o infinito, a libertação. Um choro fio escorrido em cascata para a consolação. O fim de ser em turma? Um amor rasgado? A incompreendida solidão?


Estive para lhe perguntar o que tinha, mas não. Um direito inalienável do adolescente: o de estar só, o de chorar para fora, o choro que lhe vai dentro. Saúde mental, pois!


Enquanto me afastava lentamente, “vi claramente visto” um jovem adolescente de catorze anos, num recreio enorme e vazio, sentado e encostado a uma das venerandas árvores do Liceu Alexandre Herculano, cabeça baixa, olhos semicerrados, agradecido aquela dureza arbórea que como lixa lhe ia limando a aspereza da solidão.


Sexta-Feira, vou-lhe ver um sorriso, nem tímido que seja.