quarta-feira, 9 de março de 2016
A NÓDOA...
quinta-feira, 4 de julho de 2013
ESTA MISÉRIA de "HOMUNCULUS" QUE NOS CERCA
Das maiores misérias da História Portuguesa recente ou menos recente.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
NÁUSEA... política
Tinha prometido que não mais neste blogue a política, mas estou tão divertido que vou faltar à palavra.
A náusea mais profunda. O enjoo mais larvar. Esta campanha política tornada uma rábula, um excremento da verdadeira essência de uma certa forma de ser e estar na coisa pública e na política. E nem o Presidente da República (como me irrita aquele ar seráfico de garante de coisa nenhuma!), nem membros dessa classe corporativa (e ainda falam dos professores!) que se julga impoluta e acima do comum dos cidadãos, os jornalistas, escapam a chafurdar na lama, no esgoto fétido em que se tornou o merdelim da política nacional.
E nem chateado estou. Apenas sorridente, irónica e anarquicamente divertido. Acabei de me lembrar de uma crónica poética deliciosa de um enorme homem das letras brasileiras , Mário Quintana, a que chamou “Depravações do Gosto”:
“Empoleiro-me numa lanchonete. Peço iogurte.
— Iogurte limão?
— Não!
— Ah, tem iogurte morango.
— Mas não tem iogurte puro?
Pura é a inocência minha. Pois tudo o que preferem agora é com gosto de outra coisa e não da própria coisa. Peço uma mineral. Oferecem-me mineral limão, mineral laranja etc. Procuro uma barra de chocolate. Vejo que é "flavorizado", como lá diz no invólucro. É quase impossível hoje em dia encontrar chocolate com gosto de chocolate, iogurte com gosto de iogurte, ou uma democracia apenas democrática.“
domingo, 6 de setembro de 2009
POLÌTICA IV
O desprezo talvez ajude, a indiferença dos peões, o desinteresse das plateias, a ironia dos intelectuais mas isso que lhes importa? Numa sociedade democrática, os votos legitimam tudo, e eles dividem-nos maquiavelicamente. Ora governas tu e eu governo-me, ora governo eu e tu governas-te. E damos um pouco do que eles querem: pão (ma non troppo) e circo (o mais possível) - infalível!
Terrível será o dia em que acordem a pensar que nada levarão consigo, nem o dinheiro, nem a maldade, nem as honrarias. Ficam imagens desvanecidas. Nem passam pelo "nada essencial" de que falava Heidegger.”
POLÍTICA II
Mesmo finos, os candidatos a salvadores da Pátria têm de descer ao povoado, comovem tanto as sensações dos beijinhos às massas que eles nos comunicam nos seus artigos de campanha, a isto se chama ser mediático, e são tão sinceros na sua imersão no real, querem à viva força pertencer às colectividades, ler a imprensa regional, visitar os mercados, defender os interesses dos distritos! As férias, para eles, não duraram o Agosto todo, antes da campanha é preciso fazer a pré-campanha e antes da pré-campanha é preciso fazer a pré-pré-campanha.
As coisas estão por decidir e por isso já era possível ver, no Oeste, uma faixa posta para as visitas dos candidatos: "Saudamos o futuro primeiro-ministro". Sem mais especificação, que é grande a sabedoria do povo português, e assim, qualquer que ele seja, sempre lhe fica a obrigação moral de atender ao fontanário.
Ai belo Agosto, que acabaste! Agora, que os fogos esmorecem, a praia não convida e o trabalho nos constrange, recomeça o ciclo dos disparates que já não podemos desculpar porque já não estamos de toalha ao ombro.
O PP continua a brincar com a fogueira da demagogia populista. O PC, amarrado ao "tempo, volta para trás". O PSD tenta que nada se discuta e nada se proponha, enquanto as facas se preparam para o dia seguinte à derrota. O PS cultiva a vocação suicida, em honra da qual sempre que há alguma possibilidade de vitória saem dois ou três baronetes de terceira apanha a distribuir trunfos pêlos adversários.
Face ao que, e ao que cada um de nós tem de suportar, no emprego, no trânsito, no tele-lixo e quejandos, resta praticar as virtudes teologais em onze meses do ano: a paciência para com os pobres de espírito e a esperança em que a gente com ideias e coragem não seja esmagada no caminho. “
Pois é, este belo naco de prosa é de um actual Ministro, que ainda cheguei a conhecer como brilhante aluno de História na FLUP. Sobre as crónicas esclarecidas que escrevia no Público nos anos de 95-96, e os disparates e dislates que foi somando no seu reportório, e, sobretudo sobre a sua ascensão como independente via Estados Gerais a figura tutelar e indefectível do actual partido do governo, vai uma distância de um enorme esgar no meu rosto, que nem sequer é de riso, aqui com o pequeno livro à minha frente. Uma irritação inexorável em mim quando vejo esta personagem.
sábado, 5 de setembro de 2009
Política I
E a tirada do jovem tribuno, futuro líder e "bruxeleante", fez-me lembrar o que um dos meus poetas preferidos escreveu vai para um par de anos, só discordando dele no que respeita à "leitura apressada"...leitura nenhuma!
Política...Políticos Instantâneos
Pois... entendi-te perfeitamente, caro político com ou sem brilhantina e de futuro radioso. Comecei a rir porque quase de certeza, o jovem político brilhante e anafado tem a célebre colecção da Gradiva "O Especialista Instantâneo em Filosofia".
Numa próxima universidade de praia sairá a dissertar sobre a "Arte da Fuga" de Bach, ou sobre o phatos irónico na obra de Walter Dahn, ou Dokoupil. Não duvido nem um segundo que o brilho "Bruxeleante" manter-se-á , pois com esta colecção, o jovem mancebo e revelação política ficará com " os conhecimentos necessários para brilhar em qualquer situação", ou mesmo " permitir-lhe passar por um especialista em quase tudo", quando não, conseguir " manter uma conversa sobre qualquer assunto, sem pôr em causa a sua reputação".
Como não gostar dos políticos? Como não ficar fascinado com "violinos de Chopin", a "Utopia" do Thomas Mann ?



