sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Estais de Acuerdo? Galopar é preciso

Enorme serenidade no meio da raiva que vai minando muitos. Fui sempre assim, de contrários. Onde se fervilha, gosto da acalmia, quando se estagna no mar da clama resignada da mediocridade, fervilho eu. Talvez por ser da área, tenho confiança na História, que longe do fim, se encarregará de forma mais ou menos violenta e sangrenta de não os exterminando, pelo menos colocar de diarreia do medo, todos os porcos que através do dinheiro, da exploração, da ditadura mascarada de democracia, esmagam, espezinham o Povo.


As grandes conquistas do Homem democrático e do mundo trabalho, seja o horário, o direito de contestação, o salário justo, a igualdade de direitos e deveres, a justiça, a educação, a saúde, etc, etc sabotadas por um punhado de merdelins políticos com assento “bruxeleante” e parlamentar que manobrados como marionetas pelos grandes e escondidos senhores das finanças e do dinheiro, se atiram ao voto do Povo como garantes e executáveis das vontade desse mesmo Povo.


O voto garante, e quando não garante, atropelam-se Constituições democráticas, mente-se desabridamente, servem-se mais altos senhores pelo medo, pela aceitação bovina de não existirem alternativas. Prometem-se mundos e fundos, o fim das crises, o felicidade ao virar da esquina, sabendo os responsáveis políticos que ao fim dessa mesma esquina se encontra o gangue da escroqueria internacional do capital e da escravatura, sem rosto e alma.


Um verdadeiro asco este governo, na mesma linha do nojo magnífico que foram os governos PS. E não sei porquê, perante as medidas anunciadas pelo “coelhinho pascal” naquele estilo de “tirar o chocolatinho que ia com a vovozinha ao circo”, imediatamente lembrei-me de dois poemas de Rafael Alberti. Aliás, um não me larga, (e emociona-me dito pelo poeta e cantado pelo Paco Ibanez) sempre que vejo esses inertes humanos e políticos que são Sarkozi,. Merkel, Zapatero, Papandreau e afins. São dois poemas datados? Como se a grande poesia pudesse ser datada!?


A sua mensagem intrínseca perdura como na Guerra-Civil espanhola, ou nos anos 40. É preciso mesmo “Galopar “,hasta enterrarlos en el mar “, é preciso mesmo lutar num imenso mar europeu, para mandar estes miseráveis para a cofragem dos paraísos fiscais. É que não podemos estar de acordo, pois se o estamos ou sentimos, então…”estáis todos de acuerdo con la muerte”.


Declaração de interesses desnecessária a quem foi lendo o meu blogue ao longo dos anos: não sou comunista, nem radical de esquerda, sou Cristão, e quero que vá à bardamerda quem cataloga um ser humano pela ideologia política, religiosa, cultural ou outra. Sou Homem em legítima defesa, comprometido com a humanidade/desumanidade do mundo e isso basta.

Estáis de Acuerdo
( Rafael Alberti)

Es más,

estáis de acuerdo con los asesinos,

con los jueces,

con los legajos turbios de los ministerios,

con esa bala que de pronto puede hacernos morder el sabor de las piedras

o esas celdas oscuras de humedad y de oprobio

donde los cuerpos más útiles se refuerzan o mueren.


Estáis de acuerdo,,

aunque a veces algunos de vosotros pretendáis ignorarlo.

¿Qué son esos silencios

esas caras de tempestad oculta,

reprimida,

cuando el mantel se abre ante nosotros lo mismo que un insulto,

igual que una limosna que nos ata a vuestro pobre pensamiento,

a vuestra bolsa despreciable siempre pendiente en vuestros ojos?


Estáis,

estáis de acuerdo.

No pretendáis negarlo.

Es inútil.

Hay que huir,

que desprenderse de ese tronco podrido,

de esa raiz comida de gusanos

y rodar a distancia de vosotros para poder haceros frente

y exterminaros confundiéndonos con los que hicieron vuestras fábricas,

labraron vuestras tierras,

agonizaron en vuestros dominios.

Porque es cierto que estáis,

que estáis todos de acuerdo con la muerte.

A Galopar

(Rafael Alberti)

Las tierras, las tierras, las tierras de España,
las grandes, las solas, desiertas llanuras,
Galopa, caballo cuatralbo, jinete del pueblo, al sol y a la luna.

A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar !
A corazòn suenan, resuenan, resuenan
las tierras de España, en las herraduras.

Galopa, jinete del pueblo,
caballo de espuma
A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar !

Nadie, nadie, nadie, que enfrente no hay nadie;
que es nadie la muerte si va en tu montura.
Galopa, caballo cuatralbo,
jinete del pueblo
que la tierra es tuya.

A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar !





2 comentários:

Henrique Santos disse...

Olá EI. Três coisas que para mim são muito queridas, pelo gosto que lhes dedico estão aqui neste teu post: a poesia, a história e dentro dela a guerra civil espanhola. Nessa guerra civil que tanto me fascina as três estão indissociavelmente ligadas.
Outra coisa que aprendi, a ouvir ou a ler uma canção de Léo Ferré, é que há dois tipos básicos de homens: neste momento como em alguns outros há uma separação a cavar-se entre a barbárie e a civilização. E penso que se percebe com alguma nitidez,pelo menos para quem conhece a história, quem está do lado de uma ou de outra. Para além das ditas ideologias ou das participações partidárias que para aqui e na minha opinião, nem são marcas negativas ou positivas a priori, neste momento há uma opção fundamental a fazer, há um dos lados da barricada a tomar.
Na guerra civil os fascistas tinham como lema "Viva la muerte". O lado da republica, que perdeu por falta de apoios das democracias ocidentais e o apoio manifesto dos fascismos alemão e italiano ao golpe de Franco, encarnava nessa altura os valores da civilização. Estamos agora num desses tempos de escolhas decisivas. Infelizmente tenta-se obnubilar o entendimento das massas com argumentos falaciosos matraqueados incessantemente.
No que respeita às salas de professores e aos comentários nos blogs mais badalados de professores, de facto tenho de reconhecer contigo que é confrangedor o nível de literacia política, ao mesmo nível da literacia poética ou histórica.

Raul Emilio Martins disse...

Bem ao teu jeito. Obrigado pela tua lucidez que também nos vai iluminando. Precisamos mesmo de galopar...