sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Bobby FISCHER...Morreu um génio



Aquietou-se de vez uma das almas mais belamente inquietas da história do xadrez.

Morreu esse extraordinário campeão, esse fabuloso mágico das 64 casas do tabuleiro. Desapareceu, embora algo do xadrez, de um certo xadrez tenha morrido com ele em 72. Agora só a memória e as suas jóias - partidas de brilho refulgente, de cristalinidade pura, de quase poesia escaquística.

De momento nada mais interessa, nem histórias castiças, nem pormenores mais ou menos sórdidos. Apenas e só um lutador de fibra, um polémico de génio, e sobretudo um amor ao xadrez como poucos, dos tais, que de tanto amar se afastou da coisa amada. E se ainda não chegasse, esse legado imortal das suas partidas enquanto existir xadrez.

Aqui na minha frente um monte de livros de e sobre Bobby. Folhei-os, viro páginas como suave brisa levanta folha morta e, instintivamente, memórias de adolescente e jovem são penetradas por essas páginas. Da impossibilidade de algum dia alguém jogar xadrez assim, da beleza intensa, da estética artística dessa grande arte que é mover umas peças esquisitas nas 64 casas claro - escuras de um tabuleiro.

Pego no meu melhor tabuleiro, vou buscar as minhas melhores peças staunton e ao som de um Requiem, que pode ser umas “Lachrime” , reproduzo algumas dessas jóias, quase diademas em cabeça de rainha, e viajo de Brooklin a Reykjavik, acompanho menino encantado esse percurso, esse movimento perpétuo de bispos, cavalos , torres peões, reis e damas.

Aquietou-se uma das almas mais geniais das 64 casas. Estou comovido a leste de mim, como sempre fico quando parte um génio. Profundamente triste, quase como “chuva de limão na minha alma”.

No entanto…alguém ficou satisfeito! Quêm? Quem poderia ser?! Mikhail Tal, que na 5ª Feira recebeu Bobby no céu de Caissa com aquele largo sorriso : Estava a ver que nunca mais chegavas, Bobby?!” “ Um bocadinho farto de jogar com o Petrosian, o Bota, deves concordar?! Bobby baixou os olhos com timidez, Tal riu, e num momento ambos recordaram essa imagem linda de Zagreb 59. Depois…depois foi apanhar o primeiro tabuleiro que lhes caiu nas mãos e toca a jogar o match para sempre inacabado!

Para quem nunca ouviu falar de Ti, este pequeno vídeo da minha autoria.

Que descanses em Paz, Bobby.

6 comentários:

Alexandre Monteiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alexandre Monteiro disse...

Belíssimo texto.

Anônimo disse...

Um grande filme para o melhor dos melhores. Até na morte não ultrapassou as 64 casas do tabuleiro. Umas por cada ano de vida

paulo g. disse...

Comentário excluído meu caro Portuense?
Sempre gosta de praticar o que recomenda aos outros!

Existente Instante disse...

Não!Adversários de categoria intelectual, nunca se excluem, mesmo quando têm parco sentido de humor, e vaidades incontroláveis!

Xadrez disse...

Obrigado por este testemunho.