segunda-feira, 5 de maio de 2008

Suspensa Espera...

Afago de Suspensa Espera

Resposta ao Imperador


Perguntas-me o que vim eu encontrar

acima das nuvens no cume da montanha

É algo que só na solidão se pode descobrir

E mesmo que quisesse não teria palavras para o exprimir

(Tao Hang King)

Reflexos


Envelheço. Estas límpidas águas

reflectiram já um outro rosto

Ninguém me pode devolver esse fulgor

Passado. Para quê turvá-las?

(Po Chu Yi)


Alquimia



Sono de Primavera


Um chilrear de pássaros me chega ao ouvido

Submerso ainda num sono de primavera

Recordo a chuva e a ventania da noite passada

Pergunto-me quantas flores terão caído

(Mong Hao-Ran)


Suspensa Espera. Por vezes precisa, necessária, respiração de bafo no vidro. Leve afagar de centro para a periferia,depois do refazer periférico do nós. O orvalho cristalino dos sentidos num leve, escorrido e suave deslizar para a madrugada que se aproxima. Suspensa espera... necessária, precisa, na vulcânica violenta lava dos dias.
(Existente Instante)

( fotos minhas, versão dos poemas chineses de Jorge Sousa Braga)

2 comentários:

Raul Martins disse...

"El silêncio no es soledad
habla aunque sin hablar!"

Ao voltares também refazes o "periférico de nós."

E pronto! Amanhã direi outras palavras.

Carpe diem!

Carmo Cruz disse...

Suspensa Espera!
Li tudo, olhei, voltei a ler, voltei a ver e compreendi a tua necessidade desta Suspensa Espera.
Valeu a pena esperar. Tens uma virtude que eu não tenho: a Paciência. Invejo-ta, cultiva-a, mas tenho que confessar que já não mudo. Obrigada por teres regressado, inteiro, Existente Instante. Um abraço comovido da Carmo