domingo, 23 de novembro de 2008

Acampado...


Acampado no marítimo de mim...e daqui não saio daqui ninguém me tira.
Ao berreiro, à histeria, ao tagalerar inconsequente, esta acalmia de afago interior que só ele me dá nas horas de namoro que temos. Amar a mar.


Sussurro constante este marítimo ramalhar,

rebentar suave e contínuo em alva espuma.

Diáfano ar, linha de horizonte cortada, franja ténue de nevoeiro opalino,

Leve brisa fresca, mar de chumbo, ar zincado, barcos vultos seminaufragados...

Intransponível espessura de mim a abrir-se em vagas de calmaria...

Duas gaivotas, aceno de asas em adeus, rápidas, breves,

rasgam o silêncio dominante,

Desaparecem...

Retornam, fixam-me !

Sorrio-lhes no seu voo rasante.

Reconheço-as no seu olhar límpido e ávido de liberdade,

Fui eu que as ensinei a voar.

Quero acompanhá-las,

mas uma voz de terna quietude e marítimo silencio, diz-me não.

Que sossegue... que deixe crescer raízes nestes grãos de areia

e emocionado as observe.

Fímbria faixa de luz atravessa as marítimas águas

- Estrada de claridade recta de prata.

Percorrê-la, aéreo, plenitude de mim até onde mar e sol se fundem...

Entrar onde verbo e pensar percam o sentido,

Renascer inteiro de luz, sal e brisa!


(Existente Instante)



4 comentários:

Sara Oliveira disse...

Já há algum tempo que não aparecia nada de novo ...
Belas palavras ... com belos sentidos. Falhou a um desafio meu.
convido-o a visitar Vida Suspensa

Sara Oliveira disse...

Acabei de "pendurar" mais uns quadros nesta exposição, quando chegou a sua mensagem. O filme adorei, assim como a banda sonora.

Também gostei do seu poema.O mar é uma fonte de vida.Obrigada por ter aceite o convite.

Sara Oliveira disse...

"Acampado" há mais de oito dias?
Convido-o a assomar-se à Vida Suspensa, não para ler, nem para ver, mas para ouvir...
Agradeço as belas palavras que escreveu no meu blogue. Guardá-las-ei ...

Vida Suspensa disse...

Estou sempre à espera de "ver" o que os seus olhos sentem.