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quarta-feira, 9 de março de 2016

A NÓDOA...



Um dos dias mais felizes da minha vida, da minha vida política em particular. Nem sequer é ódio, é simplesmente desprezo, desprezo profundo.

Demorou a sair , mas saiu, uma nódoa, uma das maiores nódoas da democracia portuguesa. Obtuso, canhestro, inculto quanto baste, sacristão de mofo, aqui e ali quase a lembrar o caquético de S. Comba, a mediocridade típica de político português.

Agora, agora...da nódoa que se limpe a crosta. Quer ficar na História...coitado, ficará, ficará sem dúvida naqueles cantinhos-desvão onde não reza a mesma História, onde devem estar entre outros os Afonsos V, os D.José, os Carmonas, Craveiros e Tomás da História. 

Vinte anos e puxa-se divisas da miséria e pobreza em que se encontra muito do povo português. Povo, esse povo que por razões de fatalismo, de inquietude parola, de pasmo-calaceiro e pasmaceira inculta sempre preferiu os chamados "homns-fortes" mesmo de vozinha de castrato. Órfão de pai simbólico, sempre muito português foi e é. 

E acabou. Vou ali beber uma taça de champanhe e comer bolo-rei. Estou descansado porque sei comer o dito cujo de boca fechada.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

ESTA MISÉRIA de "HOMUNCULUS" QUE NOS CERCA







Das maiores misérias da História Portuguesa recente ou menos recente.

Um governo inacreditável talvez só comparável a alguns excrementícios da 1ª República. Um Ministro das Finanças de uma incompetência que consegue meter medo à incompetência, um Primeiro, que é de primeiro só deve ter a falta de inteligência, ou se quisermos uma "coisa" nascida abortivamente de uma juventude partidária já fedorenta e anquilosada de o não ser, um Ministro entre o crápula, o feirante "aciganado", o maricas aparaltado que gosta de apalpar "à falsa fé", uma nova ministra das finanças que só pode ter sido de um livro de pano da Majora, estilo Srª Repinau, sem vergonha nem na cara nem no corpo todo, uns moedas e rosalinos estilo pin e pon, e sobretudo, a desgraça de um presidente que tirando o corta-fitas Tomás, é o pior presidente da História da República Portuguesa. Uma desgraça para um povo que teve a honra de ter um Teófilo Braga, um Manuel de Arriaga, um Bernardino Machado,  um Manuel Teixeira Gomes, um Eanes, homens de coragem e sobretudo os primeiros, de elevado nível humano e cultural , para agora ter um homem que nem falar sabe, que dá erros de escola primária, que "come com a boca cheia", que nem sabe distinguir os Man e os More dosThomas, que invoca o nome da senhora de Fátima em vão e sobretudo de uma incultura profunda que magoa. Em que boçalidade, em que analfabetismo se enredou um povo para eleger uma figura destas para o mais alto magistrado da minha nação?
 Não, o envelhecimento e alguma senilidade já à esquina não podem explicar tudo.

Uma desgraça para o Meu País, principalmente porque um "Nenuco"  rosa, crescido noutra casinha de bonecas de juventude partidária, se aprestará para enterrar o que enterrado vai ficando.

Cavaco,Sócrates, Coelho, Seguro,  um quarteto que só podia ter existido em livros de terror, ou BD, mas tornaram-se figuras reais de uma peça trágico-cómica num imenso palco minado de térmitas em que se transformou o meu Portugal.

Os comentadores, os ex ministeriáveis de qualquer coisa, sejam os Coutos, os "Caudilhos", os Macedos,  os SIC Ferreirras, o coiso da  Neves que se diz economista e tem muita graça de biquinhos de pés a ofertar-se para o governo, o apocaliptico e gráfico Medina, e todos os subprodutos "Migueis de Vanconcelos" que nos procuram vender a banha da cobra do inevitável, da submissão acocorada, esses não passam mesmo disso, subprodutos do meu país, e desses não reza, nem rezará a História. Decrépito circo em que se movem, que nem crianças convencem já. 

Assim o Meu País, um País que teve um Sá de Miranda que os "manjou" a todos, mesmo no final do séxculo XV e primeiras décadas do XVI. Atual como hoje: Encaixa como uma luva nessa paixão assolapada ou se quiserem "encornada" Passos-Portas, mas podem colocar a sergurar o véu o fastasminha Gaspar que eu não me importo.

" Quem joga onde engano vai
Em vão corre e torna atrás,
Em vão sobre a face cai:
Mal hajam as graças más
De que tanto engano sai! "

(...)

"Mas, depois, que lhe fazemos?
Pode ser, pode não ser, 
Adiante o saberemos:
Estamos um pouco a ver,
Cai-lhes o rebuço e vemos"

(...)

"Um que por outro se vende
Lança a pedra e a mão esconde.
O dano longe se estende.
Aquele a quem dói entende:
Com sós suspiros responde"

Como ouvi há dois dias num restaurante: a voz simples do Povo e do Porto, sem rebuços, nem vergonhas a referir-se ao trio ou quateto: São uns BADALHOCOS!
Eu mais eduquês, traduzo: Que não são nada higiénicos, lá isso não são!  Mas saberão eles lá isso?! Não sabem! 
Peixe podre nunca cheirou mal ao peixeiro!



sexta-feira, 18 de setembro de 2009

NÁUSEA... política


Tinha prometido que não mais neste blogue a política, mas estou tão divertido que vou faltar à palavra.

A náusea mais profunda. O enjoo mais larvar. Esta campanha política tornada uma rábula, um excremento da verdadeira essência de uma certa forma de ser e estar na coisa pública e na política. E nem o Presidente da República (como me irrita aquele ar seráfico de garante de coisa nenhuma!), nem membros dessa classe corporativa (e ainda falam dos professores!) que se julga impoluta e acima do comum dos cidadãos, os jornalistas, escapam a chafurdar na lama, no esgoto fétido em que se tornou o merdelim da política nacional.

E nem chateado estou. Apenas sorridente, irónica e anarquicamente divertido. Acabei de me lembrar de uma crónica poética deliciosa de um enorme homem das letras brasileiras , Mário Quintana, a que chamou “Depravações do Gosto”:

“Empoleiro-me numa lanchonete. Peço iogurte.

— Iogurte limão?

— Não!

— Ah, tem iogurte morango.

— Mas não tem iogurte puro?

Pura é a inocência minha. Pois tudo o que preferem agora é com gosto de outra coisa e não da própria coisa. Peço uma mineral. Oferecem-me mineral limão, mineral laranja etc. Procuro uma barra de chocolate. Vejo que é "flavorizado", como lá diz no invólucro. É quase impossível hoje em dia encontrar chocolate com gosto de chocolate, iogurte com gosto de iogurte, ou uma democracia apenas democrática.“


domingo, 6 de setembro de 2009

POLÌTICA IV

Mais uma incursão sobre políticos neste blogue , escrito em 2000 (embora ele o alargasse a muito político internacional) pelo poeta que tenho citado :

“Tempestades, todos os dias, nos copos de água suja que eles bebem. Que fazer? Como conviver, à distância que seja, com os políticos, quando só vão subindo aos galhos da pirâmide (neste tempo de relva e de areia) os mais medíocres? A violência ou o escárnio, diz Cossery, podem ajudar. Mas ajudam pouco. Também aí eles colhem comissões e dividendos: traficam-se armas e imagens como quem vai ao mercado comprar laranjas. Escravizam-se jovens tanto na produção como no consumo: roleta em que todos perdem, menos a banca, o múltiplo croupier.

O desprezo talvez ajude, a indiferença dos peões, o desinteresse das plateias, a ironia dos intelectuais mas isso que lhes importa? Numa sociedade democrática, os votos legitimam tudo, e eles dividem-nos maquiavelicamente. Ora governas tu e eu governo-me, ora governo eu e tu governas-te. E damos um pouco do que eles querem: pão (ma non troppo) e circo (o mais possível) - infalível!

Terrível será o dia em que acordem a pensar que nada levarão consigo, nem o dinheiro, nem a maldade, nem as honrarias. Ficam imagens desvanecidas. Nem passam pelo "nada essencial" de que falava Heidegger.”

POLÍTICA II

Não, não é só ao “menino açoitado” que dedico um sarcasmo especial. Também do “lado mais floral”, existem figuras políticas pelas quais nutro um desprezo e uma ácida ironia, que provêm de ter lido o que defendiam, o que pensavam e, o que hoje se transformaram em executores de prática política. Alguns, no poder ou na oposição, são aquilo a que já no século XVI Erasmo apelidava de “raça vil e rastejante” – os cortesãos. Quantos e tantos nos partidos d’ hoje! Vejam se reconhecem o autor este belo naco de prosa de 1995!


“Ademais, há sempre uma coisa que se fica a saber, em cada verão - neste, por exemplo, com eleições à porta (...), topa-se que o Portas é fino, fica bem tratá-lo por Paulo nas entrevistas, mas o Pacheco Pereira não, ninguém se lembra de lhe chamar ó José!, é Pacheco Pereira e vamos embora que é tarde.


Mesmo finos, os candidatos a salvadores da Pátria têm de descer ao povoado, comovem tanto as sensações dos beijinhos às massas que eles nos comunicam nos seus artigos de campanha, a isto se chama ser mediático, e são tão sinceros na sua imersão no real, querem à viva força pertencer às colectividades, ler a imprensa regional, visitar os mercados, defender os interesses dos distritos! As férias, para eles, não duraram o Agosto todo, antes da campanha é preciso fazer a pré-campanha e antes da pré-campanha é preciso fazer a pré-pré-campanha.




As coisas estão por decidir e por isso já era possível ver, no Oeste, uma faixa posta para as visitas dos candidatos: "Saudamos o futuro primeiro-ministro". Sem mais especificação, que é grande a sabedoria do povo português, e assim, qualquer que ele seja, sempre lhe fica a obrigação moral de atender ao fontanário.




Ai belo Agosto, que acabaste! Agora, que os fogos esmorecem, a praia não convida e o trabalho nos constrange, recomeça o ciclo dos disparates que já não podemos desculpar porque já não estamos de toalha ao ombro.




O PP continua a brincar com a fogueira da demagogia populista. O PC, amarrado ao "tempo, volta para trás". O PSD tenta que nada se discuta e nada se proponha, enquanto as facas se preparam para o dia seguinte à derrota. O PS cultiva a vocação suicida, em honra da qual sempre que há alguma possibilidade de vitória saem dois ou três baronetes de terceira apanha a distribuir trunfos pêlos adversários.




Face ao que, e ao que cada um de nós tem de suportar, no emprego, no trânsito, no tele-lixo e quejandos, resta praticar as virtudes teologais em onze meses do ano: a paciência para com os pobres de espírito e a esperança em que a gente com ideias e coragem não seja esmagada no caminho. “



Claro que quem não muda é burro, dir-me-ão alguns, mas mudar, perdendo a essência das ideias, de projectos de vida, de ética de construção interior, custa-me aceitar, adepto que sou do “Homem de um Só Rosto e uma só Fé” , com a interpretação que lhe atribuo, e que me desculpe o Sá de Miranda.

Pois é, este belo naco de prosa é de um actual Ministro, que ainda cheguei a conhecer como brilhante aluno de História na FLUP. Sobre as crónicas esclarecidas que escrevia no Público nos anos de 95-96, e os disparates e dislates que foi somando no seu reportório, e, sobretudo sobre a sua ascensão como independente via Estados Gerais a figura tutelar e indefectível do actual partido do governo, vai uma distância de um enorme esgar no meu rosto, que nem sequer é de riso, aqui com o pequeno livro à minha frente. Uma irritação inexorável em mim quando vejo esta personagem.


Novamente, com o poeta “Os políticos estão completamente prostituídos: enfeitam-se para a praça pública, engolem tudo e cobram sempre. Talvez eu não deva generalizar.”

sábado, 5 de setembro de 2009

Política I



E a tirada do jovem tribuno, futuro líder e "bruxeleante", fez-me lembrar o que um dos meus poetas preferidos escreveu vai para um par de anos, só discordando dele no que respeita à "leitura apressada"...leitura nenhuma!

"A miséria da política resulta de ser filha dos princípios mas súbdita do cálculo - de almejar a harmonia mas atolar-se no caos - de afirmar o bem (os ideais) e praticar o dolo e a mentira - de se preocupar com a imagem esquecendo-se da substância - de ser adjectiva e decorativa e raramente essencial e discreta - de se preocupar, enfim, com os interesses pessoais ou de família ou de classe passando por cima do bem comum. O maior erro dos políticos é julgarem que o último discurso ou a última imagem apagam o que fizeram antes. E pena que não tenham lido a seu tempo Antígona, de Sófocles. E que se tenham ficado por uma leitura apressada de Maquiavel."

Política...Políticos Instantâneos

Figura anafada,"apipada", futuro líder e brilhante, dizem. Numa pretensa universidade de veraneio, perante veraneantes futuros jovens e inestéticos políticos, a "boutade" armada em cultura filosófica :"A política é autónoma da ética e a ética é autónoma da política", recordando Maquiavel ( quem poderia ser?) e dando um ar da sua graça com recurso a dois filósofos gregos que aconselhava os políticos ler.

Pois... entendi-te perfeitamente, caro político com ou sem brilhantina e de futuro radioso. Comecei a rir porque quase de certeza, o jovem político brilhante e anafado tem a célebre colecção da Gradiva "O Especialista Instantâneo em Filosofia".

Numa próxima universidade de praia sairá a dissertar sobre a "Arte da Fuga" de Bach, ou sobre o phatos irónico na obra de Walter Dahn, ou Dokoupil. Não duvido nem um segundo que o brilho "Bruxeleante" manter-se-á , pois com esta colecção, o jovem mancebo e revelação política ficará com " os conhecimentos necessários para brilhar em qualquer situação", ou mesmo " permitir-lhe passar por um especialista em quase tudo", quando não, conseguir " manter uma conversa sobre qualquer assunto, sem pôr em causa a sua reputação".

Como não gostar dos políticos? Como não ficar fascinado com "violinos de Chopin", a "Utopia" do Thomas Mann ?