sábado, 6 de setembro de 2008

Gostava que voltasse


Tinha-a , tenho-a nos meus favoritos, pela inteligência dos seus escritos, pela cultura que destilava nos seus posts, pela sua frontalidade, serenidade e firmeza com que exprimia as suas ideias ,ideiais, opiniões. Queria já ter feito um comentário no seu blogue, mesmo não a conhecendo, queria mesmo muito ter-lhe dado umas palavras de conforto, mas cada vez mais vou ficando menos circunstancial e sem palavras quando as palavras passam a ser as meras circunstâncias delas. Imaginei, porque só imaginar posso, a sua cruciante dor salão vazio pela perda dele, o seu filho M J. E fui esperando que regressasse, mas não, que o tempo ainda é breve. E hoje, ao ler um trecho de Clarice, lembrei-me da Idalina e do sorriso do MJ. Talvez, talvez de mansinho, esse sorriso poalha de luz entre por fresta entreaberta no salão vazio, e a dor da perda se torne menos dolorosa. Talvez a Idalina volte. Gostava que voltasse.



video
(música: "Mother and Son" Pol Brenna, Joji Hirota & Guo Yue (Trisan))

“Angina Pectoris da Alma”
“...Quando o mal vem o, o peito se torna estreito, e aquele reconhecível cheiro de poeira molhada naquela coisa que antes se chamava alma e agora não é chamada nada. E a falta de esperança na esperança. E conformar-se sem se resignar. Não se confessar a si próprio porque nem se tem mais o quê. Ou se tem e não se pode porque as palavras não viriam. Não ser o que realmente se é , e não se sabe o que realmente se é , so se sabe que não se está sendo. E então vem o desamparo de se estar vivo...”
Clarice Lispector


3 comentários:

JMA disse...

Também gostava que voltasse (se o regresso fizer para ela sentido).

Raul Martins disse...

Um pouco à margem do teu poste (pois a minha ignorância não permite ir mais além... pese embora entenda a mensagem) para te dizer: gostavas que aparecesses mais pelo teu blogue, gosto do escreves e do como escreves. Faz-me falta o poder da tua escrita. És um dos meus favoritos.

Raul Martins disse...

... do que escreves e de como escreves... claro!
.
Carpe diem!