sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Quem me manda a mim gostar de Terror!?

Até a falecida Lucy Ball, se assusta, bolas! É tanta, tanta papelada burocrática, como será tanta, tanta a realizar se esta loucura for avante, que as escolas irão à falência, porque...no meu caso, nem uma fotocópia da minha impressora! Ela recusa-se, falha, empanca! Não gosta, pronto!

Vá lá Sr. Ministra, eu até aceito mais um decretozito, uma portariazita, mas que seja a suspender isto tudo! Juro que se isso acontecer, faço-lhe uma foto hollyoodesca e tudo!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

DESAFIOS...


Os meus Departamentais colegas, resolveram desafiar-me com a maravilhosa, humorística e inteligente T-Shirt do Latas, sobre a "bajulação coordenatória" do Eu amo o Meu Coordenador que todos os docentes deste país deveriam conhecer.

Ora, desafios dos maravilhosos "sacaninhas" dos meus colegas, não podiam ficar sem resposta, porque tenho que manter "perfil de liderança" e obrigá-los a tutelar "respeitinho é muito lindo!", senão cada reunião com eles é...uma festa, daí estilo estilo Existente Instante, "Esperai aí que já bebeis!", Photo Shop Pro X2, um Lightroom e camisola feita!

Está assim do estilo pró kitsch 2008, mas passa e o Kundera deixa!

Se calhar o seu desafio deu-me uma ideia: propor em Pedagógico "parâmetro avaliativo - " Consegue de forma ergonómica, elegante e adaptada aos modelos da moda internacional, vestir uma T-Shirt do Coordenador", Vou propor como critérios:


1- O docente não veste o fato ( perdão) a T-Shirt que o coordenador lhe quer enfiar

2- O docente veste, mas a barriguita ou nalguita, dificulta a tarefa

3- Veste normalmente a T-Shirt embora não vá em passeios

4- Veste com confiança, audácia, panache à James Dean ,(pronto, pronto, pode ser a Richard Gere) ou Marilyn Monroe, (pronto, outra vez, pode ser à Scarlett Johansson, e como sou homem, também pode à Monica Bellucci) a T- Shirt do Coordenador, não se esquecendo ele, de usar a fragrância "Cacharel Pour CoordonnateurDépartemental" e ela, "Cacharel Amor Amor pour Le Coordonateur"

COORDENADORES DE TODO O MUNDO UNI-VOS ... NA SOLIDARIEDADE PROFISSIONAL COM ELES, OS COORDENADOS! Porque...por eles, nos estenderam a passadeira vermelha!
Já agora, no futuro designado que seja, Coordenador serei, MAS... de em...préstimo!

Já agora...na reunião de Quarta (27), e "à cause des choses", se o nonsense prevalecer, um CD para cada colega com legislação toda arrumadinha, Fichas Ministeriáveis e "Surripiáveis" da Net, Dicas sobre como fazer os Objectivos Individuais, e um Power Point de "serenização" feito por mim em que lhes explicava o que temos, os problemas graves que se podem apresentar perante esta loucura e o que se avizinhará se os loucos continuarem na fantasia da sua loucura, e que terminava assim: ( já gora, desculpam a minha ingenuidade e respeitando todas as outras, a minha forma de luta)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Graças a deus...Havia Outro


O Prós e Contras,Já muito badalado, demasiado mastigado. Esperar dois dias e aproveitar para ouvir algumas opiniões de não professores: amigos, parentes, e ouvidos à espreita desabafos de café, de restaurante. E não me surpeeendi, nada mesmo. Cá em casa, um Professor e uma Educadora, a mesma sensação, o mesmo fascínio de um discurso, pouco assertivo talvez, dirão intelectualoides de pacotilha, mas eivado de fé, de esperança, de humilde sabedoria e sobretudo de paixão, de amor à causa como poucos.

- Grande Professor, o Velhote!

- Um Prof à “antiga”

- Que sorte os Putos têm , por ter um Prof assim!

- Que genica e vida tinha aquele professor velhote!

- O Homem era mesmo avançado!

- Viu-se que o gajo amava ser Prof!

- Os outros teus colegas é que pareciam velhadas !

- No meio daquela tristeza, salvou-se o tal Arsélio!

- Xi! Uma vergonha! Ainda não percebi nada do que os Profs querem! O Velhote deu uma lição de educação e saber!

Pois é! Na mediocridade geral, no quase nítido nulo que foi o debate, o grande vencedor caseiro e da minha pequena opinião pública, foi o Arsélio!

Onde nele saía interiorizado e verdadeiro, a paixão, a fé no futuro, a auto-crítica, a árvore da sabedoria, a perplexidade, a construção profissional belamente inacabada, a educação elegante e crítica, noutros a ignorância dos assuntos, o comissariado político, a malcriadez, a imberbidade emocional, o atabalhoamente entroncado na raiva , o chavão paupérrimo de camisola, o sono quase parlamentar de uns tantos, os risos entre o forçado e o alarve, o previsível, o viracasaquismo, o sorriso maquiavélico e superior de fila primeira.

Dele , as palavras e o vento que as foi levando, cavalos sem sela em largos descampados de imaginação. Nem precisava de loa idiota da moderadora, nem de tempo extra. Disse, e o que disse teve muita força, para quem o quis compreender por defeito e amor profissional, e teve outro tipo de força em quem não sendo professor, conseguiu perceber que o Arsélio, aveludava as palavras, transmitia-lhes a força, sabia do que falava. Olhava-se para ele e na sua cavalgada, via-se a serenidade de experiência feita, a criança traquina que ainda o habita, o adolescente garboso que não o larga, o jovem felino que abocanhou a profissão, o adulto que não se deixou infantilizar nas malhas do infantil, o velho sábio, que timidamente lhe quer acenar à janela! E tudo integrado, afagado no seu Eu-Profissional.

E falou, dos erros, dos grandes erros dos políticos e com pudor dos nossos, Professores, a brincar ás solidariedadezinhas, ao esperar das “ Lojas Tutela” pronto- a-vestir e a usar,até ao dia em que de tanto calo calcado e em perigo de amputação da dignidade, lá vamos percebemos que caminhar é de cabeça erguida e a pé firme! E falou do costume, do que pedimos por não ter, e de o termos por pedido, para depois, renegarmos o filho que geramos, da nosso constante luto autonómico, que berramos por ter, para quando temos possibilidade de o ter, nos encolhermos órfãos e medrosos de o exercer. E falou da diferenciação pedagógica necessária e deste hipócrita sonho do igualitarismo universal (adorável o “carpinteiro norueguês”), e falou do necessário repensar das reprovações, e da mudança radical dos tempos e do pensamento e dos miúdos e do processo de hominização, que só os fósseis pensam que parou, recusando mesmo os cantos idiotas, reacionários e ressabiados do regresso ao passado ou práticas de aprendizagem do mesmo. Não, não existe no Arsélio o “complexo Maschino”, não senhor! E confessou o erro, os seus erros, e não renegou o passado, e incorporou-o na procura de um novo presente, e disse o mais do que óbvio, que a nossa inteligência docente é superior aos neurónios rarefeitos da politiquice militante, e que nenhuma Reforma nos há-de fazer, porque nós somos a Reforma, e que esteve em todas e que foi à luta, e que é Homem de “ ir à guerra dá e leva”, e que E toda a gente reparou que aceitando o tempo, o Arsélio não lhe permite muita distância, qual tartaruga que sabe que vai “papar” a lebre de cebolada. 60 anos e um homem do seu tempo. Das tecnologias, mas sobretudo, desse amor feito arte que muitos docentes é ensinar! Nem um pingo de desesperança neste homem! Nem um vislumbre de azedume, de desistência. Mesmo respeitando os que o vão fazendo, acredito que o Arsélio deve estar a borrifar-se para as “alterações ao Decreto , qualquer coisa sobre Aposentação. O Homem pareceu-me ter “pilhas duracell” de paixão docente! E isso foi-me recarregando um pouco as minhas, que algo precisadas andam.

Um meu verdadeiro colega! De fibra, de se ver com quantos paus se faz um verdadeiro Professor Português! O Arsélio falou e depois...depois foi bonito vê-lo, num gesto entre a humildade, inteligência e bom-senso, ou talvez o menino dele a sussurar-lhe ao ouvido “ lembras-te quando eras menino e as aulas eram “secas pegadas” ? Abstrai-te e rabisca, rabisca sóis de amarelo intenso, casas gigantes e Pais ainda mais gigantes, e campos e flores”, dizia, O Arsélio baixou a cabeça (quase nunca mais olhou para o palco) e rabiscou, rabiscou! Como menino envergonhado, , resolveu ir dar uma volta, resolveu salta-pocinhas do caraças, ou Arsélio Guardador de Vacas e de Sonhos, procurar ar puro, naquela atmosfera asfixiante. Já não era dali.

Não sei quem ganhou, nem me interessa muito, embora tenha dúvidas se em coisas deste tipo, tenhamos alguma coisa a ganhar, quando nos esqueçemos que o nível cultural que nos devia habitar, não deve nunca descer ao nível da insipiência parola e saloia, dos nossos contestantes, mas ganhou o Arsélio na minha consideração e ternura, e pelo que ouvi e vou ouvindo, dos raros que naquele Prós e Contras ( mas houve Prós?), trouxe alguma dignidade aos Professores, aos olhos dos milhares de leigos que o foram vendo e ouvindo. Também assim se faz uma luta, uma imagem, se quiserem, uma sedução da opinião publica. Pela serenidade, pela categoria, pela elegância, pela solidariedade nas boas práticas docentes. E lembrar-me dos ataques, dos comentários entre o ordinário, o ressabiado, o invejoso dor de corno, de muitos Professores ao prémio deste colega, quando estes sacaninhas se calhar são os mesmos agora, empanzinados de aflição por lhes estar vedado o acesso ao Excelente! Como são invíos os caminhos de Deus, e Estampa-te e vai em frente os dos homens!

Ps: Só para bons entendedores: Não conheço o Arsélio, nunca lhe falei, só o vi de relance uma vez em Aveiro. Como tal, é mesmo admiração. Mas já agora...tenho por sina não ser homem de “cadeias”, nem de contactos via SMS, ( não tenho , nem nunca terei Telemóvel, tal como pó-pó), mas quando o Arsélio se Jubiliar, em Aveiro, ou na Noruega, se eu souber, lá irei, dizer-lhe solidário que é muito bom ter um colega Professor como ele! Maluquices minhas.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Balada de Amor...de um Homem Cansado

Sem forças… Só agora e de há vários dias para trás duas horas de sossego…
A Minha música e a sua penetração nos meus interstícios d’Alma… Minha companheira fiel de nuca abandono!
E todavia…Tristeza irremediável, rochosa, sem fim!

Há dias praticamente sem vocês TODOS! De soslaio, fugidiamente, quase nas esquinas de tempo e disponibilidade, como ladrão afectivo, Pai a fingir sê-lo, Marido de faz-de-conta tendo outra…E quando parece que sim o meu mau humor o meu fel -azedume do meu não ter culpa no vosso não terem culpa!

Mas…uma escola rarefeita de vida, de sonho, de fantasia, de criatividade, de se ser em humanidade, uma escola - floresta de araras, papagaios, catatuas, alguns répteis e ratazanas, obriga-me a ser aventureiro de coisa nenhuma, explorador de nadas burocráticos, de horas infindas, de “fraldiqueirice” militante; uma escola de não alunos, decretada à medida, amedrontada e temerosa por portaria e despacho pouco despachada, que me esgota, esvazia, deprime de não – satisfaz nada nos meus critérios de ser Professor -Educador daquilo que verdadeiramente interessa! Negativa absoluta para esta Escola decretada por cima e bovina e ruminantemente aceite por baixo, por uma classe docente que adora pastar papelada, empanturrar-se de erva legal, onde deveria pastar em largos e verdejantes prados, nem que fosse o da autonomia! Mas não…adoram…até ao matadouro final da sua infelicidade, ou do seu “ burn-out”!
E como ela gosta de bradar mugidos para o ar, lançar impropérios ao vento, que por acaso os leva na aragem do tempo! Por vezes quando os ouço, sempre o “ IS THERE ANYBODY OUT THERE?”

Farto até à medula!

E sem VOCÊS! Sem sentir que estão ali mesmo ao lado! Aspirar-vos o cheiro presente, sentir as vossas vibrações, tactear do olhar como preferirem! Ouvir-vos mesmo no silêncio de mim no vosso silêncio! Olhar-vos de soslaio, de frente, ou de dentro de mim para o dentro de vós!

Nestes dias, mais do que nunca, a noção que pouco mais conta do que VOCÊS! Estais entranhados em mim como raiz de videira! Emaranhado celular único! Cancrozinho que se entranhou e alastra até não sei onde! Amor raio de doença que me vai consumindo, sem quimioterapia possível a não ser o “Amorterapia”!

Esgotado, mas sempre VOCÊS, os meus portos de abrigo! O meu SOS velhice, o meu albergue diurno ou nocturno de me recolher de borla à felicidade!

A minha “acelera-e vai em frente” , a minha lancha salva – vidas, a minha estrela do norte que não me larga, porque algo dentro de mim não a quer largar! Aquela que acelera, nunca travando naquilo que importa, naquilo que conta, arranhando, amassando, partindo vidraria da viatura que tomamos de assalto sem carta de condução vai para dezoito anos! “Sempre em frente na idade, na vida, no Amor” o seu e o meu lema, que garagens e mecânicos há muitos, mas famílias e a ternura de as ter há poucas!
A minha T-AMOR PÉ LIGEIRO NO ACELERADOR!

E falta também da minha “caçoninha” dos seus interiores porquês, a que ninguém responde, seja “chinês” ou dinamarquês” !A minha espinhozinha, cujas erupções cutâneas não são nada, comparadas com os enredos espinhados que vou sentindo na sua alma, nos seus segredos, dúvidas, angústias, que Ela tenta disfarçar tão bem…mal! Horizontes longínquos que procura semicerrando os olhos, mas que teimam em lhe fugir ou enevoar-se! Um pouco naufraga em ilhas de não sabe bem onde! À espera da luz, de um farol que lhe ilumine o sonho , a vontade! E eu, pai babado d’Ela , vou "cinicozinho" ficando feliz com a a sua confusão, o seu desconserto - conserto, a sua alma biorritmica ! Prepara-te Sacaninha-Mundo…Que Grande Mulher te vai fazer frente!

E Saudades d’Ele, o meu cabeludinho, o meu puto giro, por vezes armado em “bigodaça-d’aço” quando o sei sensível como haste de flor! Ali, menino todo do mundo em sensibilidade branco e negro! Olhar terno, sensível-pequenino para as particularidades, texturas, nós das coisas e objectos! Olho clínico d’Alma é o que é o meu Puto! Bom como o “caraças” ser o outro “men” da família! Cada pelito no bigode ( pode ser noutro local!) um foguete na minha festa - alegria de ser o MEU FILHO! Começa a falar para dentro, criando o seu guião interior de crescimento , o seu filme interior, deixando-nos a nós suspensos do que d’ali vai sair! Puto “Hitchcockiano”! E depois os teus pesadelos nocturnos, o teu chamar por mim, “PAI:::AI:::AI:::AI”, voz de eco em desfiladeiro, a sede do sozinho, e eu vou, com um beijo, bússola de orientação, cantil de água fresca, para te acalmar, dessedentar o teu medo e receios e por vezes, sais do medo, murmuras um ensonado” “Hum” e sorris, voltando ao teu sonho, talvez com miúdas, que elas por vezes metem medo! Adoro-te “Babo” da minha vida, porque o “presente” que me deste na primeira vez que te peguei, significa que marcaste território para sempre no teu Ser para o teu “Velhote” ! Vais ser HOMEM-GENTE!

E a minha E, nestes dias só a espaços! Um Tesouro d’arca fechada para mim! Tem estado sol, mas não a ver rir, dançar, abraçar-me é haver chuva e nuvens cá dentro! A mãozinha d’Ela na minha é uma transfusão de vida! Nem preciso de mais! Tenho estado pouco na sua surpresa de estudante, nas suas angústias de não fazer bem, não lhe tenho dado palmas e tenho-me portado como os caracóis da história – lento, pai lento, cansado, acomodado, atarantadinho e palerma quanto ao essencial e o acessório! Alguém deita fora um tesouro? Alguém desperdiça o sol-sorriso radiante do astrozinho saltitante “ELISOL” ?

GANHA JUÍZO e Vê se passas depressa da assinatura





Para a mais carinhosa


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Receita Para...

Confesso que não consegui. Queria ter conseguido, firmemente ter aguentado olhos castos até ao fim, mas foi-me impossível, insuportável. Abandonei a sala, onde a televisão parecia querer dar-me uma realidade de uma entrevista e de um entrevistado, que a minha inteligência sistematicamente tranformava em náusea virtual. Agora no escritório, na fuga das fugas de Bach, duas minhas fotos a impôr-se para este blogue. Porquê, não sei. Simplesmente gosto da metafórica imagem. Depois...depois dois poemas que são duas jóias de actualidade.

Ah! A receita para fazer um herói, pode ser cozinhada para fazer um político, vários políticos, imensos políticos em Portugal e na Europa, ditadorzecos, travestidos de democratas jurados por honra e mérito. Não, não é demagogia, nem sou de extremos, mas pura e simplesmente livre e democrata.Apesar de gostar deles, dos burros verdadeiros, Burro é que não, apesar de eles nos tentarem fazer passar por, na burrice deles. Como no poema: Já há muitos anos que me são servidos mortos... os políticos. E não me tenho impressionado nada! Gosto da Vida e quem tem vida dentro da vida, só isso.

RECEITA PARA FAZER UM HERÓI

Tome-se um homem,

Feito de nada, como nós,

E em tamanho natural.

Embeba-se-lhe a carne,

Lentamente,

Duma certeza aguda, irracional,

Intensa como o ódio ou como a fome.

Depois, perto do fim,

Agite-se um pendão

E toque-se um clarim.

Serve-se morto.

REINALDO FERREIRA (Poemas)



Ditadores

Os cavalos inclinam as cabeças

e levantam os cascos.

Os ditadores de bronze cavalgam

pelas praças da Europa

cavalgam em silêncio por entre

adoradores do sol e pombas brancas.

Dão de esporas ao tempo, em segredo,

apontam-se uns aos outros

de todos os quadrantes.

Um canto mudo

escorre

de suas faces de bronze.

Dão de esporas ao tempo, em segredo,

como se horas desconhecidas se medissem

por suas longas sombras

E gira a sombra a cada um

no grande quadrante solar da mentira: L´'Histoire.

Gosta Friberg (Tradução de V.G.Moura)





quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Que Deus me perdoe...e a ele o salve!

Por vezes, ser “rato de biblioteca” dá jeito. Então não é que depois de muito vasculhar, vou descobrir que sou possuidor de dois livros do nosso Secretário de Estado Valter Lemos?! Havia tempos que uma comichão estranha , me cocigava o couro cabeludo. Onde? Onde esses dois livros ? Precisava de os ler, de os rever, de os confrontar na actualidade com umas ideias longíquas que deles tinha. E ao lê-los, se ainda restasse em mim algum resquício de dúvida sobre o “crâneo” ( reparem que não disse inteligência) que foi magicando muito do que últimamente tem saído em relação à classe docente, perdi-o!

Um dos livros, é uma obra colectiva , onde participaram para além de Valter Lemos, Anabela Neves, Cristina Campos, José M. Conceição e Vítor Alaiz “ A Nova Avaliação da Aprendizagem – O Direto ao Sucesso “ da Texto Editora, 1992, portanto, 16 anitos. Sendo obra colectiva, pena tenho que os diversos capítulos não tenham identificação do autor (es) dos textos, como tal não consigo identificar o que é da lavra do actual Secretário de Estado. Desde já afirmo que o livro até nem é mau, e os sublinhados que nele fui fazendo provam que alguma utilidade tive na sua leitura, principalmente sobre modalidades e instrumentos de avaliação, á época da Reforma, muito em voga. Mas este livro tem momentos interessantes relativamente à avaliação dos alunos, que com as devidas e cuidadosas extrapolações, fornecerá matéria de reflexão em relação a muito do que hoje se vai comentando em relação à avaliação dos docentes. Vejamos:

Na página 10, na INTRODUÇÃO, lê-se:

“ O Problema que se coloca com a aplicação do novo sistema de avaliação é, antes de mais, um problema de atitude. Depois – só depois! –um problema de condições.

A atitude é algo que temos de construir por nós próprios. As condições, determinadas com a maior objectividade possível,são algo que temos de exigir, mas não apenas às entidades exteriores à escola. Também a nós próprios, à nossa escola, à forma como nela organizamos o ensino que proporcionamos aos nossos alunos.

O Estado centralizado com o qual nos habituamos a viver tem de ser destruído de uma vez por todas. Antes de mais dentro das nossas cabeças.

Não podemos estar à espera da circular XYZ/ME/92 para saber se podemos fazer isto ou aquilo. O enquadramento legal da Reorma e, em particular, da autonomia, está publicado e todos nós, professores, temos uma tarefa as cumprir: ser os garantes do sucesso educativo dos nossos alunos. Façamo-lo! “

LERAM BEM? MAS LERAM MESMO ? Repito, não sei se foi, sua Excª o SE Valter Lemos a escrever este verdadeiro naco de “Chicha” poético-educativa, mas, esta leitura faz-me lembrar “ O que hoje....”!

Na página 77, no capítulo 4.5 “ Critérios e Ética da Avaliação” , alguém escreve que a “aplicabilidade” , a “objectividade” e “clareza”, deveriam presidir aos registos de aproveitamento dos alunos, para mais à frente se afirmar peremptoriamente que em relação a esses registos:

“ ...convirá notar que, tratando-se de um documento escrito, os juízos acerca de um aluno registados num dado momento podem influenciar decisivamente o seu futuro, tanto positiva como negativamente. Correm-se sempré sérios riscos quando se atribui a alguém um determinado perfil pois esse retrato não tem necessariamente de ter validade preditiva, quer quanto aos conhecimentos, quer quanto aos comportamentos futuros .... A emissão de juízos sobre as características ou qualidades de um aluno não pode ser feita de ânimo leve , devendo pois, constituir motivo de reflexão de todos os intervenientes no processo. Se se aceita frequentemente que os p+rofessores estão em posição de fazer juízos sobre o carácter, os conhecimentos e as destrezas pessoais dos alunos, é necessário que os mesmos sejam cautelosos nas conclusões que incluem nos registos, pois é o futuro do aluno que está em jogo...”

Leram bem?! Mas mesmo bem?! Então façam como a nossa miúdagem quando tiram uma positiva: cotovelo para baixo, fechem a mãozinha direita, se canhotos a esquerda, e gritem a plenos pulmões : YES! YES! YES!

Raios me partam, se enquanto transcrevia esta parte, não me enganei várias vezes e em vez de aluno, não me puxava o dedo para a tecla P... ! Ah! Ah! Adoro arqueologia!

O livro seguinte é “ só memo” do SE Valter Lemos . “ O Critério do Sucesso- Técnicas de Avaliação da Aprendizagem”, editado em 1986 pela Texto editora. O livro divide-se em 6 capítulos, indo da “ Avaliação: Teoria e Acção” , passando por “ a Construção E Utilização dos Instrumentos de Avaliação” , “Qualidade dos Testes” , “Tratamento de Resultados de Testes e Questionários” , “A Correcção e Pontuação dos Testes e a Classificação dos Alunos”, para terminar com “ A Utilização dos Dados de Avaliação da Aprendizagem – A Avaliação do Ensino”.

Não sou má língua e novamente o livro tem o seu quê de interesse, todavia quando o adquiri em 91, apenas uma leitura apressada e diagonal , porque ele não veio trazer grande coisa ao que já sabia, e os meus interesses na altura como agora , estavam centrados na diaristica docente, nas histórias de vida, na Psicanálise na Educação, nos ciclos de vida da profissionalidade docente. Assim o “querido” Valter , ficou para trás no pelotão dos livros “aguadeiros”, esperando que os outros cortassem a meta dos meus interesses. Passados dezassete anos, cá chegou à meta, sem carro-vassoura. Que o autor me desculpe, e “ò Maria tra aí o Bufalo! Não há?! Traz Nugget, faz favor!”.

Coisas interessantissimas que tenho à minha frente e que passo a citar sem comentários, pois cada leitor terá a sua dose de inteligência para verificar o que mudou , o que se mantêm graniticamente Valteriano, ou mesmo uma ideia de ...que se transmutou noutras por ínvios caminhos.

“ Sabe-se que as razões do incusesso escolar são múltiplas e se prendem com alguns factores não controláveis pelo professor”

“...Comecemos pelo que não deve ser feito. O professor não deve, nunca, modificar classificações atribuídas, só para se situar em níveis aceitáveis. Isto além de uma questão técnica, é também uma questão deontológica. As classificações finais devem reflectir o nível de aprendizagem atingido pelo aluno, e como tal, o professor não deve modificar nada, só para mostrar um menor ou maior «número de negativas». A ocorrerem modificações elas só poderão resultar de outros factores, como adiante veremos. É importante dizer isto, porque, por vezes, nomeadamente alguns professors menos experientes ou menos preparados, são «induzidos» a alterar classificações, nas reuniões de avaliação, somente pela razão de não quererem mostrar resultados muito fora dos intervalos obtidos pêlos restantes colegas. Isto deve-se a um aspecto de insegurança profissional, que é possível ser ultrapassado.”

E agora para terminar...a última página do livro, na minha óptica a mais extraordinária do mesmo! Leiam , releiam, treleiam, esbugalhem os olhos! Mas afinal ó Hitchcock , haverá outro senhor com o nome Valter Lemos, e eu estou enganado ! Ai! Ai! Por vezes o Verbo é mesmo de encher!

“...Muitas vezes se ouve dizer que, «os programas são grandes demais», «é impossível cumprir tal programa», «os programas não estão adequados ao nível etário dos alunos», «o programa não presta», etc. Tais afirmações escondem muitas vezes, verdades aparentemente óbvias e outras vezes «desculpas de mau pagador», sendo difícil apoiá-las ou contradizê-las por não existir avaliação de programas em Portugal.

Esta avaliação que não se refere ao programa de estudo estritamente dito, mas também ao tipo e qualidade da sua implementação e ao desenvolvimento curricular efectuado a partir dele, é mais do que um problema de cada professor, um problema de cada instituição escolar e da comunidade escolar nacional no seu todo. É um vector fundamental da tal investigação pedagógica que pouco se faz, da tal inovação de que tanto se fala, e da tal avaliação de qualidade e mérito em que se pensa, mas nada se diz.

Não basta saber o nível de insucesso de um determinado ano ou ciclo (quando se sabe), é necessário investigar as razões do mesmo e actuar sobre aquelas em que seja possível introduzir modificações visando o melhoramento. Em certas escolas, após o fim das actividades lectivas, ouvem-se, por vezes, os professores dizer que lhes foi marcado serviço de estatística. Isto é dito com o ar de quem tem, contra a sua vontade, de ir desempenhar mais uma tarefa burocrática que nada lhe diz. Ora, tal trabalho, não deve ser de modo nenhum somente um trabalho de estatística, mas sim um verdadeiro trabalho de investigação, visando a avaliação institucional e programática do ano findo. Saber quantos e quais (se necessário) os alunos que tiveram insucesso e em que disciplinas, quais os níveis de sucesso em cada uma destas, quais os resultados de cada professor e cada grupo, quais os níveis de cumprimento dos programas e as suas razões, qual a taxa de abandono, etc., etc., não serve somente para «saber». Serve para planear a introdução de mudanças que melhorem os resultados.

O objectivo de qualquer organização social tem que ser a melhoria constante do serviço que presta. Na educação é uma obrigação absolutamente prioritária. O tempo que muitos professores passam a conferir bilhetes de identidade e colar selos no momento das matrículas, seria bem mais proveitoso quando utilizado em trabalho visando a investigação e avaliação de programas.

Já não estão em causa aspectos estruturais como a ausência de uma verdadeira carreira profissional motivadora, nem a pouca eficácia de um processo de regulação do sistema escolar, mas, sim somente um pouco de organização durante as férias escolares, de forma a libertar os professores de tarefas administrativas (quando não de limpeza) e a enquadrá-los e organizá-los em equipas tendo em vista a avaliação e a investigação. Não diremos que se passe já para um sistema em que cada professor seja um professor-investigador, mas, que, pelo menos, cada organismo, cada escola, avalie, no fim de cada ano, o trabalho realizado. “

Tenho dito ! Que Deus me perdoe e...a ele o salve! Amen! (E não estou a brincar! O Homem faz parte das minhas orações, pronto!).

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Sudden Waves


Como o João Barroso (sempre, sempre o Matias Alves em cima das coisas importantes para a reflexão-construção-descontrução docente) vou construindo as minhas muralhas, ajudando a construir moínhos , mas as minhas-meus, no colectivo solidário, não as muralhas que a maralha quer que eu construa, nem os moínhos de vento tontos onde alguns querem enredar a classe, nem na histeria histriónica que confunde, stressa e desanima os mais fracos. Jamais! Mas dizia, falta a terceira luta , e essa é a do esconder a cabeça na areia. E gosto da ideia , porque já o afirmei em posts anteriores, não tão explicitamente como o João Barroso: "as reformas pretendem mudar a escola mas na maior parte dos casos é a escola que muda as reformas" e é isso que a idiotia política que nos vai governando não percebe ou não quer perceber, enredada ela própria no equívoco demagógico do poder a qualquer custo.

Assim, para os meus parcos leitores, mais uns minutos dessa resistência pelo silêncio da palavra e da música dessa belíssima mulher e voz de mulher que é June Tabor. (Fotos minhas, as da June e albuns da Net)


SUDDEN WAVES

The waves, there are waves, sudden waves break over me


there are waves, sudden waves over me


there are days when the way that I want is not to be


and I am lost


There are days, broken days,


when the gales we sail have blown


there are waves, sudden waves over me


and the sea carries me on a course that’s not my own


and I’m alone



There are storms, sudden storms


when the form of life is lost


there are waves, sudden waves over me


and it’s chance, not design makes the line my


life has crossed


and I may drown


There are bays, peaceful bays


in the harbour of your hand


where the waves, sudden waves cannot reach


there are days


when the ways of your words can make dry land


and I can stay.



do álbum de June Tabor, ANGEL TIGER, 1992




sábado, 2 de fevereiro de 2008

Apenas Eles...e Graça Morais


Sábado de calmaria. Só eles a importarem. Eles, as maravilhosas áleas, uns pássaros ariscos, e um sol envergonhado que rapidamente se foi, substituído por vento leve, corredio e frio de fim de tarde. Quase sempre em silêncio, quebrado aqui e ali pela minha “Pipi das Trancinhas Largas”, que de saltito em saltito, ia fazendo concorrência às gaivotas e passarada inquieta, que dominava a erva rasa e espaçosa dos Jardins do Palácio de Cristal. Eu e a minha T, fartos dos impostores e da impostura dos dias, a necessitar de purificação, eles, F e M, a precisarem de tirarem o fato surrado de uma escola-tira-tempo, que lhes vai tirando sonho, alegrias, vontades, e num raro silêncio de Palácio de Sábado à tarde, juntos como força regeneradora, que escolhemos ser, desde que somos.

Depois a ajudar ao banho, essa maravilhosa pintura da Graça Morais, patente na Galeria da Biblioteca Almeida Garrett, integrada na colecção da Fundação Paço d’Arcos. 147 obras, entre pintura, desenho e azulejo, realizadas de 1982 a 2007, em que a terra -nossa ou a de Cabo Verde, a fábula, a infância e os brinquedos, mas também os medos, a condição de mulher, ou a imaginação e o sonho, nos fazem reencontrar com o fascínio de um olhar primitivo, quase táctil, de uma arte que se questiona a si própria.

Bebemos a taça toda em silêncio, até porque quase ninguém em toda a galeria. Tão diferente desse tagarelar pedante e estapafúrdio das galerias da moda, aproveitamos. Sorvemos até ao último gole, a emoção - travo que cada obra nos foi apaladando. A minha “Trancinhas” gostou, M saiu com um azul maravilhoso da Graça Morais nos olhos, F, intrigou-o os títulos, a minha T, azulejou-se de amarelo Cabo Verdeano e eu, na frondosa e já nocturna Avenida das Tílias, apenas iluminada pelas luzes amareladas de alguns candeeiros, pareceu-me ver ao fundo, quase como aceno “ As Escolhidas “ (IV). Sorri-lhe.

Faltou-me só fazer a despedida no Guarani, nessa maravilhosa, tórrida e amarela Amazónia da Graça Morais. Não pôde ser! Não iriam ser dezenas de turistas que me iriam estragar o resto do silêncio do dia. Preferimos poiso mais popular e sereno, para repasto do corpo, que d’alma e olhar já bem alimentados estávamos.


Graça Morais,O Interdito Transfigurado,1987

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Não Há Rapazes Maus...



“ Resolveu-se em sessão plenária que no dia seguinte saíssemos a semear. Enquanto o fazemos nas igrejas, afirmamos publicamente a Pobreza Altíssima do Evangelho, denunciamos o deus - milhão e negamos o valor dos seus inúmeros e desorientados adoradores. Sem prestígio, sem política; fracos e ignorantes – nunca se viu tanta audácia na mão de homens assim!
Padre Américo

Pois! Grande Revolucionário Pacífico. Tão verdade no sistema salazarento, como nesta mascarada de democracia.

Pai Américo, também deixaste escrito que: “não existem maus rapazes” . Pois não! Enquanto o são, porque alguns demasiado rápido passam a “boys” do poder, enquanto outros de tetina leitosa, esperam a sua mamada no biberão de oportunidade. Tudo bons rapazes! E arrotam todos, mesmo sem palmadinhas nas costas, enquanto não raras vezes, pobres amas-secas, apanhamos com o vómito.

Podia ser como Guerra Junqueiro “ Ó Cristo vem cá abaixo, ver isto! “ mas prefiro: “ Pai não lhes perdoes, porque eles sabem o que fazem”

Dois Grandes "Revolucionários Pacíficos"

















domingo, 27 de janeiro de 2008

Monstros

Surgiu de uma belíssima poesia de Dámaso Alonso postada no blogue Terrear( O JMA volta, vai voltar certamente, porque das vozes mais informativas, lúcidas, calmas e humildes, por isso lutadoras, na blogosfera docente, ao contrário de tantas outras de efeito inverso e perverso). Ora, DA é dos meus poetas espanhóis preferidos. Por isso este outro poema, duríssimo, sofrido, mas actual de uma actualidade quase intemporal.
Sem destinatário? Talvez, porque o poder que nos vai sufocando não se reverá nele, mas também o mesmo, para determinado contra - poder, que à força de o berrar de o ser, vai mostrando que o quer ser, seja em pezinhos de lã, seja em bicos de pés, seja na incontinência verbal. Na História, os “monstros” nunca estiveram só de um lado, nunca!

MONSTROS

Todos os dias rezo esta oração
ao levantar-me:

Oh Deus,
não me atormentes mais.
Diz-me o que significam
estes espantos que me rodeiam.
Cercado estou de monstros
que mudamente me fazem perguntas,
tal como eu os interrogo.
Que talvez te perguntem,
tal como eu perturbo inutilmente
o silêncio da tua impassível noite
com a minha desagarradora interrogação.
Sob a penumbra das estrelas
e sob a terrível treva da luz solar,
espreitam-me olhos inimigos, formas grotescas me vigiam,
cores que ferem estendem-me seus laços:
são monstros,
estou cercado de monstros!

Não me devoram.
Devoram o meu ansiado repouso,
fazem-me ser uma angústia que se aumenta a si própria,
fazem-me homem,
monstro entre monstros.

Não, nenhum tão terrível
como este Dámaso frenético,
como esta centopeia amarela que a ti clama com todos os seus tentáculos enlouquecidos,
como esta besta imediata,
derramada numa angústia fluente;
não nenhum tão monstruoso
como esta alimária que brama para ti,
como esta desgarrada incógnita
que agora te increpa com gemidos articulados, que agora te diz:
«Oh Deus,
não me atormentes mais,
diz-me o que significam
e estes monstros que me rodeiam,
E este espanto íntimo que para ti geme na noite”
Dámaso Alonso

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Um Livro fabuloso...


Calculo que muitos colegas têm o livro apresentado na gravura, ou pelo menos conhecem-no, como tal, este post poderá não ser para eles, ou pelo menos contribuirá para ajudar a reviver a oportunidade de nos confrontar com algumas verdades inconvenientes. Se não conhecem este livro, ele não é para comprar amanhã, mas sim ontem!
É um livro formidável, belíssimo na realização fotográfica, com textos de uma clarividência e simplicidade notável, ao mesmo tempo um manancial – memória da História da Educação em Portugal, como poucos. O CD que o acompanha é um tesouro para aqueles que estudam ou esperam vir a estudar esta temática da História da Educação.
Partilhando da opinião do Professor Nóvoa, que é preciso recusar, não posso ao reler este livro deixar de ficar com um travo amargo no pensamento: será mesmo uma fatalidade, uma marca genética este atraso endémico educativo em Portugal? A inconsequência de lutas, de miríades de realizações que não conseguem mobilizar, inverter, propulsionar para um futuro educativo melhor?
O António Nóvoa é assim mesmo, profundidade na simplicidade de escrita, e acima de tudo, um poder de análise e de interrogação sobre a realidade educativa como poucos.
Os textos introdutórios e finais que escreveu para este livro , são hoje tão actuais como o foram quando saiu a 2º edição que eu possuo de 2005. Na entrada “Este livro” , escreve com uma acutilância sem mácula “ (…) À medida que as páginas avançam, o leitor deparar-se-á, provavelmente, com um sentimento de estranha familiaridade. Como se estivéssemos sempre a discutir as mesmas matérias, e sempre da mesma maneira. Como se, no campo da educação, não houvesse a possibilidade de acumular conhecimento, de nos apropriarmos da experiência histórica e de sobre ela praticarmos um exercício de lucidez. Estranha familiaridade de uma litania discursiva, pedagógica e política, que não soube substituir o alarido e a crença, a crença e o alarido, pela lenta serenidade das realizações” , para na entrada “textos” culminar com este belo extracto “ (…) A partir de certa altura tudo depende da tolerância de cada um é natural que se experimente um sentimento de desconforto e até de alguma frustração. Há uma redundáncia, irritante na forma comoo se fala da educação. Parece que está sempre tudo na mesma. E que Portugal nao consegue, por mais esforços que faça, por mais reformas que anuncie, sair do lugar onde sempre esteve, pelo menos desde os primórdios de Oitocentos a Cauda da Europa. Curiosa metáfora, esta, que as transformámos numa “realidade sem memória”.
Mas Nóvoa quer recusa esta ideia de quase fatalismo que vinha do século XIX, e como Antero, é adepto do rompimento com o passado, não o do esquecimento, da negação ou omissão, mas a sim a recusa, suportada no conhecimento, no estudo, na investigação e compreensão.
Na entrada “Evidentemente”, que dá título ao livro, António Nóvoa vai mais longe e impiedosamente zurze a eito em ideias feitas, em certezas adquiridas, nas incongruências daqueles com mais ou menos responsabilidades, são os causadores de um equívoco, o de que a educação trará uma Revolução . Vejamos : “ Tudo são evidências nos textos e nos debates, nas políticas e nas reformas educativas. Ninguém tem dúvidas. Todos têm certezas. Definitivas. Evidências do senso comum. Falsas evidências. Continuamente desmentidas. Continuamente repetidas.
Crenças. Doutrinas. Visões. Dogmas. Tudo misturado numa amálgama de ilusões. É evidente que só pela educação se conseguirá a regeneração, e o progresso, e a modernização, e a industrialização, e o desenvolvimento do país. Evidentemente.”
Informa que o seu trabalho termina em 1974, mas reafirma a ideia que poderia continuar, porque “ (…)Quando se trata de educação, nenhum político tem dúvidas, nenhum comentador se engana, nenhum português hesita. Palavras gastas. Inúteis. Banalidades. Mentiras. O que é evidente, mente. Evidentemente.”.
Poder-se-ia continuar, mas saltando para um 4º andamento e final do livro, sobre o atraso educacional, na transição do século XX para o Século XXI, coloca uma jóia fabulosa no cima do coroa, ao escrever certeiro e directo desta forma “(…) O século XX acaba como começou, com um forte sentimento de "atraso" em relação à Europa. Estudos, diagnósticos e manifestos indignam-se com o estado da escola e recla­mam medidas urgentes. É preciso pôr ordem na escola. É preciso pôr a escola na ordem. Anuncia-se uma nova "batalha da educação':Como há um século, pela voz de José Simões Dias, não faltam razões para "supor que pior que o dia de hoje e o de ontem, será o de ama­nhã':
Que indicadores provocam tamanha agitação? São inúmeros os dados que, diaria­mente, nos inquietam. Para uns, o mais grave são as situações de indisciplina e de violên­cia, a falta de um mínimo de padrões morais e de regras de comportamento. Para outros, o drama é a ignorância dos alunos, a sua péssima cultura geral, a fraquíssima formação escolar em áreas vitais como a língua portuguesa ou a matemática. Para alguns, é incom­preensível a pobreza dos programas em domínios essenciais para a sociedade do conheci­mento, como as novas tecnologias ou a aprendizagem de línguas estrangeiras. Para outros ainda, a nossa escola não fomenta a criatividade, o espírito de iniciativa e o empreende­dorismo tão necessários nesta era da globalização.
A lista poderia continuar, pela ausência de educação científica ou de cultura históri­ca, pela escassez da formação profissional ou da aprendizagem ao longo da vida...Todavia, é possível identificar dois conjuntos de indicadores que surgem sempre para ilustrar o nosso atraso educacional. O primeiro conjunto, mais estrutural e quantitativo, diz respeito às estatísticas da União Europeia: qualificações escolares da população, níveis de insucesso e de abandono escolar, etc. O segundo conjunto, mais pedagógico e qualitativo, remete para os estudos internacionais, conduzidos primeiro pelo IEA e depois pela OCDE, que assi­nalam os maus resultados dos alunos portugueses em disciplinas como a língua materna, as ciências ou a matemática.
No final do século XX, o país parece tão confuso, e perturbado, como no final do sécu­lo XIX. A sociedade portuguesa está ciente do caminho percorrido nos últimos trinta anos, mas os indicadores explicam que é cada vez maior a distância que nos separa dos restan­tes países europeus."A realidade impõe-se ao sonho, ao ideal, mas não passa ao querer”, avi­sava Agostinho de Campos, em 1933. E, contrariamente ao que aconteceu nos anteriores "andamentos do atraso educacional"– com a Regeneração (há 150 anos), com a República (há 100 anos), com a industrialização (há 50 anos) – não se vislumbra nenhuma ideia que nos possa mobilizar (ou, pelo menos,"distrair").
A não ser que se invente um impulso elãn reformador. Mas sobre isso, já Agostinho de Campos escreveu palavras definitivas: "De quando em quando, ouve-se dizer por aí, muito a sério e em tom de profundo convencimento: Precisamos de uma reforma geral do ensino... Melhor seria dizer, logo de uma vez: Faz-nos falta um milagre de Nossa Senhora de Fátima”.
É que o milagre demora e se calhar por falta de pilhas , continuará a demorar!

Afinal o Que Fazer? II

Ainda de poderes de cúpula, ou órgãos de influência, reparem os caríssimos colegas, no majestático silêncio ensurdecedor do Conselho Nacional de Educação, porquê? Membros de grande sapiência, de grandes valores éticos e morais, acredito, mas, colegas, confessem lá: quantos nomes conhecem daquela lista quase telefónica? O que vos dizem determinados nomes? Estão a ponderar com a sisudez e reflexão que o momento aconselha, dir-me-ão alguns, pois mas o tempo não vai parando na inflexibilidade ministerial, esperando doutos pareceres.

E a responsabilidade do Conselho de Escolas? Quantas posições, agora e em força foram tomadas sobre estes assuntos? Muitas? Poucas? Ou Assim-Assim?

E mesmo os Conselhos Municipais de Educação, não têm palavra nenhuma a dizer? Às escondidinhas de olhos fechadinhos nas árvores?

Os Conselhos Executivos, quantos se demitiram ou o ameaçaram, ou pelo menos se reuniram por zona, numa solidariedade institucional, para uma tomada de posição de ter mais força conjunta do que o isolado, que não seria mais que suicídio. Para que servem os Teles, os sms, os mails, etc. etc. para comunicar sem comunicar, para isolar quando era preciso unir ? Mas não…outro silêncio, outros silêncios, muitas vezes sem coragem, apenas e só a do “encosto”, a do regaço quente do CP.

E nós, na minha opinião, poucos, nos blogues, nos encontros, nas berrarias, nos desabafos inconsequentes, de sala de professores, de cafés matinais ou outros, a julgar que sim, que vamos conseguir mobilizar, criar a tal onda, a tal insurreição generalizada, quando sabemos que não, e quando vier a ordem inapelável, directa ou pressionada telefonicamente sobre os CE, “faça-se!”, então iremos fazê-lo a espumar pela boca e chamaremos todos os nomes do universo aos ditos e teremos apoplexias e…tudo se consumará! Agora sejam honestos, quem será o colega martirizado, aquele que dirá não faço, se for cooptado para o fazer? Talvez aquele que sabe que o CE por tibieza o substituirá por outro colega, ou que tenha fontes de rendimento, ou seja empresário. Depois quero ver alguns generais, ou os porta - estandarte, quero ver quem são os Duarte de Almeida, “decepadinhos” de Toro! Deixemo-nos de tretas, se fazem o favor!

E quando for dada a ordem de parada: quatro Departamentos, os Conselhos Executivos vão fazer o quê? Criar mais um? Dormimos na forma? Não sabemos o que se pretende com a magia do embriagado quatro ? De uma ilegalidade jurídica gritante, achamos nós, mas acharão os conselheiros jurídicos do Sr. Presidente da República? Os tribunais, a que necessariamente se calhar até ninguém irá recorrer, pronunciar-se-ão a favor dos docentes? E que seja assim, com que rapidez, com que punição para o Estado? Não sabem já que uma portariazita, ou um despachozito, virá dar a volta ao texto, e por linhas travessas os quatro Departamentos? Irra é não ter memória!

E já agora, mesmo que consigamos a pequena vitória de Pirro, do adiamento, de alguns meses de todo o processo da avaliação de desempenho? Mais cuidadosos, mais livres, para reflectir onde deve ser o espaço de reflexão por excelência, a nossa escola, e da parca autonomia que temos, construir os nossos instrumentos de avaliação, sobre os despojos da grelharia que nos querem impor, ou vamos passando de mão-em-mão, ” lencinho àvoar” para ficar tudo igual, sem atender a especificidades, a mundos docentes, a climas de escola, para assim traçarmos o caminho onde nos vamos estatelar? Ou…pôr toda a gente a trabalhar em grupo, inclusive titulares que em algumas escolas, dedicam-se o negócio de velas de estearina, vulgo cera, que tiveram título de alguma passadeira , ou, o costume … 5, 10 desgraçados, entre eles os Coordenadores (alguns?) e depois se verá ! Corre mal, culpa desses imbecis, cobardes, energúmenos que fizeram estas grelhas, que actualizaram mal o RI e o PE, e por aí fora? Que digam o que disserem, mas à minha frente, Titular e Coordenador, na escola onde trabalho que não o façam, se fizerem especial favor, porque vou ficar mesmo chateado!

E mais… para quê mentirmos a nós próprios, ou pelos menos mistificarmos uma realidade mais que real, palpável, conhecida: se muitas escolas como a minha ainda esperam o “toque de caixa” da grelharia, da Comissão, etc,etc, se calhar muitas já têm tudo, ou quase tudo feito, principalmente os descritores de avaliação, não se iludam, caros colegas! Claro que o silêncio é de ouro e conta-se o que se quer, mas as conversas com colegas de várias escolas, não deixam lugar a dúvidas! Eu vou ali e já venho, até eles começarem a emailar de zip para zip! Ou talvez não, que a concorrência está na ordem do dia, e a selvajaria neo-liberal tem o seu peso! Eu dispenso! Passo!

E já agora um cenário possível: O ministério, num elan extraordinário que nem recorde mundial de Bubka, vai até ao fim desta semana, e princípios da próxima deitar cá para fora a torrente que faltava: Comissão, Grelhas e Complementares! Depois dá os dias de “atraso” e obriga-nos a trabalhar na célebre interrupção de serviço! Ou, em passo de corrida frente-marche no inicio do 3º Ah! Outro assunto que um futuro Ministério nos irá propor: “que tal ficarem sem Natal e Páscoa?” . Se estão aterrorizados, eu não, porque vou sabendo o País que vou sobrevivendo e os que dele politicamente se vão servindo. Mas vou-me calar, não vá alguém do ME ler este berloque e ficar com ideias, sem me pagar direitos de autor!

Assim: desesperançado? Nem por isso! Esta Reforma (re..quê) já o afirmei, está desde já perdida, por “parida” a fórceps! Vai sair problema pela certa, e resta-nos cerrar os dentes sem os partir, ou desgastar o esmalte, ou quando muito beliscarmo-nos até à nódoa negra para acreditar que isto é verdade! Mas é !

E pouco podemos fazer, vamos engolir a raiva, o azedume, uns, no desespero, no desinvestimento, na depressão, outros, e eu serei de certeza um deles, nas únicas saídas possíveis, e elas nunca mas nunca serão de berloques, ou de escritas mais ou menos elaboradas, mas sim um retraimento de mim, Expansão para Eles, a razão, não única, mas primogénita do meu ser Professor, um investimento cada vez mais activo na sala de aula, na relação pedagógica, na didáctica (pronto, alguns acharão isto trelharouco, mas também tenho direito a um bocadinho do bolo, ou não?) e não menos importante, na célula mais chegada, a minha escola, sobretudo os meus camaradas de Departamento, os Coordenadores que partilhem do sonho comum, nem que seja o de não quererem ficar descoordenados, na partilha de experiências, de materiais, de ideias, de humildades de não saber , que é sempre uma forma de saber, na solidariedade institucional e afectiva, no respeito, mais do que hierárquico, mútuo e útil. Pode haver outras ideias, esta é a minha! Não vai mudar nada, dirão, pois não, mas vai-me ajudando á minha procura constante de felicidade, o que não é barato, nem fácil, nem sequer dá milhões.

Afinal O Que Fazer I ?


Sejamos claros: em tudo isto há um “timing político” bem marcado, uma vontade inequívoca de criar bibliotecas de legislação, de pôr com mais ou menos eficácia a funcionar um edifício educativo, mesmo que não funcione, para parecer que sim e apresentar-se no dito fatídico dia com obra feita, com montes de realizações. A multiplicação dos pães e dos peixes, foi no tempo de Cristo, e este governo não anda propriamente mãos largas, sim mais avaro, quase diminuição dos mesmos. Portanto um objectivo claro, em 2009, uma cruzinha num papelinho, encestado com mais ou menos perícia num “caixotim “, que há quem lhe chame urna de voto, principalmente para adeptos fervorosos, ou classe média desmemoriada, ou deverei dizer…desmiolada?


O poder não é burro, faz-se, para burros acreditarmos nele. Nem é preciso ter andado na vida política, nem tirar curso especial, para entender esta imperícia, para uns perícia, dos partidos no poder, marcaram calendário com realizações mais ou menos apressados, ou mesmo obras -pastelão, para literalmente esbugalhar olhos de Zé -Povo, que tristemente nem é o do Bordalo, nem sequer manguito sabe fazer.

É uma triste sina da democracia portuguesa, que alguns comentadores ou não, à força de nos quererem fazer acreditar no esfarrapado discurso da normalidade, da confiança, quase nos levam ao normal e confiante encolhimento dos ombros “é sempre assim” ! E ganham-se eleições muitas vezes por ser sempre assim. É minha convicção que o ataque ao grupo profissional dos Professores, é-o, não o sendo, ou seja, não existe uma intenção directa, conspirativa, de gabinete contra a classe docente nestes disparates legislativos, antes uma submissão de vontades, um vai tudo para o mesmo tacho, um desejo de transformar os docentes em matéria de refogado, para cozinhado de cozinha “Michelin”. As estrelas virão depois.

Assim, nós Professores, a fritar em lume brando, que bom refogado assim se faz. Saltitamos estaladiços, com vontade de sermos outra coisa, menos matéria de cozinhado, todavia, ou por manifesta falta de sorte no salteado, ou porque outras cebolinhas adoram ser alouradas, ou mesmo porque nem fazer chorar o cozinheiro sabemos, olhamos da sertã com desespero, e nem tempo temos de um salpico: estamos fritos.
Assim estamos! Estaremos? Não sei. Da minha confusão de o estar, algumas dúvidas e muitas poucas certezas, e não menos questões, embora diferentes daquelas que geralmente se têm, ou porque não se leu, ou não se quer entender o que se leu.

Questão A – Amanhã, tal como centenas de escolas, (será mesmo?) o meu Conselho Pedagógico vai aprovar um documento durinho, e certamente por unanimidade contra o estado actual das coisas, relativamente à avaliação de desempenho e mesmo contra a proposta do novo regime jurídico da gestão escolar. Pronto, vamos ser sensatos, sensíveis e firmes, todavia fica sempre a mesma questão no ar: cumprimos o nosso dever, mostramos a nossa indignação, revelamos que não andamos distraídos … todavia o nosso sentido de aprovação representa o quê e quem? Quantos docentes verdadeiramente se reverão no que aprovado for? A voz do Conselho Pedagógico neste caso, não é a voz de centenas de Professores de uma escola, ou pelo que me atrevo, nem sequer da maioria.

Nota-se indignação? Pois nota, se calhar na mesma proporção da indiferença, do laxismo, do logo se verá, de ainda nem sequer se saber o que se está bem a tratar, porque não leitura, ou reflexão de qualquer espécie. Atrever-me-ia mesmo a afirmar que uns outros tantos, pelo silêncio, ou pela atitude, mostram até alguma simpatia pelas medidas governamentais e até empatia com a actual equipa ministerial da educação. Vário tipos de afeições, ou falta delas. Impossível mesurar apoios, amores ou desamores, quem marca mais ou menos pontos, porque nesta “luta”, não cabe conversa de sala de Professores, ou café matinal, lamento. Há quem consiga à vista desarmada eu não!

B- Mais um papel de desagravo, de protesto, de indignação, mas para quê? Para nos sentirmos justificados, para a nossa catarse mais ou menos colectiva, para aligeirar a nosso incómodo, a raiva, para dizermos que sim à nossa “dignitate” ? Tudo bem! Mas…não sejamos ingénuos, nem os papéis serão avalanche, nem chegarão a destino tutelar sonhado! Por vezes fico abismado com o desconhecimento da parte da classe docente, dos meandros kafkianos do poder instituído. Lixo, trituradora automática, antes do destino, antes de Srª ou Vº Excª lhe deitarem olho. Então atarefados como estão, iriam lá ler indignações. Estrebuchamos com “panache”, com espinha direita, mas do lado de lá receberemos o sorriso seco e pardo do desprezo, da indiferença. Por muito que me custe admiti-lo, o longo da minha vida docente, assinei dezenas e dezenas de petições, desagravos, e quase totalmente eficácia zero! Mas, nem por isso, deixo de o fazer, apesar de gostar cada vez menos de cadeias.

C- Afinal, o poder educativo pode abanar pelas bases? Só numa revolução! Aqui, e agora acredito que ele poderia abanar pelas cúpulas, e nem preciso era das do tamanho de S. Pedro.
Ironia das ironias, tem sido da IGE e do seu alto responsável, as atitudes-palavras que na minha opinião mais peso têm tido nas orelhas moucas do ME. E dúvidas não tenho que se houver um recuo, na posição ministerial, será o peso institucional deste órgão, ou outros, que fará a diferença! Lamento irritar os meus poucos leitores, mas os Professores actualmente têm pouco poder, e cada vez terá menos, arriscar-me-ia a dizer nenhuns, seja com que governo for do bloco central que nos vai (dês) governando. Mais uma vez faz bem acreditar que sim, que seremos sempre uma força intransponível, quase muralha de aço, mas não somos. Apenas e só funcionários obedientes e cansados, quando muito, irritados de vez em quando, só para mostramos que existimos como classe!


- Nem penses, és parvo, é anticonstitucional, lá estás tu a ser pessimista, isso iria ter um peso político terrível! Nem parvo, nem pessimista, nem peso político, quando afirmei dezenas e dezenas de vezes a colegas vai para anos, que nos iria ser sonegado o direito à greve nas avaliações e exames. E foi-o! E…ninguém se martirizou, pudera. Como não tenho dúvidas, e só um ingénuo, ou candidato a político de carreira é que pode não acreditar que nos três, quatro anos próximos, num drama terrível, milhares e milhares de professores serão literalmente postos na rua, mandados para os quadros de supernumerários, seja com que governo de cor centralista for! Aliás a sangria que aí se vai aproximar com o fim das de EA, FC, ou AP, vai colocar muitos Professores, onde?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Bobby FISCHER...Morreu um génio



Aquietou-se de vez uma das almas mais belamente inquietas da história do xadrez.

Morreu esse extraordinário campeão, esse fabuloso mágico das 64 casas do tabuleiro. Desapareceu, embora algo do xadrez, de um certo xadrez tenha morrido com ele em 72. Agora só a memória e as suas jóias - partidas de brilho refulgente, de cristalinidade pura, de quase poesia escaquística.

De momento nada mais interessa, nem histórias castiças, nem pormenores mais ou menos sórdidos. Apenas e só um lutador de fibra, um polémico de génio, e sobretudo um amor ao xadrez como poucos, dos tais, que de tanto amar se afastou da coisa amada. E se ainda não chegasse, esse legado imortal das suas partidas enquanto existir xadrez.

Aqui na minha frente um monte de livros de e sobre Bobby. Folhei-os, viro páginas como suave brisa levanta folha morta e, instintivamente, memórias de adolescente e jovem são penetradas por essas páginas. Da impossibilidade de algum dia alguém jogar xadrez assim, da beleza intensa, da estética artística dessa grande arte que é mover umas peças esquisitas nas 64 casas claro - escuras de um tabuleiro.

Pego no meu melhor tabuleiro, vou buscar as minhas melhores peças staunton e ao som de um Requiem, que pode ser umas “Lachrime” , reproduzo algumas dessas jóias, quase diademas em cabeça de rainha, e viajo de Brooklin a Reykjavik, acompanho menino encantado esse percurso, esse movimento perpétuo de bispos, cavalos , torres peões, reis e damas.

Aquietou-se uma das almas mais geniais das 64 casas. Estou comovido a leste de mim, como sempre fico quando parte um génio. Profundamente triste, quase como “chuva de limão na minha alma”.

No entanto…alguém ficou satisfeito! Quêm? Quem poderia ser?! Mikhail Tal, que na 5ª Feira recebeu Bobby no céu de Caissa com aquele largo sorriso : Estava a ver que nunca mais chegavas, Bobby?!” “ Um bocadinho farto de jogar com o Petrosian, o Bota, deves concordar?! Bobby baixou os olhos com timidez, Tal riu, e num momento ambos recordaram essa imagem linda de Zagreb 59. Depois…depois foi apanhar o primeiro tabuleiro que lhes caiu nas mãos e toca a jogar o match para sempre inacabado!

Para quem nunca ouviu falar de Ti, este pequeno vídeo da minha autoria.

Que descanses em Paz, Bobby.