sexta-feira, 13 de julho de 2012

O MEU DEPARTAMENTO



Perdi quase metade dos meus colegas de Departamento. Neste processo de quase loucura normal, destroçaram-me o Meu Departamento. Mais, tornaram simples colegas com largos anos de ensino em simples aprendizes concursantes de não saberem amanhãs de profissão.

O Meu Departamento, das raras e se calhar das únicas relações com colegas a valer a pena por eles, com eles e com o cargo que exerci.

Alguma coisa morreu comigo hoje. Uma longa rua impregnada de tristeza em mim. Para eles este indigno texto dolorosamente magoado.


Madrugada. Saio na negra fria noite.
Acolho-me em triste café de esquina,
Entreteço laços de desespero de coisa nenhuma
De que é lavrado o pior sofrimento.

Perdido deserto na perda deles
Olho longa rua de incompreensão.
Arrancar laços dói mais
Que arrancar dentes.

Criaram mais heras em mim
Do que a vegetação permite,
Não consigo desprendê-las
Não consigo desprender-me.

Choro de lágrima tímida quer aflorar
Aprisiono-a ou não?
Deixá-la regar o verde doloroso
De que é feito um Homem.


Gostar-vos.
Estreitar forma fina firme
De nunca apartar.
Ficar. Só

Gostar-vos.
Fixa e indelével pegada
Ciência que vale a pena
Amo a Arqueologia.

Estamos ali de chapéu, de chapéus
E sorriso franco
Como sabor a amoras
Doces.

Suave murmúrio ao longe. Lembro.
"É tão difícil encontrar pessoas bonitas assim",
Tão fácil aprisionar ternura vegetal
Em mim.

Passeio o meu desespero numa rua deserta.
Vocês. Frágil folha viva caída,
Pouso-a ténue sopro na palma da minha mão.
E fecho rápido e suave os dedos.

Nunca mais vos liberto...Nunca mais!

O Vosso Coordenador( e com desculpa a Ana "fotógrafa")

5 comentários:

Anônimo disse...

Também me dói a mesma dor, partilhada, sentida, solidária, nestes momentos brutalmente criados, consentidos, mal preparados...

Também “não vos largo”….
Percorram os caminhos que vierem… Sabeis disso…

Rosa Mary

Cristina Ferreira disse...

Apessar de estar triste e revoltada, a minha raiva foi minorada pela quantidade de colegas que receberam a notícia, algumas das quais não a esperavam. Com isto não quero dizer que estou bem, estaria a mentir, mas tenho sentido de solidariedade de grupo, de departamento e de ESCOLA.
Obrigada pelas palavras de hoje e de sempre. Cristina Ferreira

Existente Instante disse...

Só hoje através de telefonema da Graça, sobre a da extensão brutal da desgraça na nossa Escola e no Agrupamento em geral.

assim, apesar das referências simbólicas muito marcadas à vida interna do Nosso Departamento, estendo o texto a todos colegas que foram centrifugados no cone de luz escuro do capitalismo mais hediondo.

Amanhã seremos nós... os que ficam. Mas como ficamos? Que significa estar, quando somos governados por cadáveres políticos de filme de terror de 3ª categoria?
Um abraço fraterno para todos, tudo o que vos posso dar! Qual sentir o que estais a sentir? Mentiria! Imagino o que sentem, o que é bem diferente.
Desolação saariana em mim. Vou ao Mar de Sábado ter uma conversa de silêncio. Pode ser que venha menos deserto.

Anônimo disse...

Obrigada pelas palavras tão calmantes e amigas de todos vocês.
Vou ficar "presa a vós" como diz a Rosa MarY por quero, porque preciso, porque não consigo descolar...
Bijinhos para todos..
E até Já.

Manuela Dias

Raul Emilio Martins disse...

Há muito que aqui não vinha... Qual poço onde vinha beber água fresca para a caminhada. Hoje voltei... e sem palavras sublinho:
"Amanhã seremos nós... os que ficam. Mas como ficamos?"