sexta-feira, 17 de outubro de 2008

"Brutti, Sporchi e Cattivi”

Certo marau, entrou no meu blogue com comentário insultuoso (apagado como tal) mas interessante: que eu era elitista, sério, que fumava Cohiba, e que deveria beber não sei o quê e que deveria cheirar a perfume caro e coisas afins, devido aos meus gostos. E que era burguês, anti povo e por aí fora. Há colegas que por deformação, por escolherem pitões errados na chuteira errada, por manifesta falta de jeito, não acertam uma. Mais, nem ao poste mandam, só bolas fora. O azar do homem, levou cabazada de para ai meia-dúzia para cima. Menino de rua da Sé e da Ribeira.


Não fumo, gostar de beber um The Balvenie, ou um Cooley, ou Dunville gostava, mas quase por vergonha monetária professoral tenho quase que me achincalhar ao “mata-ratos “ Highland Genn, ou mesmo ao de Sacavém em bonitas garrafas de vidro. Cheiro, cheiro a qualquer coisa, claro, bem diferente do “ cheiro dos “ Brutti, Sporchi e Cattivi” do Scola, mas gostava de cheirar a Kouros, ou Eternity Men , mas fico-me há anos pela pinhinha do “Pinho Silvestre” e, quando o rei faz anos, do Ralph Laurens. Comer, gosto mas da minha comida, que tanto trabalhinho me dá, como tal “pauvre cuisine” por oposição ao merdelim anémico e para parolo da Haut do mesma. Quanto a Michelin, sinceramente só conheço os pneus. E por falar em pneus, carros...ainda sei fazer um de rolamemtos, ainda sei fazer bhrrr, bhrr, mas não me peçam mais: não tenho nem carta nem carro. Camarote no teatro gostava de ter, mas no Scala, embora me agarrasse a uma galeria mais para a pateada. No Dragão hei-de ter uma lugarzito, quando aquele quem nem conheço , nem me foi apresentado, for no calor da noite, ou no fresco da madrugada apanhar ar! Casa com piscina, gostava, mas se casa tenho, alugada, talvez procure alugar uma piscina baratinha ( pode ser a Luz, mas agora sem o JP, já lá não se batem recordes de 50 metros queda – pronto não se zanguem colegas benfiquistas). Como se vê...elitista, burguês, distante da realidade popular, mesmo com família na Ribeira, no Aleixo. Ah! Com educação campestre de três meses-muitos anos em aldeia do Marco, onde aprendi de tudo, excepto enxertia e poda (como eu o lamento hoje, porque podia dar uma enxertia em alguns tunantes e podar algumas desinteligências) com esse extraordinário homem que foi o meu avô paterno.


Assim, como a belíssima frase da Anabela Magalhães, ainda existem pessoas que não entendem que eu não sendo o meu blogue, ele sou eu, e por isso, conclusões extraordinárias, algumas... que até cego de evidências, por mais que já quase o esteja de outras bem mais dolorosas, papelosas e burocráticas por louca imposição ministerial. Que sou dos afectos. Claro! Queriam que fosse do quê ? Do grupo marialva de forcados, do clube dos bate-na-avô, dos cospe no chão, dos unhaca na narina ou no pavilhão auricular, dos filósofos de porta de casa-de-banho, dos nacional-camarinhas? Irra! Dos afectos pois! Então sou Professor e vou viver de quê? Só do suadinho ao fim do mês, ou sobretudo daqueles “ Bom dia Prof”, atirados como sol matinal, mesmo que chuva esteja, ou daqueles “ O seu Porto levou cadeira (4) do Arsenal”, ou “temos um “geada” “, frase ternurenta por um colega de cabelos brancos, ou aqueles gritos “yes” por uma positiva arrancada a ferros, já no prolongamento do período ou ano. Dos afectos, claro! Afectos, são afectos, seu bacoco, parodiando um livro que adoro.


Assim homem de afectos e seriedade quando ela é precisa e homem de brincadeira quando preciso é. E curiosamente por vezes adoro brincar, mesmo com coisas sérias, porque exorciza o sério e trágico que a coisa contêm. Adoro o pícaro, a ironia e porque não confessá-lo o cinismo humorístico. Vai para uns anitos, um dia um aluno meu, num trabalho de grupo, nas escolha de grupos, sai-se alto e bom som: “ Prof, eu não quero trabalhar com esta vaca”, referindo-se a uma colega. Lições de moral, mandá-lo para o “olho da rua”? Era possível, mas não. Perante a turma expectante, calmamente respondi-lhe: “ Podes não querer trabalhar com a tua colega, mas...escusavas de ter mugido!” O puto não entendeu, e só uns minutos depois é que sim! Andou dois dias sem me olhar sequer. Tornámos-nos bons “amigos”. Assim, sem mais ( e por favor não me venham para aqui com púdicas hipocrisias- ai jesus que colega, que desrespeito, no meu tempo não era assim, isto não é disciplina, poupem-me!).


Sempre assim, mesmo miúdo e adolescente: A partir dos 13, 14 anos deixei de andar à cabeçaçada com colegas quando ouvia o célebre “ f...da p...” , gostava de os olhar nos olhos e dizer-lhes entre o sarcasmo e o sorriso : “ Alguém está a chamar por ti!”. Não entendiam! Talvez por isso, franzino que era, era temido. Um dia deram-me um grande elogio, tinha muito jeito, perfil para ser uma espécie de “Conselheiro Municipal de Educação”, como existem em bairros de periferia de cidades francesas. Cruzes! ( tinha de vos explicar o que são).


Gosto de rir, e muitas vezes para dentro, gosto do humor inteligente e indirecto ( por isso, desde rapaz novo, as anedotas racistas, sexistas, de alentejanos, nunca me cativaram e se me arrancavam um amarelado sorriso, era pelo espírito de grupo), gosto de ver o lado criativo do humor, o riso escondido, mesmo em coisas que parecem não ter piada nenhuma. Exemplos: contra a maioria dos colegas: escaquei-me a rir com o GCM ( Grupo Coral Magalhanense). Independentemente de tudo, eles estavam felizes e, façam o favor de não ser preconceituosos e vejam novamente o clip: os gajos têm uma voz fabulosa, ( cantavam afinados e com deliciosa harmonia! Dão uma imagem negativa da classe. Acham ? E se eu vos disser que aquela cena humaniza a classe, mostra que os Professores também são gente de carne e osso, que riem , que brincam, que para além de docentes são pessoas, humanos?! Por vezes, muitos professores portugueses são tão cara-de pau, tão sérios, tão púdicos, quando lhes interessa sê-lo ou parecê-lo!


Querem que vos conte uma coisa? Então cheguem-se cá, vá lá, mais um bocadinho para vos confessar aos ouvidos : Já vi Professores fazerem piores figuras em jantaradas, em discotecas, ou mesmo cenas inenarráveis em Uh! Uh!, sim , comboios da CP, que hoje parece ser Refer! E ainda quero contar-vos outra coisa, ainda mais baixinho, por isso juntemo-nos: Noutro dia vi alguém dar os parabéns a um António, pelo extraordinário poema “Poeta Castrado”! Percebem a ironia, não percebem! Tem que ser assim, sabem, que o SIS parece que lê blogues e assim os nossos hierárquicos –mor, não conseguem descobrir ! Aquilo é um bocado Margarida Pinto Rebelo e Arouca.


Portanto colegas viva o humor! Lutem , afiem garras, gargantas, mas riam, tornem-se imaginativos, criativos! Acham que um cartaz com rima à poetaço da Tasmânia : “Obedece e Terás Sucesso” vai a algum lado? Então não era melhor à moda do Porto carago: “OBEDECE, (meu camelo, pode ser sem o mesmo) e vais ver o que te ACONTECE!


E, seja em que manifestação for, cuidado com as cenas, as histerias, as frases feitas as rimas á poetaço da Tasmânia, estilo “ Abatamos a cabrita da Ministra”, ou aquelas pobrezas franciscanas do estilo “ Sou Professor não voto PS” , (porquê - Sou trolha voto PC? Sou banqueiro voto CDS? Ou para sujidade política-branco mais branco não há?) .


Adepto do silêncio. Bem remou a Teresa-Teia na primeira manifestação. Mas não, há colegas que querem extravasar, que querem gritar o que lhes vai na alma, e depois ficam com afonia nervosa, roucos, e com vozes desajustadas ( porra, que jeito fazia no dia 15 ou 8 o Grupo Coral Magalhenense), uns dizem uma coisa, outros outra, aquilo parece atonalidade Schonbergiana. Eu na semana passada fui para o porto de pesca da Póvoa e junto à lota berrei a esta M... toda, bem mais alto do que as gaivotas, que me observavam estupefactas : Este gajo deve ser Prof-deveriam ter pensado. Aprendam com a poderosa máquina de marketing que este poder tem: observem as retiradas estratégicas, os silêncios deles, contra o nosso vozear, o momento certo para o engatilhar e o disparo fatal.


Depois façam o favor não levem malinhas de mão e vocês colegas homens, tirem as mãos do bolso, fica feio irem de blusão de ganga, cabedal e levar as mãos nos bolsos dos mesmos ou das calças. Dá um aspecto de passeio dominical a shopping, o que não fica nada bem. “Pochettes” numa Manifestação muito menos! Cruzes, Professores não são Nelos, nem as colegas Dálias! Roupa, porquê o preto? Luto? Sabem se eu for à Manifestação, de que vou vestido? De Parvo! Sim, porque a minha alma está parva, do Parvo Poder pensar que pode fazer dos Professores parvos. Haverá alguns, uns milhares infelizmente, que serão comidos por e...lutas à parte, fidelidade au, au, acima, lá vão cruzar cruz onde foram espezinhados em 2009. Depois, entreguem aos jornalistas, aos transeuntes, policópias das 49, ou as 25 dos Agrupamentos de escolas, levem dossiês carregados de evidências de coisa nenhuma, mostrem na TV,se entrevistados forem, que leram a burocracia, saibam explicar o 2, o 3, .


Pronto tenho dito: manifestante assíduo que fui, tenho a ousadia de vos dar estes conselhos. Agora peço-vos não venham para aqui com insultos, com comentários que sou agente de MLR, ou da Plataforma, ou que quero desmobilizar seja o que for. O que queria é que os colegas não entrassem em neurose colectiva, em psicopatias, em stress! Então afirmam que é iso que eles querem e qual Love Story, caem de ginga nos braços de quem vos quer tornear? Ando a estudar o sado-masoquismo e não compreendo aquilo. Olhem como o Antero sabe magistralmente “anterizar” o que lhe vai na alma! Olhem como a Teia, resiste pelo fado, pela ternura, pelo olhar D’Eles! Eu por vezes gosto de brincar, menino de rua que fui!


Eu resisto pelo complexo de superioridade intelectual( esconder a inferioridade de ser lixado, claro) sobre o poder, ( então sobre os pequenos poderes, nem vos digo) nem sequer o olho com desconfiança, apiedo-me dele, olho aquela gente , aquela triste gente e falta ali tudo, ou quase tudo, apesar de estudos em ricas escolas, apesar das roupas engomadas, os consultores de imagens: falta-lhes vida, senso, tento e sobretudo inteligência sensível. E tenho pena. Parecem uma brigada do reumático actual , mais tecnológica, mais bem falante, mas também sei pela História, que não existem eternizações de tempo, que alguma coisa vai mudar há-de mudar num futuro que não sei qual é: mas que vai mudar, isso vai: nem a História está morta, nem é imóvel. E nós Professores, actuais ou futuros, seremos apenas uma pinga, uma ténua pinga de chuva na vidraça, mas qua vai partir isso vai! Eles podem insuflar balões monetários na crise, lá isso podem , agora o que nunca poderão conseguir é conter os balões rebentados de fome, esperança e dignidade de milhões, e estou só a falar deste “paraíso” europeu.
Chiça, que pareço que estou numa RGA de 75!



11 comentários:

blowwiththewind disse...

Veja e ouça o que no Brasil se pensa da profissão docente..
http://br.youtube.com/watch?v=qvWxQjnJ6MU

withsoul disse...

Favelados
http://br.youtube.com/watch?v=9siR-3gjAbs

bigbrother disse...

aqui está a inspiração do magalhães,,
http://br.youtube.com/watch?v=wvsboPUjrGc
e ainda..
http://br.youtube.com/watch?v=8To-6VIJZRE

Existente Instante disse...

Vídeos elucidativos, Favelados é animação do mais alto calibre e de uma beleza sensível extraordinária e com Orbit já cá canta para uma futura aula de Cidadania e Mundo Actual, ou História ou Formação Cívica.
Caro Big: Então eu não conhecia o Steve? Então você não conhece a máxima:
"Quem se mete com os americanos leva...destas coisas!"?

bigbrother disse...

Nem todos os americanos são estúpidos..
http://www.youtube.com/watch?v=AMqJvhmD5Yg

setora disse...

Vim cá passear e até me diverti. Não sei se consegui ler bem, mas tentei. Juntei as letras e as caretas como pude mas vou continuar a treinar. Para mais você é do Porto e eu, diz o meu BI, nasci na freguesia de Cedofeita - fique bem e obrigada pela lição.
Até 15 de novembro.

bigbrother disse...

O que o ministério nos quer fazer..não concorda existente?
http://www.youtube.com/watch?v=ONqgaVU_XPk&feature=related

Existente Instante disse...

Claro que concordo!Desde o ano transacto que percebo o dito cujo. Que empacotar os docentes, diria melhor à moda do Porto : Emalar os docentes, ou seja, pô-los a "fechar mal da mala" e se alguns já tinham fechos estragados por Reformas que nunca quiseram compreender, esta emalou-os mesmo!
Comigo têm azar, tenho pouco jeito para forro ou ser emalado.
Aliás, sabe que o pequeno filme me fez lembrar: O Raoul Vaneigem e o seu " Aviso...", é que o poder não quer fazer isso aos Prof, e aos alunos?
Só um elogio: o Big não deve ser nada fácil de emalar!

Cara Setora... do Porto, da Sé Ribeira, Barredo, Rua Escura.Rua do Cativo, Rua Chã, a minha vida até aos 20. Dos maiores orgulhos da minha vida, das maiores experiências de vida que pude ter e que ainda hoje me ajudam na minha vida profissional.
O resto, já sabe, o coração portuense sobe por vezes à linguagem e zás...sai. O que um portuense nunca vai admitir é que um totó, um queque cagão" lhe chame "grunho", depois de lhe ter pedido desculpa numa discussão, devido à falta nítida de sentido de humor do "queque" . Com diálogo já fechado comentar com outro apaniguado que eu era grunho, é não conhecer um Homem do Norte, ou seja, á máxima da mulher de Cesar: Para ser Grunho não basta parece-lo, tem de Sê-lo! E o Sena não haveria de morrer sem saber a cor da liberdade, eu sem estar frente a frente com o "queque" e mostrar-lhe toda a delicadeza de um portuense!
Coisas da vida!

setora disse...

Coração largo e muito riso.
Para o "siso" estou-me nas tintas. É tão versátil o conceito! E que não se me estrague o fecho. Valha-me santo Alzheimer!
Até 15

3za disse...

:) :) :) vários sorrisos, que bem são precisos... :)

Raul Martins disse...

Caro E.I.,
eu que vinha, qual mendigo, um dia atrás de outro, procurar beber da força do teu blogue e por vezes ia desanimado porque passavas dias e dias sem deixares aqui nada e - agora que tenho feito alguma abstinência da blogofesra,só batendo, de longe a longe a tua porta, zás... uma semana cheia de humor, sátira, alegria, tudo junto ao teu melhor estilo... e ainda bem. Agora vou ter que passar aqui algums horitas a debulhar as tuas palavras.
.
Carpe diem!