quarta-feira, 9 de julho de 2008

BALANÇO em BALANÇA

Cansaço até onde o cansaço deixa de ser cansaço para se tornar quase inacção. O fim de uma acção de supervisão pedagógica , um dia de trabalho de quase oito horas ininterruptas, associadas a outras duas sessões da mesma estirpe no dia 2 e dia 4. Mas apesar de tudo, um arremedo de forças, uma última braçada até à praia-mar aqui para dizer d’Eles e dizer d’Eles, significa dizer algo de mim , no que Eles me deixaram.


A Acção, importantíssima, embora na minha modesta opinião desfasada temporalmente por tardia, foi importantíssima pela reflexão que proporcionou, pelo conhecimento que instilou, pelas incertezas que corrigiu, mas também pelo desassossego que criou. Não fiquei mais sábio, não fiquei melhor Coordenador, nem sei se fiquei mais creditado, todavia uma certeza tenho, mais humano, mais pedagocicamente humilde, mais predisposto à reflexão, à pesquisa, à partilha, ao trabalho solidário e cooperativo, isso fiquei.


A Isabel, como formadora , assertiva, excelente comunicadora, informada, motivadora, lá foi levando a água ao seu e nosso moinho, as/os colegas no geral simpáticos, alguns “duros de roer”, verdadeiros no seu questionar, na tomada de consciência da novidade, na própria dúvida das virtudes do modelo. No fundo gostei e não dei o tempo por mal empregue. Mas...


Gostei muito, mas mesmo muito do meu grupo, das solidariedades ocultas que se criaram, das angústias partilhadas, das experiências trocadas, das humildades assumidas, dos pontos de interrogação traçados, das dores pressentidas aqui e acolá, do diálogo mesmo paralelo, das sinergias espontâneas que se criavam na realização das actividades reflexivas. Mais do que Coordenadores, eramos colegas apanhados na mesma rede de cumplicidades, de questionamentos, de novidades. Naquela CN2, ou nos curtos e intervalares diálogos, as opiniões diferentes, caminhos pedagógicos cruzados ou coincidentes, mas sempre a consciência que alguma coisa nos unia. 25 horas e uns trocos de valer a pena, de gostar de partilhar, da dádiva da humildade, do riso franco e aberto, da preocupação pelo qua aí está e vem, da esperança incerta da experimentação de um modelo. Aprendi imenso com as dúvidas da Isabel, com imersões práticas na realidade do António, da problematização do Rui, o desempoeiramento crítico do Mário, os olhares cúmplices ou desaprovativos da Adelaide. Assim, uma espécie de mosqueteiros da humildade de um por todos e todos por um, que mais do que o sucesso da acção e do grupo, procuramos pontos de encontro de identidade profissional.


Espantoso como nestes encontros, principalmente com colegas de várias “congregações”, conseguimos dialogar, trocar opiniões, experiências, criar laços, se calhar de forma mais simples do que com “os santos da casa”, o que talvez prove a necessidade de mais encontros “congragatórios”, mesmo fora do âmbito de acções de formação, de mais partilhas, de mais proximidade e interacção de conhecimentos, para além das grandes causas, das grandes e pontuais lutas. Como, não sei, mas pressinto que a solidão (in) e (de) docente, anda por aí a tentar-nos, a espartilhar-nos, agora com mais força e denodo, cabendo-nos a sublime luta de a tentar derrotar, sem mártires, sem bandeiras desfraldadas, mas com inteligência, reflexão, afectos solidários. Há quem ache que isto é “sonho” é “conversa fiada”, mas o meu blogue não é para esses, de bílis afiada, de materialismos e objectividades falaciosas, de certezas absolutas, de propostas nítidas nulas prenhes de nada. Essencialmente para mim, o que aqui escrevo, sempre com uma balança do deve e haver afectuoso.


Por isso, para a Isabel, para todos os colegas que comigo estiveram na acção e, sobretudo para o António, o Rui, a Isabel, a Adelaide e o Mário este pequenino clip feito por mim, com fotos minhas, dos rebentos, e música dessa voz magnífica da Matilde Santig. O Título ...já sabem!


Beautiful people
you live in the same world as I do
but somehow I never noticed
you before today
I`m ashamed to say
Beautiful people
we share the same back door
and it isn`t right
we never met before
but then
we may never meet again
if I weren`t afraid you`d laugh at me
I would run and take all your hands
and I`d gather everyone together for a day
and when we gather
I`ll pass buttons out that say
Beautiful people
then you`d never have to be alone
`cause there`ll always be someone
with the same button on as you do
include him in everything you do
Beautiful people
you ride the same subway
as I do ev`ry morning
that`s got to tell you something
we`ve got so much in common
I go the same direction that you do
so if you take care of me
then I`ll take care of you
Beautiful people
never have to be alone
`cause there`ll always be someone
with the same button on as you
include her in everything you do
she may be sitting right next to you
she may be beautiful people too
so if you take care of her
maybe I`ll take care of you

21 comentários:

Raul Martins disse...

O que fica, mais do que aquilo que fomos ouvir ou aprender, são a partilha e as trocas de experiências, sem dúvida!
.
Fico feliz por ver que foi tempo bem empregue e que te encheu de alegria.
.
Carpe diem!

Maria do Carmo Cruz disse...

Instante, Instante, que ainda me causas algum AVC! Todos os dias a correr para aqui, sem saber o que significava o silêncio, depois do temor! Está bem que o perfil da Trancinhas me enchia o coração, me dava confiança de que tudo estava bem, mas nem imaginas como fiquei feliz agora, ao ler-te: um verdadeiro presente de boas-vindas! E adorei ver esse teu optimismo, essa tua tão especial humildade a falar das coisas boas e a expressares tão bem um sentimento positivo. Como poderás ver no meu blogue, eu também adoro dizer bem. Obrigada. E fica a saber que, inexplicavelmente, tenho saudades de ti se estás 3 dias sem escrever! Agora, imagina a ansiedade e preocupação! Um beijinho para a Trancinhas e tu levas só um abraço que é de castigo. Da Avó Pirueta

JMA disse...

É ao ler textos como este que sinto orgulho de ser professor.

Anabela Magalhães disse...

Mas o que eu gostei de te ler!
Eu, que não fiz qualquer destas formações de que falas, amei o teu texto cheiinho de esperança e partilha de emoções e de afectos.
Uma lufada de ar fresco neste meu dia passado à volta de apresentações em PowerPoint.
Excelente texto escrito com o coração.
Eu sabia que não desistias!
Beijos grandes para a Trancinhas e companhia.

Anônimo disse...

"Não fiquei mais sábio, não fiquei melhor Coordenador, nem sei se fiquei mais creditado, todavia uma certeza tenho, mais humano, mais pedagocicamente humilde, mais predisposto à reflexão, à pesquisa, à partilha, ao trabalho solidário e cooperativo, isso fiquei."

É através da reflexão, da partilha, do trabalho solitário e cooperativo que a avaliação do desempenho docente faz sentido. De outra forma não o poderá fazer.

Compete-nos a nós enquanto profissionais reflexivos refutar o modelo burocrático imposto pelo Ministério e transformá-lo, através da nossa prática conjunta e reflexiva, num modelo que contribua para o nosso desenvolvimento profisssional.
Diria que é necessário acabarmos com as balcanizações existentes na escola e pensarmos nas vantagens do trabalho colaborativo e reflexivo para o nosso desenvolvimento profissional.
Cumprimentos
Ana Paula

Maria do Carmo Cruz disse...

Tu não precisas que te diga nada, mas nunca foi tão exactamente verdadeira a vernacular frase feita: "os cães ladram e a caravana passa".
Impressiona a falta de pudor, de carácter, de tudo o que é preciso para fazer um Professor. E é a gente desta que os meus netos e a tua Trancinhas estão entregues?
Olha, se tens contactos com o Zé Matias Alves fala com ele acerca de um evento secreto que se está a organizar para dara cabo de todos os professorzecos..
Abraço, Carmo

Estou a brincar, claro. É melhor avisar antes que me mandem cá alguma polícia secreta...

Farta de Professorzecos disse...

Se a inveja matasse, Portugal despovoava-se... Portanto, em frente que atrás não vem gente. Vem uma corja de incapazes, daqueles que não fazem nem deixam fazer. Que Deus lhes perdoe porque sabem o que fazem.
Farta de...

Anônimo disse...

Andam a vilependiá-lo noutros blogues...Vingativos,sedosos de sangue, atiram à bruta.Nessa alturas penso nos alunos, tão educados.
A minha solidariedade e continue a encher-nos a alma com os seus textos e a sua sensibilidade.

Anônimo disse...

Bem-Haja, colega!
Dá-me forças para continuar.
Vou começar a ler um livro cuja autora apareceu no programa da Ophra. "Eat, pray, love". Um best-seller nos EUA. A não perder!
Quando as férias começarem.

Anônimo disse...

Bem-Haja!
E boas férias para todos.

Anônimo disse...

"SEDOSOS DE SANGUE" :)

Chiça, Quão sabujo se oode ser!!! Ainda fico espantado com a sabujice de certos bandalhos!

Farta de professorzecos disse...

E.I.
uso um pseudónimo quando comento postes do meu filho. Que ele conhece, claro. E o Raul também. Por uma questão de pudor. Ontem, deixei aqui um bem identificado, mas antes de me deitar passei por cá e, agoniada, deixei-te um com este fraco pseudónimo. Hoje é só para lamentar que a cáfila, afinal, seja mais comprida do que eu pensava. Um abraço emocionado da Farta de Professorzecos

Existente Instante disse...

Na minha "casa" entra quem eu quero, quando quero e nas circunstâncias que quero! A casa é minha, deixo a porta aberta, todavia visitantes indesejados, que se querem instalar pelo insulto a pessoas. a comentários, são corridos para aquele balde do lixo tão pessoal.
É assim, no meu blogue entra gente de bem!
Sou e serei um homem livre, nunca pertenci a guardas pretorianas escolares, Directivas, a bichaninos e ninas de estimação,nunca cheirei rabos blogosféricos de chefes, jamais aceitarei essa maralha stalinista do estilo "katyn", nunca deixarei que essa matilha canalha mesmo docente que conspurca a blogosfera venha para aqui tentar rilhar ossos, e sobretudo não tenho medo, mas medo nenhum, absolutamente nenhum de um tipo de gente materialisticamente rasteira , soberba e humanamente empedrada que julga atemorizar pelo achincalhar! Também aqui uma higienização do meu blogue.
Repito para os distraídos: Claramente o Existente Instante não é para "atrasados mentais", zecos, mecos. ou badamecos! Claramente não o é para doentes psicanalíticos, que num claro fenómeno de transferência terapêutica por mim perdidamente se apaixonaram não me largando a porta, e sobretudo vão continuando a bater, logo com quem "boi de paciência" que sou! Paguem as sessões ao menos! Um, está-se a tornar tão aborrecido que não sei se nos encontros da vida, me está a pedir um beijo, ou a largura da fina mão, para o estender "Nukité" relâmpago, porque ainda existem formas de cultura tradicional portuguesa na resolução de determinada vilanagem.
Querem conversa fiada, treta, trela, e não lha darei, nunca, porque doce poderá ser, delicado talvez, agora blogue de alta "bostagem" aí para aí alguns prontos a necessitar da vossa energia, agora necessária com a crise energética que nos vai consumindo.
Não me promovam caros electricistas de alta "bostagem" porque ainda não existe a liberdade eléctrica e como tal vou consumindo EDP. Deixem-me sossegadinho, venham-me visitar sorrateiros, babosos de raiva, de inveja, de desgraçadas partidas do lado nenhum de vós interior, mas não julguem que isto é a vossa quinta, o vosso espaço de fartar vilanagem, porque não é, nunca será! Um simples click e como diria o outro : Il était!
Está explicado, caros "apagados"? E para vos iluminar os espíritos, ficai a saber um bocadinho só, que não odiando, pura e simplesmente gosto tanto da ministra e secretários, e da política educativa como Vº Excªs, agora Lacan e Jung, ensinaram-me coisas simples e uma delas tão verdadeira: quando se nega mesmo muito uma coisa, quando se tem tanta necessidade de afirmar o lado não, quando se clama a brados que nós não os outros é que sim, o sim está lá, já e em força, colado naquela porção de nós que tanto queremos esconder, seja a promoção pessoal, a nossa baixa autoestima, a nossa "feiura", ou mesmo a ignorância mais refinada.
Portanto...desde o início da minha entrada na blogosfera, percebi onde estavam os "tesamoll" docentes, os Mr e Ms "seconds vedantes" precisamente do lado de lá da janela que pretensamente nos pretendiam abrir, eles os sábios, aqueles que nos queriam abrir os olhos, só que, como poucos raios de sol entravam nas tábuas daqueles salões interiores, o cheiro a bafio era insuportável, o ar seco e rarefeito!
E agora desculpem, mas...vou apanhar ar.

Anônimo disse...

E disse, falou alto e em bom som! Muito bem.
Este de certeza que não vai para o lixo ou será que vai?
Cumprimentos e boas férias!

1984 disse...

O homem não pode manter-se humano a esta velocidade, se viver como um autómato será aniquilado. A serenidade, uma certa lentidão, é tão inseparável da vida do homem como a sucessão das estações é inseparável das plantas, ou do nascimento das crianças. Estamos no caminho mas não a caminhar, estamos num veículo sobre o qual nos movemos incessantemente, como uma grande jangada ou como essas cidades satélites que dizem que haverá. E ninguém anda a passo de homem, por acaso algum de nós caminha devagar? Mas a vertigem não está só no exterior, assimilá-mo-la na nossa mente que não pára de emitir imagens, como se também fizesse zapping; talvez a aceleração tenha chegado ao coração que já lateja num compasso de urgência para que tudo passe rapidamente e não permaneça. Este destino comum é a grande oportunidade, mas quem se atreve a saltar para fora? Já nem sequer sabemos rezar porque perdemos o silêncio e também o grito.

Na vertigem tudo é temível e desaparece o diálogo entre as pessoas. O que nos dizemos são mais números do que palavras, contém mais informação do que novidade. A perda do diálogo afoga o compromisso que nasce entre as pessoas e que pode fazer do próprio medo um dinamismo que o vença e que lhes outurgue uma maior liberdade. Mas o grave problema é que nesta civilização doente não há só exploração e miséria, mas também uma correlativa miséria espiritual. A grande maioria não quer a liberdade, teme-a. O medo é um sintoma do nosso tempo. A tal extremo que, se rasparmos um pouco a superfície, poderemos verificar o pânico que está subjacente nas pessoas que vivem sob a exigência do trabalho nas grandes cidades. A exigência é tal que se vive automaticamente sem que um sim ou um não tenha precedido os actos.

Ernesto Sábato,

Meu caro acorde do seu sonho e veja a realidade que o rodeia..deixe-se de lirismos..

Maria do Carmo Cruz disse...

Sr.Dr. Ernesto Sábato, poderia dar-me, no meu blogue (porque, por uma questão de delicadeza, quero deixar o Existente Instante em paz, na sua casa) a razão por que temos de nos deixar de lirismos?
Repare: concordou que a realidade que nos cerca é de temor, quase pânico. Então, vamos deixá-la ficar assim? E não será esse lirismo a que se refere (e que eu interpretei como "ingenuidade, credulidade") uma das armas, provavelmente agora a única ou uma entre muito poucas, capaz de fazer a diferença?
Sabe, tenho estado em lugares e vivido circunstâncias que me dizem depois ser assustadoras. Não sou tememária, mas como não me dou conta desse carácter assustador, não devo exalar o tal cheiro do medo. E nada me aconteceu. Nunca. O medo tem cheiro, Dr. Sábato. E nós temos que mudar aquilo que nos incomoda injustamente. Desculpe a intromissão. Carmo Cruz

1984 disse...

A imposição de padrões pelas sociedades aos seus extremamente diversificados indivíduos tem variado muito em diferentes períodos históricos e diferentes níveis de cultura. Nas culturas mais primitivas, onde as sociedades eram pequenas e ligadas a tradições muito estreitas, a pressão para o conformismo era naturalmente muito intensa. Quem ler literatura de antropologia ficará espantado com a natureza fantástica de algumas das tradições às quais os homens tiveram de se adaptar. A vantagem de uma sociedade grande e complexa como a nossa é permitir à variedade de seres humanos expressar-se de muitas maneiras; não precisa de haver uma adaptação intensa, como a que encontramos em pequenas sociedades primitivas. Mesmo assim, em toda a sociedade há sempre um impulso para a conformidade, imposto de fora pela lei e pela tradição, e que os indivíduos impõem sobre si mesmos, tentando imitar o que a sociedade considera o tipo ideal.

A esse respeito, recomendo um livro muito importante do filósofo francês Jules de Gaultier, publicado há cerca de cinquenta anos, chamado "Bovarismo". O nome vem da heroína do romance de Gustave Flaubert, Madame Bovary, no qual essa jovem mulher infeliz sempre tentava ser o que não era. Gaultier generaliza isso e diz que todos temos tendência a tentar ser o que não somos, a querer ser o que a sociedade na qual crescemos julga desejável. Ele diz que todo mundo tem um "ângulo bovarístico", e que o de algumas pessoas é bastante estreito; aquilo que elas são intrinsecamente, pela hereditariedade, não difere muito do que tentam fazer de si mesmas pela imitação. Mas algumas pessoas têm ângulos bovarísticos de noventa graus, outras até de cento e oitenta, e tentam ser exactamente o oposto daquilo que são por natureza. Os resultados são em geral desastrosos.

Mesmo assim, um dos mecanismos através dos quais a sociedade consegue que as pessoas se conformem a ela é criar um ideal e fazer com que as pessoas o imitem voluntariamente. ( Não é por nada que o livro provavelmente mais lido e mais influente da devoção cristã se chama Imitação de Cristo ). Infelizmente, como vemos muito bem pelo estudo da delinquência juvenil, nem sempre o ideal que imitamos é o melhor. Há a imitação de Al Capone, infelizmente, e a imitação do jovem duro que anda por aí a porrada nas pessoas; há imitação de cantores de rock-and-roll, e assim por diante. O processo sempre existe, em qualquer sociedade, e sempre existirá. O que devemos descobrir é algum método para aproveitar ao máximo esse impulso social de conformidade, salvaguardando, ao mesmo tempo, a variabilidade genética dos indivíduos.

(...) Em primeiro lugar, liberdade e tolerância são de enorme importância, e, em segundo lugar, um ambiente decente — igual para todos e melhorando igualmente para todos — é decisivo. É vital não pressionar pessoas geneticamente diferentes para que sejam como todo o mundo, e, dentro dos limites da lei e da ordem, tentar e permitir que todo o indivíduo se desenvolva conforme as leis do seu próprio ser, e conforme o princípio religioso de que a alma individual é infinitamente valiosa. O nosso ideal deveria ser o que o filósofo de Chicago, Charles Morris, descreveu no seu livro "The Open Self": uma sociedade aberta, constituída de eus abertos.

Aldous Huxley

1984 disse...

Como todos sabemos, aprender pouco é algo perigoso. Mas o excesso de aprendizado altamente especializado também é uma coisa perigosa, e por vezes pode ser ainda mais perigoso do que aprender só um pouco. Um dos principais problemas da educação superior agora é conciliar as exigências da muita aprendizagem, que é essencialmente uma aprendizagem especializada, com as exigências da pouca aprendizagem, que é a abordagem mais ampla, mas menos profunda, dos problemas humanos em geral.
(...) O que precisamos fazer é arranjar casamentos, ou melhor, trazer de volta ao seu estado original de casados os diversos departamentos do conhecimento e das emoções, que foram arbitrariamente separados e levados a viver em isolamento nas suas celas monásticas. Podemos parodiar a Bíblia e dizer: "Que o homem não separe o que a natureza juntou"; não permitamos que a arbitrária divisão académica em disciplinas rompa a teia densa da realidade, transformando-a em absurdo.

Mas aqui deparamo-nos com um problema muito grave: qualquer forma de conhecimento superior exige especialização. Precisamos de nos especializar para entrar mais profundamente em certos aspectos separados da realidade. Mas se a especialização é absolutamente necessária, pode ser absolutamente fatal, se levada longe demais. Por isso, precisamos de descobrir algum meio de tirar o maior proveito de ambos os mundos - aquele mundo altamente especializado da observação objectiva e da abstração intelectual, e aquele que podemos chamar o mundo casado da experiência imediata, no qual nada pode ser apartado. Somos as duas coisas, intelecto e paixão, as nossas mentes têm conhecimento objetivo do mundo exterior e da experiência subjetiva. Descobrir métodos para unir esses mundos separados, mostrar a relação entre eles, é, penso eu, a mais importante tarefa da educação moderna

1984 disse...

Os ideais da democracia e da liberdade chocam com o facto brutal da sugestibilidade humana. Um quinto de todos os eleitores pode ser hipnotizado quase num abrir e fechar de olhos, um sétimo pode ser aliviado das suas dores mediante injecções de água, um quarto responderá de modo pronto e entusiástico à hipnopédia. A todas estas minorias demasiado dispostas a cooperar, devemos adicionar as maiorias de reacções menos rápidas, cuja sugestibilidade mais moderada pode ser explorada por não importa que manipulador ciente do seu ofício, pronto a consagrar a isso o tempo e os esforços necessários.

É a liberdade individual compatível com um alto grau de sugestibilidade individual? Podem as instituições democráticas sobreviver à subversão exercida do interior por especialistas hábeis na ciência e na arte de explorar a sugestibilidade dos indivíduos e da multidão? Até que ponto pode ser neutralizada pela educação, para bem do próprio indivíduo ou para bem de uma sociedade democrática, a tendência inata a ser demasiado sugestionável? Até que ponto pode ser controlada pela lei a exploração da sugestibilidade extrema, por parte de homens de negócios e de eclesiásticos, por políticos no e fora do poder?

Aldous Huxley,

ainda acredita em lirismos..quer dizer nós somos o insignificante parafuso da qual a engrenagem necessita para funcionar ..sem nós ela não funciona ..ou se nós rodarmos o parafuso para a esquerda a forma como funciona será diferente..o seu percurso diz-me que é uma mulher viajada e conhecedora do mundo..o medo cheira-se é verdade os animais pressentem-no..nós vivemos com ele na gande parte da vida..àfrica daqui a cerca de 10 mil anos será um contineente desenvolvido..o problema é que nessa altura estará deserto..o optimismo pode ser positivo ..mas sem razão de ser torna-se ridiculo..aqueles que acreditam em DEUS DISPÕEM DE UMA GARNDE MULETA ..é fácil..tudo é belo..paradisiaco..transformável..
tretas..a vida ensina-nos que o paraíso é um mito..o mais que podemos fazer é Carpe diem.(admira-me que não seja o seu filme favorito..acaba mal não é..)

Veja e faça uma reflexão..
http://www.youtube.com/watch?v=S7_YFKyhQMI

Maria do Carmo Cruz disse...

E.I., desculpa, é só para pedir ao 1984 que faça o favor de ir a "Piruetas de Avó" ver a minha resposta. Continua bem. Um abraço, Avó Pirueta

Anônimo disse...

Estou em desespero. Será que a formadora dessa acção saberá explicar o despacho sobre as quotas de mérito?
É que eu não entendi nada daquilo.
Cumprimentos.